Conselho pede a João Paulo votação da Lei de Imprensa

O Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso, deverá entregar amanhã ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha, moção solicitando à Casa que vote logo o projeto de lei que cria uma nova Lei de Imprensa para o País. O documento será entregue pelo presidente do Conselho, José Paulo Cavalcante Filho.

O projeto da nova Lei de Imprensa, elaborado pelo Senado, é de 1992. A matéria está pronta para ser votada pelo Plenário desde 1997, ano em que a Comissão de Constituição e Justiça aprovou, por unanimidade, o substitutivo do deputado Vilmar Rocha (PFL-GO).

Segundo o deputado, o principal ponto de divergência para a votação da nova Lei de Imprensa é o que trata do pagamento de indenizações por danos morais. "As grandes empresas de comunicação queriam que eu colocasse no meu substitutivo um teto, um limite para as indenizações por dano moral e eu não aceitei essa sugestão. Eles tiveram uma reação muito grande, por não ter sido colocado esse ponto no substitutivo", comenta o parlamentar.

A Lei de Imprensa em vigor no Brasil é de 1967, elaborada durante o período da ditadura militar. Com a abertura política e a redemocratização do País, a lei caducou em vários de seus itens, principalmente a partir da promulgação da Constituição Federal de 88, que passou a garantir o direito à liberdade de informação e de imprensa.

Interesse público da informação
O presidente do Conselho Nacional de Comunicação, José Paulo Cavalcanti Filho, lamenta a demora para a votação da matéria. "Esse projeto é uma boa lei, estabelece princípios e deveres do jornalista e, sobretudo, estabelece que, nos conflitos entre liberdade de informação e os direitos da personalidade, vale o interesse público da informação", explica. "Então, não há razão para esse projeto não ser votado. Nada é mais urgente hoje no Brasil, quando se fala em democratização da informação, do que aprovar uma Lei de Imprensa atual", conclui Cavalcanti Filho.

Além de defender a aprovação urgente da nova Lei de Imprensa, o Conselho de Comunicação também atua em outras frentes para garantir o acesso democrático aos meios de comunicação. Dentre os temas discutidos, estão a regionalização da programação e a simplificação das concessões de rádio e TV, o acesso da população pobre à TV a cabo, a qualidade da programação, a radiodifusão comunitária e a TV Digital.

Informação: Sulrádio/ Agência Câmara

Emissora comunitária denunciada pela ABERT veicula propaganda comercial, atesta Anatel

Em atenção a denúncia formulada pela ABERT no início de setembro último, o Escritório Regional da ANATEL na Bahia procedeu a fiscalização na Rádio Cairú FM, mantida pela Fundação Centro de Apoio Social de Cairú, entidade autorizada a executar o Serviço de Radiodifusão Comunitária no Município de Cairú, Estado da Bahia, objetivando averiguar irregularidades relatadas pela Assessoria Jurídica da ABERT.

E conforme denunciado pelo Assessor Jurídico Rodolfo Machado Moura, foi constatado pela ANATEL que a rádio comunitária em questão "encontra-se veiculando propaganda comercial e possui sistema irradiante auxiliar com dois (02) elementos, de fabricação Gober e com polarização circular. Esses apresentam ganham de propagação e não podem ser utilizados por emissoras de Radiodifusão Comunitária".

Ademais, informou o Gerente Regional da ANATEL na Bahia, Fernando Antonio Ornelas de Almeida, que a emissora foi notificada e foi lavrado auto de infração para aplicação das penalidades cabíveis.

Informação: Sulrádio/ ABERT

Igreja pede dinheiro para montar canal

A igreja evangélica Comunidade Cristã Paz e Vida fez campanha na internet e em seus templos para arrecadar dinheiro para montar um canal de televisão.

Os recursos serviriam para bancar os gastos com produção de programas e arrendamento do canal 58. O canal, cuja concessão é originalmente de Guarulhos, saiu do ar há cerca de um mês. Durante mais de um ano, transmitiu programação da Paz e Vida diretamente da avenida Paulista, com autorização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), junto com outros quatro canais.

O canal 58, outorgado à Fundação Ernesto Benedito Camargo, da família que controla a rádio 89 FM, aguarda nova autorização da Anatel para retornar ao ar.

Com a TV da Paz e Vida, passarão a ser seis os canais ocupados por igrejas na Grande São Paulo.

No site da igreja (www.pazevida.com), há um link para o "Projeto TV", que abre uma nova página, a do canal 58. Nela, um novo link, também chamado "Projeto TV", abria em uma ficha em que as pessoas se ofereciam para doar R$ 20 ou R$ 50. Esse link estava fora do ar ontem.

Murilo Serpa, coordenador da Rádio Nacional Gospel (920 kHz), controlada pela Paz e Vida, diz que a campanha não é para montar uma emissora de TV, mas para bancar canal de TV na internet, que usa o mesmo conteúdo do canal 58. Não é ilegal pedir dinheiro para montar canais.

Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo

Para ativista internacional, comunicação comunitária corresponde a evolução da democracia

Os veículos de comunicação comunitária representam uma evolução em relação à mídia comercial que é análoga ao que os recentes mecanismos de democracia participativa ou direta significam diante dos mecanismos clássicos de representação. A avaliação é da vice-presidente para América Latina e Caribe da Associação Mundial da Rádios Comunitárias, Maria Pia Matta. "Os meios comunitários independentes, pluralistas, podem fazer a diferença notória entre esse estado da democracia somente representativa, que está em crise, e a democracia participativa, direta, das pessoas", defende Pia, que atualmente mora no Chile.

Pia diz que a situação no Brasil é especialmente crítica e não vê perspectiva de reversão do quadro: "O Brasil tem uma sociedade comunicacional muito mercantilizada e a tendência é mercantilizar mais, porque os empresários têm sempre que estar pensando como eles poupam recursos para produzir mais. É uma questão sem limite", condena, ao destacar que "a sociedade civil não dispõe de meios para competir em condições de igualdade com as emissoras comerciais, não tem como juntar três, cinco milhões de dólares para comprar uma rádio comercial FM em São Paulo".

Segundo Pia, as televisões e rádios comunitárias surgem no cenário internacional como alternativa ao modelo comercial de comunicação. "Temos que fazer alguma coisa para que esse conhecimento não esteja apenas em mãos privadas e para que as possibilidades de liberdade de expressão e de opinião, a liberdade dos mais pobres, das mulheres, dos diferentes, sejam cada vez menos minoritárias".

A ativista lamenta que o crescimento do número de rádios comunitárias não seja acompanhado por uma mudança da concepção que os governos têm em relação a essas emissoras. "Hoje, na América Latina, o conceito de comunitário é a coisa pequena, malfeita, pouco escutada, com pouquíssima potência. Então, os governos visam-nas mal, porque acham que a atividade da rádio comunitária é uma coisa que deve ser colocada num lugar diferente do local que tem a radiodifusão comunitária, por exemplo. Os empresários latino-americanos da radiodifusão comercial sempre estão achando que as rádios comunitárias vão tirar o que pertence a eles. Só que isso que eles acham que pertence a eles pertence à humanidade, a homens, a mulheres, a crianças que têm o direito a escutar coisas diferentes no rádio".

Informação: Sulrádio/ Agência Brasil

Conselho homenageia rádios e critica fusão de TVs

Uma homenagem às rádios públicas no Brasil por ocasião dos 50 anos da morte de Edgar Roquete Pinto, considerado um dos patronos da radiodifusão no Brasil, foi prestada nesta segunda-feira pelo Conselho de Comunicação Social. A filha de Roquete Pinto, a professora Carmem Lúcia, participou da homenagem. Em 1923, Edgar Roquete Pinto, considerado o "pai do rádio brasileiro", inaugurou a primeira estação de rádio no Brasil: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que tinha também finalidade educativa e cultural.

De acordo com a filha de Roquete Pinto, o rádio continua tendo uma importância fundamental. "O rádio é importantíssimo, sem desmerecer outros meios de comunicação que cada vez aparecem mais. Ele continua tendo a mesma importância, não só porque 12 milhões de brasileiros não têm energia elétrica, mas porque ele se propõe a uma divulgação enorme da parte cultural e educacional."

Fusão de TVs
O Conselho de Comunicação Social também discutiu o recente anúncio da fusão de duas operadoras de TV por assinatura no Brasil: Sky e Direct TV. Segundo o presidente do Conselho de Comunicação Social, José Paulo Cavalcanti Filho, esse é um assunto que preocupa e que está sendo estudado pelos conselheiros. "Informação é interesse estratégico, é soberania. Toda a legislação brasileira assinala o controle de conteúdo. Essa fusão é um precedente perigoso, porque faz com que quase 100% do público que utiliza TV por satélite fique sintonizado em um canal controlado por estrangeiros".

Cavalcanti disse ainda que o Conselho de Comunicação Social vai apresentar, na reunião do próximo dia 8 de novembro, uma posição formal sobre a fusão das TVs por assinaturas.

Informação: Sulrádio/ Agência Câmara

UnB apresenta pesquisa sobre Poder Normativo e Direito Comparado das Telecomunicações

A Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) apresentou ao conselheiro José Leite Pereira Filho e a servidores da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel, na manhã desta terça-feira, 19, o resultado do primeiro ano de pesquisa sobre o "Poder Normativo da Anatel e o Direito Comparado das Telecomunicações". A pesquisa é resultado de um convênio assinado entre Anatel e UnB em julho de 2003, com o objetivo de lançar o projeto da Inteligência Regulatória no Brasil, unindo a excelência científica acadêmica à prática da regulação.

A apresentação ficou a cargo do coordenador do estudo, professor Márcio Iorio Aranha, que abordou os dois temas do trabalho: o poder normativo da Anatel, tratado por meio de uma análise jurídica do poder normativo das agências reguladoras no Brasil, e o direito comparado das telecomunicações, com referências ao ambiente regulatório dos Estados Unidos e Europa.

Entre outras análises, a pesquisa observa o modelo econômico, fusões e aquisições nos Estados Unidos, além de casos judicais, bem como o regime de interconexão do País e a longa adaptação do modelo norte-americano aos poderes das agências reguladoras. O novo marco regulatório na União Européia (UE), o enfrentamento da convergência tecnológica pelas autoridades reguladoras européias e as dificuldades de uma possível aplicação do modelo de autorizações gerais da UE no Brasil também são tratados no estudo.

REFERÊNCIA NORMATIVA
Um dos grandes benefícios alcançados pelo prosseguimento das pesquisas, segundo Iorio, seria a criação, a partir das análises e experiências coletadas, de uma base de referência legal e jurisprudencial sobre o direito das telecomunicações para o regulador. "Não temos uma referência normativa", disse. Segundo ele, uma coletânea de leis e julgados em telecomunicações será de grande importância para o meio jurídico.

Leite ressaltou a importância do estudo ao lembrar que as regras do setor devem ser estáveis, "mas não é porque são estáveis que devem ser estáticas diante às mudanças da tecnologia". A isenção do meio acadêmico também foi destacada por ele.

"Buscamos incentivar, em nível universitário, o desenvolvimento de políticas, o desenvolvimento de regulamentos e, principalmente, o estudo no nível acadêmico dissociado dos interesses econômicos das empresas."

O conselheiro lembrou que a pesquisa da UnB pode sustentar a unificação de todos os serviços de telecomunicações, como acontece em outros países, em função da convergência tecnológica. "Passou a ficar sem sentido regulamentar um serviço só de voz, ou só de dados", completou, lembrando a implementação do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) como indicativo dessas mudanças.

Essa é a primeira de uma série de outras pesquisas a serem desenvolvidas pela UnB dentro do projeto. Para isso, a universidade criou o Grupo Interdisciplinar de Políticas, Direito, Economia e Tecnologia das Comunicações (GCOM), reunindo acadêmicos das faculdades de Direito, Economia, Tecnologia e Comunicações. O projeto prevê pesquisas em outras áreas da regulação. Os temas das novas pesquisas ainda serão definidos pela Anatel.

Informação: Sulrádio/ ANATEL

TV de alta definição começa a se consolidar

Nas entranhas do Sony Plaza, a principal loja do grupo japonês em Nova York, uma tela imensa serve como discreta demonstração para o mais recente modelo de TV de alta definição. Por trás das cortinas de pingentes de cristal e dos sofás modernos, um pequeno cartaz revela o custo da experiência visual cristalina: US$ 19.999 [cerca de R$ 57 mil]. O preço disfarça uma silenciosa revolução nos hábitos americanos de TV. Depois de anos de desenvolvimento, a TV de alta definição ganha espaço no maior mercado mundial de entretenimento.

A despeito dos preços elevados dos aparelhos da Sony, a demanda por TVs de alta definição (AD) deve subir rapidamente nos próximos anos. Os analistas estimam que quase um terço dos domicílios americanos terão um televisor AD até o final da década, o que estimularia crescimento similar, se bem que mais lento, em outras regiões do mundo. Os preços das TVs AD mais baratos são, em certos casos, pouco mais de US$ 1 mil mais altos que os comuns.

"Nós ultrapassamos o ponto de adoção", diz Aditya Kilgore, analista sênior de mídia e entretenimento do Yankee Group, empresa de pesquisa de mercado sediada em Boston. "Os televisores AD ficaram estagnados por um bom período porque ninguém queria aceitar acordo quanto a um padrão setorial. Agora estamos avançando porque todo mundo - os fabricantes de televisores, as redes de TV, as autoridades regulatórias e os produtores de programas- está trabalhando com o mesmo objetivo".

A TV de alta definição vem sendo promovida pelos fabricantes de bens eletrônicos de consumo, em meio ao crescente entusiasmo dos consumidores por televisores de tela larga, que se prestam muito bem à exibição de imagens e som muito superiores propiciados pelas transmissões AD.

Segmento premium
Em um setor de varejo no qual a forte competição predomina e há risco de queda de preços, as TVs AD oferecem aos fabricantes a promessa de um segmento premium. De forma semelhante, os distribuidores de TV paga, via satélite e cabo, vêem a programação AD como forma de garantir os consumidores dispostos a pagar caro, aqueles que se interessam por adotar novas tecnologias o mais cedo possível e já adquiriram aparelhos como gravadores pessoais de vídeo, que lhes permitem compilar uma programação personalizada de TV para assistirem quando quiserem.

Para seus defensores, a TV de alta definição e a qualidade superior de imagem que oferece representam um salto nos padrões de programação, usando sistemas de produção de alto custo e câmeras sofisticadas para oferecer novos ângulos, close-ups e imagens indisponíveis para os televisores comuns. Os proponentes da tecnologia argumentam que ela é capaz de promover as vendas de TVs e de serviços por assinatura que ofereçam uma experiência visual radicalmente diferente, acoplada a pacotes de serviços como filmes a pedido e funções interativas para grandes eventos esportivos.

O custo de produção desse tipo de programa, porém, é elevado, e as transmissões foram prejudicadas pela capacidade de cabos requerida para conduzir os dados. Questões como essas estão sendo resolvidas, agora, pelos avanços nos sistemas de câmera e ampliação da capacidade de satélite. Isso encorajou novas redes de TV a adotar os serviços.

Surto de crescimento
Ainda que a TV de alta definição tenha sido desenvolvida inicialmente no Japão há mais de uma década, a resposta inicial da maior parte das redes de televisão e potenciais clientes foi morna. Falta de programas, baixa confiabilidade e custos elevados eram poderosos obstáculos à aceitação.

Hoje, a televisão AD vem passando por seu primeiro surto real de crescimento. A tendência foi alimentada por uma combinação entre o desenvolvimento de TVs de tela larga realmente eficientee e a busca ansiosa dos operadores de TV a cabo e via satélite por novos clientes. Isso, por sua vez, encorajou o consenso quanto aos padrões de transmissão e persuadiu mais criadores de programas a filmar em padrão AD.
Os governos, começando nos EUA e passando por Reino Unido, França e Japão, estão apoiando iniciativas de TV de alta definição. Para eles, isso representa uma promessa de avanço na aceitação da TV digital pelos consumidores, o que permitiria aos países desativar os canais de transmissão analógicos e revender as freqüências ocupadas por eles.

Nos EUA, a expectativa é de que mais de 30 milhões de domicílios adquiram aparelhos de televisão AD nos próximos três anos, e analistas da Data Monitor, empresa de pesquisa sediada em Londres, dizem que o número de televisores AD em uso na Europa deve aumentar de 50 mil no final de 2003 a 4,6 milhões em 2008.

"Alemanha, Reino Unido e França devem liderar na adoção da televisão AD, com a Itália ocupando um distante quarto posto", de acordo com a Datamonitor. "Recentemente, a Sky, no Reino Unido, e M6, TPS e TF1, na França, anunciaram planos para oferecer programação AD aos telespectadores -a TPS a partir de 2005, a Sky, em 2006".
James Murdoch, presidente-executivo da British Sky Broadcasting, que controla a Sky e é afiliada à News Corp., diz que a iniciativa reflete a mudança no gosto dos consumidores e a batalha por assinantes dispostos a pagar mais caro. "Nós o faremos com um pacote de canais e eventos para acelerar a decolagem da televisão AD", disse. "A comunidade de criação convergirá em torno do sistema, porque é excitante."

A Sky está seguindo os passos de redes americanas como a Discovery, que vem produzindo programas AD há dois anos. A HBO, o canal premium de TV a cabo da Time Warner, e a rede de esportes ESPN, controlada pela Disney, também estão levando adiante a iniciativa, na produção de dramas e programas esportivos, respectivamente. TVs por assinatura como a Cablevision e a DirecTV, coligada da Sky nos EUA, promovem a tecnologia pesadamente.

Experiência cinematográfica
O apelo da televisão de alta definição está seu poder de fogo eletrônico. Os televisores usam tubos de raios catódicos para criar imagens na tela, disparando elétrons de um "canhão" localizado na parte traseira do aparelho para uma tela dotada de carga elétrica. Os padrões existentes de TV nos Estados Unidos oferecem resolução de imagem (com base no número de elétrons atingindo a tela) de 525 linhas. Na Europa, o padrão é mais alto 625 linhas.

Na TV de alta definição, as telas oferecem ou 720 ou 1.080 linhas de definição transmitidas em velocidade de até 60 quadros por segundo, criando uma imagem que, segundo os fabricantes de televisores de alta definição, é pelo menos cinco vezes mais clara do que os velhos sinais analógicos. "É uma qualidade completamente diferente", diz Murdoch. "Uma experiência cinematográfica, é o que as pessoas desejam em suas casas. Basta observar as vendas de DVDs para perceber o potencial da idéia".

Mas embora as vendas de televisores AD e a produção de programas venham ganhando ímpeto, o avanço para o DVD de alta definição rasteja. O lançamento do sistema foi retardado por um duelo setorial opondo a tecnologia Blu-Ray, da Sony, ao padrão rival defendido pela Toshiba e pela NEC.

Alguns dos mais importantes executivos de mídia do mundo estão monitorando o resultado de perto. Esperam que um padrão único reanime o ímpeto dos DVDs, que já geram mais receita para Hollywood do que as salas de exibição.

Da mesma forma que os consumidores substituíram os envelhecidos videocassetes por DVDs, presidentes de empresas do setor esperam que os DVDs de alta definição sirvam para estimular uma nova demanda.

Dick Parsons, presidente-executivo e do conselho da Time Warner, diz: "Acredito que a TV de alta definição oferecerá o novo estímulo de crescimento se, e quando, a demanda atual por DVDs se estabilizar. O número de aparelhos de alta definição vendidos é o maior já registrado, e a tecnologia poderia nos oferecer métodos de conter a pirataria, porque a codificação será renovável". Parsons vem instando seus colegas da Sony, Toshiba e NEC a evitar uma guerra de formatos, acrescentando que "se houver acordo, dentro de 24 meses veremos a demanda virar do DVD para o DVD de alta definição".

A falta de um acordo pode reduzir o apetite dos consumidores por televisores AD, limitando a tecnologia a alguns poucos domicílios mais ricos.

Luxo inacessível
Uma análise recente do Leichtman Research Group, dos Estados Unidos, sugere que a alta definição continua a ser um luxo acessível a poucos. Nos EUA, a empresa constatou que apenas 2% dos domicílios com renda anual inferior a US$ 75 mil dispõem de televisores AD, ante 12% dos domicílios com renda mais elevada. Mesmo que a demanda atinja a previsão de 40 milhões de aparelhos no mercado americano até o fim da década, o total seguirá a ser baixo diante do universo de 275 milhões de TVs no país.

Essa penetração pode ser restringida pela capacidade que a TV de alta definição requer. A quantidade de dados necessária a transmitir imagens AD ocupa espaço vital nas redes de cabos e satélites.

Isso é uma boa notícia para as empresas que vendem essa capacidade. Mas existe um potencial gargalo, que poderia retardar a chegada maciça dos televisores AD ao mercado.

Romain Bausch, presidente-executivo da SES Global, maior operadora mundial de satélites, considera a questão como uma oportunidade. "Com a compressão digital, nossos clientes estão acomodando entre seis e dez canais de TV em um transceptor. Isso significa uma demanda potencialmente enorme pela capacidade de transmissão de televisão AD."

A SES está se preparando para lançar três satélites para a EchoStar, operadora norte-americana de TV por satélite, e Bausch prevê demanda adicional na Europa e na China. "Nossos parceiros na Ásia nos dizem que por volta de 2005 a China gostaria de ter boa penetração de TV de alta definição, o que exigirá capacidade adicional... A Olimpíada de 2008 na China será a primeira a ser transmitida mundialmente via TV de alta definição."

Para justificar o investimento nesse tipo de tecnologia e capacidade, as redes mundiais de TV precisam ver retornos em termos de audiência.

Mudança inevitável
Mesmo as redes públicas de TV acreditam que a mudança seja inevitável. A BBC, maior rede pública de televisão do mundo, planeja produzir todos os seus programas em sistemas de alta definição dentro de seis anos. John Varney, vice-presidente de tecnologia da BBC, disse que a empresa adotará a televisão AD para atender à demanda dos consumidores e enfrentar o desafio competitivo oferecido pelos rivais no segmento de TV comercial.
Todas as quatro redes abertas de TV norte-americanas -NBC, CBS, ABC e Fox- seguirão esse exemplo. Estão oferecendo programas em formato AD, mesmo que não haja garantias de que a tecnologia decolará. O motivo é que os provedores de cabo e satélite o exigem, e a tecnologia é tão superior à transmissão analógica que pode melhorar a audiência. Executivos de canais como HBO, ESPN, Discovery e TNT já estão transferindo a maior parte de suas novas produções para o formato AD.

George Bodenheimer, presidente da ESPN, alega que sua rede "é um catalisador importante tanto para vendas de televisores AD quanto para assinaturas de pacotes que incluem transmissões AD".

"Guerra nas Estrelas"
Os produtores de cinema vêm usando a tecnologia AD para criar peças promocionais para a série "Guerra nas Estrelas" e para o controvertido documentário "Fahrenheit 11 de Setembro", de Michael Moore. A Sony, que fabrica câmeras AD, alega que mais de 300 filmes foram produzidos usando sua tecnologia de câmera, além de 42 programas de TV nos Estados Unidos.

Somadas, alegam executivos do setor e analistas de investimento, essas tendências apontam para a ascensão da TV de alta definição, há muito aguardada: da produção de programas à disponibilidade de aparelhos, capacidade de satélite e, possivelmente, um padrão unificado para os DVDs de alta definição.

Na BSkyB, onde os acionistas se assustaram diante de alguns dos planos de investimento necessários para a adoção da TV de alta definição e outros serviços, Murdoch não se arrepende da decisão de adotar a tecnologia: "A aceitação pra valer da televisão de alta definição vai começar agora".

Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo

Governo Lula reduz ambição de criar tecnologia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer estrear a TV digital no Brasil na Copa do Mundo de 2006. Seria mais uma jogada -em dose dupla- do nacionalismo que cerca seu governo: torcer pelo hexacampeonato num sistema tecnológico brasileiro.

Em discussão no país há cerca de dez anos, a TV digital virou assunto de governo em meados de 1998. À época, o dilema era escolher entre os três padrões de TV digital disponíveis: japonês, norte-americano e europeu.

As emissoras de TV brasileiras fizeram lobby pelo Japão. Europa e Estados Unidos não se cansaram de mandar representantes de suas tecnologias para Brasília. E Fernando Henrique Cardoso resolveu deixar a decisão para Lula.

O petista deu um susto nos lobistas com o anúncio da criação de um sistema nacional de TV digital. O país, disse o governo no ano passado, enfrentaria os gigantes da tecnologia.

Foram criadas três instâncias de comissão: comitê de desenvolvimento, com nove ministérios, grupo gestor, do qual faz parte a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), e comitê consultivo, com 26 entidades da sociedade civil. O processo está mais lento do que previa o governo.

Além disso, o Planalto já concluiu que seria inviável -caro e desnecessário- criar um sistema brasileiro completamente novo, sem tecnologia estrangeira. A idéia é mesclar os padrões internacionais, inclusive o mais novo deles, criado pela China. Algumas partes da digitalização seriam nacionais, e Lula poderia estampar o selo "TV digital brasileira".

Mas a torcida pelo hexacampeonato na nova televisão deverá, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha, ficar só no Planalto. O ano de 2006 seria apenas o lançamento experimental, e a comercialização de fato pode só acontecer a partir de 2010

Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo

Senado faz homenagem às rádios públicas do país

O Conselho de Comunicação Social do Senado promove homenagem às rádios públicas no Brasil, às 14h, durante reunião na sala 6 da Ala Senador Nilo Coelho da Casa. O evento é para lembrar os 50 anos de morte de Edgar Roquete Pinto, um dos patronos da radiodifusão e radiofonia no Brasil.

Informação: Sulrádio/ Agência Brasil

Audiência da TV cai em dia antibaixaria

O total de televisores ligados na Grande São Paulo foi 14% menor ontem, entre 15h e 16h, do que no domingo anterior. Esse foi o horário sugerido pela campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania para que os televisores fossem desligados em protesto contra a qualidade da programação.

Entre 15h e 16h de ontem, segundo dados preliminares do Ibope, 46,9% dos televisores da Grande SP estavam ligados. No dia 10, esse índice foi de 54,5% e no dia 3, de 57,5%. A Globo perdeu quase oito pontos.

Não houve queda brusca de audiência das TVs às 15h, início do protesto. As redes mantiveram o patamar de audiência registrado entre 14h e 15h.

Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo