Em meio à celebração da liberdade de imprensa e democracia que dominou a abertura do 6º Congresso Brasileiro de Jornais (CBJ), ontem, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um reconhecimento da importância dos jornais em sua trajetória pessoal e política por terem dado voz aos movimentos sindicais no processo de redemocratização do país, no final dos anos 80.
- Meu compromisso com a liberdade é sagrado, em particular com a liberdade de imprensa que ajudou a criar e a manter a democracia moderna que temos - afirmou Lula, que chegou ao evento acompanhado de quatro ministros de seu governo.
Com cerca de 580 participantes, o 6º CBJ é o maior e mais importante evento de comunicação, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) a cada dois anos. Lula já havia participado da edição anterior. Na solenidade, o diretor-presidente da RBS, Nelson Sirotsky, foi reconduzido à presidência da entidade, para o biênio 2006-2008, o que foi motivo de uma brincadeira com Lula.
- Eu, como o senhor, sou contra a reeleição, mas circunstâncias, às vezes, nos levam a isso. A diferença é que a minha, bem mais simples que a sua, já aconteceu - disse Sirotsky.
A brincadeira provocou uma reação bem-humorada na platéia. Minutos antes, Sirotsky agradeceu a presença de Lula, ressaltando o difícil exercício da separação entre os papéis do chefe do Executivo e do candidato, para concluir:
-Tenho convicção de que quem está aqui hoje é o presidente.
O presidente da ANJ disse, ainda, que é motivo de orgulho a entidade ser uma das vozes mais atuantes na defesa da liberdade no Brasil e assegurou que deverá continuar a sê-lo. A Lula, Sirotsky elogiou a desistência de patrocinar a criação de um conselho federal de jornalismo, em 2004, pelo potencial de ameaçar a liberdade de imprensa. As preocupações com a segurança também foram destacadas pelo presidente da entidade:
-A ANJ está atuante na cobrança de um posicionamento firme com relação à segurança.
Para concluir, Sirotsky manifestou sua crença na importância e na perenidade dos jornais:
- O jornal é a porta de entrada para o aprofundamento das questões mais relevantes para a sociedade. Enquanto seguirmos potencializando estas qualidades, como estamos fazendo neste início de Século 21, tenho convicção de que permaneceremos como veículo indispensável.
O 6º CBJ prossegue até amanhã, com debates sobre as tendências nas áreas de conteúdo, circulação, publicidade, tecnologia, gestão, design e responsabilidade social.
Participaram da abertura do congresso, os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Celso Amorim (Relações Exteriores), Tarso Genro (Relações Institucionais), Luiz Dulci (secretário-geral da presidência), o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, além do presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo.
O que é
Associação Nacional de Jornais (ANJ)
Entidade criada há 27 anos. Reúne 132 empresas do setor de comunicação e tem como principal linha atual a defesa da liberdade e da independência dos jornais brasileiros.
As mensagens do discurso do presidente da ANJ
"A defesa dos direitos dos meios de comunicação de informar com liberdade e da sociedade de ser livremente informada é uma das razões primeiras da existência da ANJ."
"É nossa missão levar para o debate, de uma maneira independente e responsável, os grandes temas da sociedade."
"A ANJ, junto com as demais entidades de comunicação, cobra um posicionamento firme das autoridades com relação à segurança, preocupação central da família brasileira."
"No futuro, teremos - ou não - orgulho do Brasil e de nossa gente tanto quanto formos capazes de agir com eficácia no desafio da educação."
"O contato diário dos jovens com os jornais deve ser um processo saudável e pedagógico, de estímulo à leitura e de amadurecimento dos princípios e valores da cidadania."
"Os jornais participam de maneira responsável da construção dos valores do povo. A responsabilidade está alicerçada no compromisso central com os leitores."
Informação: Zero Hora

