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Fundação
A AGERT foi fundada em 13 de dezembro de 1962 por sessenta
e dois empresários gaúchos de radiodifusão,
reunidos nos salões da Associação Riograndense
de Imprensa (ARI), cedida por seu presidente, o jornalista
Alberto André.
A estrutura da diretoria da AGERT é composta por
Presidente, nove Vice-Presidentes, oito Vice-Presidentes Regionais
e Diretores. Atualmente, possui 296 filiados, entre emissoras
de rádio, televisão e representantes comerciais.
Clique abaixo para ler a história da AGERT.
Histórico
A AGERT começou a partir da luta de alguns radiodifusores
com o objetivo de dar a importância merecida aos veículos
de comunicação.
Seu associados são hoje 167 emissoras AM e 100 FM,
20 estações de televisão e 9 representantes
comerciais, totalizando 296 filiados.
Na década de 60 a televisão ensaiava seus primeiros
passos, enquanto o rádio já estava consolidado
no papel de ágil e confiável elemento de ligação
dos mais distantes pontos do país às grandes
cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e a recém-nascida
Brasília. No intervalo entre a renúncia de Jânio
Quadro e a posse do governo João Goulart, em que Rainieri
Mazzilli esteve na Presidência da República,
formou-se a Rede da Legalidade no Rio Grande do Sul, cadeia
de rádios liderada pelo então governador do
Rio Grande do Sul Leonel Brizola, que pedia respeito à
Constituição e a posse de João Goulart,
efetivada em setembro de 1961. Brizola comandou a rede de
emissoras a partir da Rádio Guaíba AM, transmitindo
ininterruptamente dos porões do Palácio Piratini,
os “porões da legalidade”.
Não havia transcorrido ainda um ano da posse de Jango
e pairava sobre a radiodifusão a ameaça de estatização.
Para evitar a estatização, uma comitiva de radiodifusores
gaúchos, atendendo a convocação de João
de Medeiros Calmon, esteve em Brasília. Através
de pressão na Câmara de Deputados, a comissão
conseguiu vetar os 22 itens apostos por Jango ao Código
Brasileiro de Telecomunicações, que propunham
entregar ao Estado o controle total das estações
de rádio e televisão do país.
Como conseqüência, no dia 27 de novembro de 1962
foi fundada a Associação Brasileira de Emissoras
de Rádio e Televisão (ABERT).
Seguindo o exemplo, o grupo formado por Flávio Alcaraz
Gomes, representando a Companhia Caldas Júnior, Hugo
Vitor Ferlauto, das Emissoras Reunidas, Antônio Abelin,
da Rádio Imembuí de Santa Maria, René
Corbelini, da Rádio Charrua de Uruguaiana, Nelson Dimas
de Oliveira, dos Diários Associados, Salvadore Rosito,
da Difusora, Frankilin Peres, comercial da Rádio Farroupilha,
Maurício Sirotsky Sobrinho, Rádio Gaúcha,
Frederico Arnaldo Balvê, Emissoras Reunidas, entre outros,
fundarou a Associação Gaúcha de Emissoras
de Rádio e Televisão (AGERT), em 13 de dezembro
de 1962. A AGERT nascia com suas raízes plantadas na
defesa da liberdade de informação e livre iniciativa.
Radiodifusores que comandaram a Agert
O primeiro presidente da associação foi o jornalista
Nelson Dimas de Oliveira - na época Superintendente
dos Diários Associados do RGS, cujo mandato foi de
13 de dezembro de 1962 até 21 de novembro de 1966.
Nesta gestão, a Agert reuniu pela primeira vez os radiodifusores
gaúchos em Congresso, em 1964.
O segundo presidente foi Gildo Milmann, diretor da Rádio
Cultura de Gravataí, de 22 de novembro de 1966 até
14 de dezembro de 1970. Na sua gestão, Milmann manteve
os diretores anteriormente eleitos em seus cargos. Foi nessa
gestão que a Agert adquiriu sua sede própria,
na Rua dos Andradas, 123/10°. Milmann promoveu congressos
de emissoras em Caxias do Sul e Santa Maria e viu nascer o
Sindicato das Emissoras de Rádio e Televisão
do Estado.
O próximo presidente foi Flávio Alcaraz Gomes,
da Rádio Guaíba, de 15 de dezembro de 1970 até
11 de dezembro de 1974. A eleição foi bastante
concorrida e a vitória foi com uma pequena margem de
votos. Essa foi a última vez que foram apresentados
dois candidatos para a presidência da Agert.
Antônio Abelin, da Rádio Imembuí de Santa
Maria, foi o quarto presidente no período de 12 de
dezembro de 1974 até 22 de outubro de 1978. Em meio
à gestão de Abelin, em 1976, o Ministro das
Comunicações do Brasil, Euclides Quandt de Oliveira,
esteve em Gramado com sua equipe e assinou o Plano Básico
de Radiodifusão Brasileira. No final da gestão
de Abelin, a Agert patrocinou o XI Congresso Brasileiro de
Radiodifusão, realizado em Caxias do Sul. Nessa ocasião
Abelin aproveitou para se despedir do Estado, já que
estava assumindo a superintendência da Abert.
O quinto presidente foi Fernando Ernesto Corrêa, então
Diretor Superintendente da RBS, de 23 de outubro de 1978 até
21 de outubro de 1982. Corrêa teve sua administração
pautada pelo profissionalismo e iniciouos Congressos no Hotel
Laje de Pedra, em Canela, onde a Agert realiza, em todos os
anos ímpares, o Congresso de Rádio e Televisão.
Na sua gestão, a Agert teve que ingressar em juízo
para reconduzir todas as emissoras filiadas aos jogos patrocinados
pela FGF - que naquele ano havia assinado um contrato de exclusividade
com uma das emissoras associadas. Vencendo em todas as etapas,
as emissoras puderam transmitir os jogos sem ônus algum.
David Figueiredo Martins, então Diretor da Rádio
Palmeira das Missões, foi o sexto presidente no período
de 22 de outubro de 1982 até 6 de novembro de 1986.
O principal ponto de sua administração foi o
grande prestígio conquistado pelas emissoras de rádio
do interior, com reuniões seguidas em todas as regiões.
Em 1983 e 1985 dirigiu o os Congressos Gaúchos.
Otávio Dumit Gadret, Diretor da Rede Pampa de Comunicação,
foi o sétimo presidente de 7 de novembro de 1986 até
24 de janeiro de 1989.Na sua gestão, foi realizado
o VIII Congresso Gaúcho de Radiodifusão, com
presença maciça dos empresários do setor.
Promoveu diversas reuniões no interior e uma internacional,
em Santana do Livramento, juntamente com empresários
argentinos, quando foram debatidos os horários de redução
de potência das emissoras, de acordo com tratados assinados
por todos os países interessados.
O oitavo e décimo presidente foi Lauro Mathias Müller,
Diretor do Independente, de 25 de janeiro de 1989 até
17 de outubro de 1991 e posteriormente de 1995/1997. Pautou
sua ação especialmente pelo intercâmbio
com a Abert, tendo sido seu vice-presidente. Incentivou ainda
a realização de encontros em diversas regiões
do estado.
Ricardo Ferro Gentilini foi o nono presidente de 17 de outubro
de 1991 até 13 de agosto de 1992. Gentilini renunciou
ao cargo, sendo substituído por Enio Berwanger, da
Rede Pampa de Comunicação, até 1993.
Berwanger voltou a ser eleito presidente para o biênio
98/99, mas faleceu em março de 1998 no exercício
do mandato.
Paulo Sérgio Pinto foi o décimo primeiro radiodifusor
a ocupar o cargo de presidente da Agert. Foi empossado em
abril de 1998, substituindo Berwanger e ficou no cargo até
1999, sendo reeleito para as duas gestões seguidas
de 20 de outubro de 1999 até 18 de outubro de 2001
e dessa data até 15 de outubro de 2003.
Nelson Dimas de Oliveira - 13/12/1962 a 21/11/1966
Depoimento de Antônio Abelin sobre Dimas: “Ao
regressar ao sul, em novembro de 1962, Nelson Dimas e vários
radiodifusores gaúchos adotaram providências
para a fundação da AGERT. Fundada a AGERT e
eleita sua primeira diretoria, Nelson Dimas instalou a sede,
provisoriamente, no prédio dos Diários Associados,
à rua Sete de Setembro. Sua gestão foi marcada
por ampliar as atividades da Associação, contatos
com as emissoras da capital e interior, gestões junto
às autoridades às quais encaminhava pleitos
da radiodifusão. Foi um trabalho de pioneirismo para
a consolidação da entidade, e segunda estadual
existente no país depois da AESP.” Após
muitas lutas os pioneiros liderados por Nelson Dimas conseguiram
mostrar que a verdadeira vocação da radiodifusão
era, desde a sua origem, uma atividade eminentemente privada
e que necessitava funcionar em sistema de liberdade. Estas
premissas foram consignadas no Estatuto Social da entidade,
em 21 de novembro de 1964, documento este onde esta reafirmada
a independência da radiodifusão, apoio ao sistema
democrático, à liberdade de informação
e pensamento. Este ideário, mantido até os dias
de hoje pela AGERT, foi elaborado por Flávio Alcaraz
Gomes, representando a Rádio Guaíba, Jaime Sirotsky,
da Rádio Gaúcha e Alvino Alves de Andrade, ex-secretário
executivo da AGERT.
Gildo Milman - 22/11/1966 a 14/12/1970
"A sede própria foi adquirida durante nossa gestão,
autorizada pelo então governador Cel. Peracchi Barcelos.
A aquisição foi realizada através de
financiamento junto à Caixa Econômica Estadual,
presidida na época pelo dr. Sinval Guazzelli. O plano
de pagamento foi elaborado por técnicos daquela instituição
financeira de maneira que permitisse o atendimento das parcelas
mensais, se sobressaltos. Celebrada a escritura definitiva
de compra e venda, com garantia hipotecária à
Caixa Econômica Estadual, foram realizadas reformas
e adaptações no imóvel que teve, meses
após, inauguração festiva, com a presença
do Governador, Prefeito, Deputados, Secretários e grande
número de radiodifusores e, especialmente, o dr. João
Calmon, primeiro presidente da ABERT. A nova sede se constituiu
numa imposição do crescimento da AGERT e da
necessidade de desocupar uma pequena sala, no interior da
sede dos Diários e Emissores Associadas, na rua Sete
de Setembro, onde hoje funciona o Banco Ioschpe. Efetivamente
na nova sede, além de materializar um sonho de uma
administração, consolidou o espírito
associativo e o carinho da radiodifusão pela sua AGERT.
Os primeiros Congressos Estaduais tinham como objetivo, além
do consagramento da classe, a atualização de
informações técnicas e legislativas.
Os encontros anuais da AGERT eram o grande fórum de
debates, conhecimento e aperfeiçoamento. Os Congressos,
principalmente, os primeiros: de Caxias do Sul e Santa Maria,
tiveram o mérito de marcar a presença das autoridades
federais, através dos Ministros de Comunicações
e suas assessorias, aproximando as emissoras dos responsáveis
pelas concessões e sua fiscalização.
Assim, o poder concedente perdeu a aparência de cobrador
e punidor para se transformar no assessor, no aconselhador
dos radiodifusores que, desta forma, aperfeiçoaram
suas empresas, sem atropelos.
O perfil do rádio, no período de nossa administração
se caracterizou, como dito anteriormente, pelo aperfeiçoamento
técnico e legal das emissoras. Em termos de mercado,
existiam à época três canais de TV: Canal
5 (Associado), Canal 12 (Gaúcha) e Canal 10 (Difusora),
esta última pioneira na transmissão a cores.
Foi nessa fase que o rádio sentiu necessidade de afirmar-se
como veículo musical e informativo, que valendo-se
da instantaneidade de sua atuação, prestava
serviços relevantes às suas comunidades. Lembro
que nessa fase, as emissoras de rádio foram se adequando
às normas legais reguladoras de suas atividades, através
da ação fiscalizadora do DENTEL. Nesse período,
além da AGERT, ficou consolidado o Sindicato das Emissoras
de Rádio e TV, correspondendo à necessidade
de disciplinar as relações das empresas com
seus funcionários. Foi celebrado o primeiro convênio,
em âmbito estadual, com o ECAD, posteriormente com alcance
nacional, através da ABERT. As relações
da AGERT com o Governo Federal foram estreitadas, através
de visitas, consultas e convênios com o Ministério
das Comunicações, o que tornou possível
uma convivência tranqüila e com excelentes resultados
para a radiodifusão.
A AGERT teve presença e atuação marcantes
em Congressos Nacionais da Radiodifusão. Cumpre salientar
a participação em Congresso de Recife e outro
em Poços de Caldas, em Minas Gerais, sendo este último
presidido por nós, numa vibrante homenagem a nossa
AGERT. Estes congressos eram organizados pela ABERT, nos moldes,
preconizados e adotados pela AGERT, o que, pela experiência
acumulada, resultavam sempre em sucesso. O “Jornal da
AGERT” orientador dos radiodifusores, alcançava
todas as emissoras do país e órgãos governamentais.
Implantando nesta fase de vida da AGERT, embora alterado em
forma, ainda hoje é o órgão de divulgação
importante da radiodifusão e representa, como todas
as demais aqui narradas e outras que o tempo superou, conquistas
de uma classe de empresários idealistas e laboriosos,
que acreditaram no rádio e na TV. E, sobretudo, acreditaram
e acreditam em sua AGERT".
Flávio Alcaraz Gomes - 15/12/1970 a 11/12/1974
“Em dezembro de 1962, voltei do Rio, depois de memorável
batalha, na qual conseguimos – nós, os diretores
de rádio das principais emissoras brasileiras –
derrubar os vetos apostos por João Goulart ao Código
Nacional de Comunicações. Se passassem, a radiodifusão
brasileira seria estatizada. Voltei altamente gratificado,
pois, vitoriosa nossa tese no Congresso, fundamos a ABERT.
Fui eleito vice-presidente, numa distinção ao
Rio Grande, que, por nosso intermédio havia feito a
mobilização nacional contra o governo. Chegado
aqui, convidei os diretores das principais rádios locais
para uma reunião. Foi realizada na sede da ARI, onde
fundamos a AGERT, elegendo seu primeiro presidente, Nelson
Dimas de Oliveira, diretor dos então poderosos Diários
Associados. Só tenho gratas lembranças da AGERT,
especialmente dos dois períodos em que fui seu presidente.
A primeira eleição foi dura: levantei-me como
oposição à diretoria de meu amigo, o
advogado Gildo Milman, que se dispunha a conquistar seu terceiro
mandato. Num pleito duro e renhido, disputado voto a voto,
venci.
Curioso é que, embora da Rádio Guaíba,
não contei com o apoio de seu dono, nem de seu diretor
estatutário. Quem me ajudou a vitoriar-me, foi, justamente,
um concorrente, mas nem por isso menos amigo: Maurício
Sirotsky Sobrinho. Maurício, aliás, dois anos
antes havia concorrido à presidência, tentando
derrotar Milman em sua caminhada rumo ao segundo mandato.Foi
derrotado, e para tal contribuíram os votos das Emissoras
Reunidas. Seu representante Hugo Vitor Ferlauto, embora houvesse
prometido votar em Maurício à última
hora o fez em Milman. Fernando Ernesto apelidou-o de “Calabar”.
Mas, pouco tempo depois, voltaram a ser amigos. A partir de
minha gestão, as coisas se pacificaram. Tanto que fui
reeleito por aclamação. E quando cumpria meu
segundo mandato, companheiros insistiram para que eu fosse
conduzido a um terceiro período. Recusei, indicando
Antônio Abelin como sucessor e, a partir de então,
inaugurando a hoje tradição de cada presidente
– se cumprir bem seu mandato, assumir um segundo e depois
passar o comando.
Durante minha gestão profissionalizei a AGERT, criando
seu jornal e, mais importante, contratando engenheiros especializados,
que encaminharam ao governo as pretensões do Rio Grande
na redistribuição dos canais de rádio
e TV em nosso Estado. Nos Congressos, demos à AGERT
projeção nacional. Foi um bom trabalho, foram
bons tempos. Éramos mais moços e mais ingênuos,
mas primeiro plantamos a semente e depois cultivamos o arbusto
que hoje é essa frondosa árvore da ABERT, a
mais importante associação dentre todas as congêneres
em nosso Brasil.”
Antônio Abelin - 12/12/1974 a 22/10/1978
“Minha eleição marcou o início
da alternância de presidentes, ou seja, caberia ao interior
e depois à capital e assim sucessivamente. A radiodifusão
brasileira já apresentava sinais de modernização,
especialmente porque foram definidas as normas do novo Plano
de Ondas Médias assinado durante meu mandato, em Congresso
realizado em Gramado. Com o crescimento da televisão,
as emissoras de rádio iniciaram um trabalho para melhorar
suas programações e adquirir modernos equipamentos
de transmissão. Poucas eram as relações
institucionais, no caso, com o governo do estado, mas houve
sempre um cordial entendimento e os eventos programados pela
AGERT eram sempre prestigiados com a presença dos governadores
da época e outras autoridades estaduais. Com a área
do Ministério das Comunicações, houve
sempre bom relacionamento, mantendo a AGERT constantes contatos
com os titulares daquela Pasta e assessores.
Devo ressaltar que ainda em minha gestão, a AGERT
foi organizadora e anfitriã do XI Congresso Brasileiro
de Radiodifusão realizado em 1978 em Caxias do Sul.
Adotamos o sistema de visitas ao interior do estado e marcamos
presença em várias regiões e realizamos
reuniões com várias emissoras locais, resultando,
inclusive, na superação de divergências
que ocorriam entre emissoras concorrentes. Ademais foram realizados
alguns encontros regionais. Quase ao final de meu mandato
fui convidado para assumir a superintendência da ABERT.
Coordenei ainda a realização do Congresso realizado
em Caxias e de imediato me afastei da presidência da
AGERT para ficar somente com o cargo de superintendente da
entidade nacional. Como participei da fundação
da ABERT em Brasília e, dias após, da fundação
da AGERT, em Porto Alegre, vivi a partir de então todos
os momentos e vi os fatos mais destacados em que esteve envolvida
a radiodifusão brasileira até os dias de hoje.
A experiência no acompanhamento dos acontecimentos deu-me
uma visão melhor para poder dirigir a AGERT e, posteriormente,
no exercício de executivo na ABERT.”
Fernando Ernesto Corrêa - 23/10/1978 a 21/10/1982
“Exerci a presidência da AGERT por dois mandatos,
entre 1978 e 1982. Criamos e incentivamos os cursos de treinamento
e de regularização profissional. Fizemos um
convênio com a Fundação Educacional Padre
Landell de Moura (FEPLAM), que desenvolveu diversos cursos
de aperfeiçoamento gerencial e, especialmente, realizou
cursos de regularização de operadores e locutores,
adaptando-os à lei que regulamentou a profissão
de radialista. Neste campo, a AGERT foi pioneira no país.
Patrocinamos uma contenda de repercussão nacional com
a Federação Gaúcha de Futebol, que decidiu
dar a exclusividade da transmissão dos jogos do campeonato
gaúcho para a Rádio Farroupilha. A AGERT entendeu
que essa exclusividade quebrava o princípio da isonomia
nas coberturas jornalísticas e representava uma ameaça
à plena liberdade de imprensa. Contratamos os advogados
Pinheiro Machado e Luiz Madeira e ganhamos em todas as instâncias
judiciais, evitando um grave precedente. Também fizemos
a integração com o interior, incluindo vários
companheiros de fora da capital na diretoria e realizando
vários seminários técnicos e administrativos
nas cidades pólo de nosso Estado, tradição
mantida pelos presidentes que nos substituíram. Estreitamos
as relações com a ABERT, definindo as competências
das duas entidades e incluindo, como praxe, um representante
da AGERT na diretoria da ABERT.”
David Figueiredo Martins - 22/10/1982 a 6/11/1986
Depoimento de Raul Corrêa sobre David: "David
Figueiredo Martins nasceu em Palmeira das Missões em
10 de abril de 1928. Fez seus estudos preliminares no Instituto
Educacional em Passo Fundo. Em 1949 associou-se à Alarico
Leite do Amaral – que viria a ser seu sogro –
e instalou a Rádio Palmeira AM. Em 1982, por razões
particulares, passou o comando da emissoras ao atual proprietário
Lourenço Ardenghi Filho. Ingressou na AGERT desde a
sua fundação, da qual participou, sendo por
mais de uma gestão vice-presidente e assumindo a Presidência
em 1982. Reeleito em 1984 concluiu seus 4 anos de mandato
em 1986. No seu período de gestão, incentivou
ao máximo o relacionamento com as emissoras de rádio
localizadas em toda a geografia do Estado. Participou sempre
das reuniões (encontros) regionais, organizou e dirigiu
os Congressos Gaúchos de Radiodifusão em 1983
e 1985 – comparecendo também a todos os Congressos
da ABERT até deixar a condição de radiodifusor
em 1986. David Figueiredo Martins foi homem de diálogo,
sempre pronto a enfrentar e resolver situações
difíceis".
Otávio Dumit Gadret - 7/11/1986 a 24/01/1989
"A situação da radiodifusão brasileira
no período de minha gestão foi bastante difícil,
pois ocorreu numa fase em que o Governo Federal passou a outorgar
concessões e permissões para novas emissoras
de onda média e freqüências moduladas, em
áreas já saturadas e já bem servidas
por este tipo de serviço. O surgimento de novas emissoras
em áreas sem suporte econômico fez com que o
trabalho principal da AGERT viesse a ser o de pressionar o
Ministério das Comunicações para outorgar
novas concessões e permissões com critérios
mais rigorosos e não com simples pedidos dos políticos
governistas. No que diz respeito ao aspecto técnico
temos a ressaltar em nosso período as experiências
feitas em nosso país com o AM Stéreo. Motivo
de controvérsia entre os radiodifusores estabeleceu-se
uma discussão em todos os encontros do setor, tanto
os de cunho nacional como os de cunho regional, sobre as possibilidades
de sucesso junto ao público no que diz respeito à
transmissão, por parte das emissoras AM, com som estereofônico,
como regularmente são as transmissões em FM.
No nosso entendimento venceu a corrente dos céticos,
pois apesar dos grandes investimentos feitos por algumas emissoras
em todo país, as transmissões em AM Stéreo
não tiveram grande aceitação por parte
do público ouvinte.
A grande verdade é que os fabricantes de receptores
e os lojistas não colaboram com desenvolvimento das
transmissões estereofônicas em amplitude modulada
porque não colocaram à disposição
do público os receptores para este tipo de recepção.
Os entusiastas do AM Stéreo poderiam novamente ter
esperanças de seu sucesso aqui no Brasil, com a política
de abertura de importações ocorrida recentemente
em nosso país. Ocorre que nos Estados Unidos e no Japão
o AM Stéreo conseguiu “emplacar” no gosto
do público. Sem dúvida o AM Stéreo é
uma indagação que persiste.
No que diz respeito à área de programação,
pudemos constatar durante a nossa gestão uma tendência
mais acelerada de emissoras de onda média ampliaram
sua atuação na área de transmissão
de notícias e prestação de serviços.
Diminuiu significativamente a presença das músicas
nas transmissões das emissoras de onda média.
Aumentou de maneira notável o número de horas
de transmissão de programas jornalísticos e
de utilidade pública. A participação
dos ouvintes através de ligações telefônicas
nas emissoras de Rádio AM que, tradicionalmente ocorreria
só para a solicitação de irradiação
de músicas, teve modificado seus objetivos.
Com a democratização do país as emissoras
começaram a ousar e fazer enquetes junto ao público,
no, ar sobre assuntos relevantes da vida nacional. Por outro
lado, as emissoras FM, até então eminentemente
musicais e sóbrias, começaram a descontrair
cada vez mais nas programações, colocando no
ar mais brincadeiras, mais humor, mais descontração.
Iniciou-se nesta fase também a segmentação
das emissoras FM. Com o surgimento de novas emissoras em cidades
que até já tinham estações em
FM, as que foram surgindo foram procurando outros caminhos
para orientar sua programação, para não
disputar o mesmo público-alvo das emissoras até
então existentes. No que diz respeito à área
de comercialização as emissoras procuraram oferecer
aos anunciantes outras alternativas de planos de mídia,
fugindo um pouco das tradicionais ofertas de comerciais de
30 segundos, dez vezes ao dia.
As emissoras começaram a apresentar alternativas de
planos de comunicação de promoções
com maior envolvimento destas com seus comunicadores. Na parte
institucional, ressaltamos o que falamos anteriormente: lutamos
ao lado da ABERT junto ao Governo Federal para a não
proliferação de emissoras em áreas saturadas.
Lutamos também junto à ABERT contra o ECAD e
sua voracidade insaciável de tomar dinheiro das emissoras,
parecendo esquecer que, se as emissoras não colocassem
músicas em sua programação elas não
seriam sucesso, discos e fitas não seriam vendidos
e autores e intérpretes sairiam prejudicados.
Durante a nossa gestão, além da realização
do tradicional Congresso Gaúcho de Radiodifusão
no Hotel Laje de Pedra em Canela, foram realizados diversos
Seminários e Encontros Regionais, destacando-se o Primeiro
Encontro Internacional de Radiodifusores em Livramento/RS,
reunindo emissoras do Brasil, Argentina e Uruguai. Foi em
nossa gestão criado o Boletim AGERT Informa, até
hoje de grande valia para os dirigentes de emissoras de Rádio
e TV. O fato ou evento pitoresco que poderíamos citar,
não foi propriamente pitoresco, porém inusitado.
Como radiodifusores, a vida inteira ouvimos o “choro”
dos anunciantes queixando-se de que, por mais que anunciassem,
sempre faltavam clientes. Sempre ouvimos a ameaça de
cancelamento dos contratos de veiculação de
publicidade sob este argumento. Pois bem. Durante nossa gestão
houve o famoso Plano Cruzado, quando ocorreu o primeiro congelamento
de preços da nossa economia. Aí passamos a ouvir
a ameaça de cancelamento dos contratos de publicidade
por parte dos nossos anunciantes por outro motivo: não
havia mercadorias para vender. Não adiantava anunciar,
embora existissem clientes de sobra...".
Lauro Mathias Müller - 25/01/1989 a 17/10/1991
" Integração. Foram três anos de
perfeita integração das entidades voltadas ao
Rádio e TV: AGERT, SINDIRÁDIOS e CENTRAL DE
RÁDIOS, sempre juntas em todas as iniciativas.
2. Congressos e Seminários Dois Congressos Gaúchos
aconteceram no Hotel Laje de Pedra em Canela (1989 e 1991)
e 15 Encontros Regionais no Interior, atingindo praticamente
todo o Estado, inclusive com Encontros na Capital com temas
específicos.
3. TX 30-RS Nesta gestão foi criado o TX –RS,
o indexador que registra, mensalmente, o custo médio
de um texto comercial de 30’’as emissoras do interior,
facilitando a confecção das tabelas de preço
e as negociações.
4. ICMs Com esforço concentrado e conjunto de uma
série de entidades da área da comunicação
e propaganda, foi possível estabelecer a “Não
Incidência do ICMs” nas emissoras de rádio
e televisão, na Constituição Estadual.
5. Programa Aparte Legislativo Após muitas negociações
foi firmado contrato da Assembléia Legislativa do Estado
com as emissoras de rádio AM, através da AGERT,
para a transmissão diária do programa Aparte
Legislativo, proporcionando uma receita adicional satisfatória.
6. Nesta gestão foram estabelecidos entendimentos
com o Governo do Estado (Pedro Simon) para um convênio
publicitário de todas as emissoras do Estado com a
CEEE. Infelizmente, sem a conclusão prevista. A mesma
proposta foi encaminhada, também, ao Governo Alceu
Collares que, pessoalmente, considerou viável.
7. Campanha de Valorização do Rádio
Foi realizada uma intensa Campanha de Valorização
do Rádio com peças promocionais impressas e
Spots padrões para veiculação em todas
as emissoras de rádio filiadas.
8. Finanças Foi preocupação inicial
do Presidente e Diretoria, conseguir equilibrar a receita
e despesa, que foi possível após a criação
do TX 30 indexado ao valor da mensalidade social, permitindo
um superávit aplicado em investimentos na sede social.
9. ABERT Através do Presidente, a AGERT teve uma participação
efetiva em praticamente todas as reuniões de Diretoria
da nossa entidade maior, inclusive com presenças nas
Assembléias e Congressos".
Ricardo Ferro Gentilini - 17/10/1991 a 13/08/1992
Ricardo Ferro Gentilini durante a sua gestão realizou
o Seminário Técnico, com engenheiros, radiodifusores
e empresários com vistas ao aperfeiçoamento
profissional. Também foram efetuados em sua gestão
os Encontros Regionais em Santo Ângelo, São Lourenço
e Bento Gonçalves. No dia 13 de agosto de 1992, Ricardo
Gentilini passou o cargo de presidente para o vice-presidente
Enio Berwanger. O afastamento de Gentilini teve como motivo
principal a sua nova atividade dentro do Sistema da Rede Brasil
Sul de Comunicações, onde ele, passou do Sistema
de Rádio para a Direção e Comercialização
e Marketing do Jornal Zero Hora.
Enio Berwanger 13/08/1992 à 19/10/1995 e 16/10/1997
à 24/03/1998
Profissional que muito valorizou a radiodifusão gaúcha
e um dos mais expressivos e notáveis empresários
da comunicação rio-grandense. Foi dirigente
da AGERT a partir de 1989, vice-presidente em duas oportunidades
e presidente por duas gestões, sempre eleito por aclamação.
Berwanger faleceu em 12 de março de 1998.
Paulo Sérgio Pinto 24/03/1998 à 20/10/1999
20/10/1999 à 18/10/2001 e 18/10/2001 à 15/10/2003
Trecho da declaração de Paulo Sérgio
Pinto no relatório de atividades 2003: "Protagonista
de associativismo bem nascido, a Agert foi fortalecida pelos
anos de lutas e conquistas, por construtores do mais importante
rádio brasileiro, de empresas e entidades que têm,
mercê de sua qualificação, o reconhecimento
em todos os quadrantes do País.
Edificamos, no Rio Grande do Sul, permitam-nos a falta de
modéstia, o rádio mais competente do Brasil.
Procuramos ser associativos, onde os interesses coletivos
sobrepujam os particulares. Onde os dirigentes da Agert trafegam
milhares de quilômetros mensalmente e às suas
expensas, em benefício de nossa coletividade e de sua
associação. Aqui, nossos empresários
esgotaram as inscrições, da mesma forma nas
dezenas de encontros regionais realizados.
Do rincão gaúcho, distante do eixo Rio-São
Paulo, geramos uma verdadeira escola do rádio, exportando
profissionais e gestores que, hoje, prestam serviços
às principais emissoras e redes do País.
Peregrinamos em nossos encontros, pelas mais diferentes
regiões do Rio Grande. Encontramos emissoras de rádio
da mais alta qualidade tecnológica e profissional,
que, guardadas as proporções, ombreiam-se ao
que temos de melhor nas principais redes do Estado e do País
- e por que não, no que temos de melhor no mundo, ao
menos no que foi possível conhecer.
Estamos prontos para o futuro, sabendo que o presente um
dia foi futuro e, daqui a pouco, será passado. Assim
empreendemos, assim enfrentamos desafios, assim vencemos e,
se não vencemos permanentemente, fica a certeza de
que "a dificuldade aos fracos abate e aos fortes encoraja".
Que venha a digitalização."
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