Cristina Indio do Brasil
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A sociedade precisa ser esclarecida de que, ao comprar um produto ilegal, seja ele adulterado ou contrabandeado, está contribuindo de alguma maneira para que o comércio criminoso se fortaleça no país. A afirmação foi feita pelo presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Leonardo Gadotti, em entrevista ao Programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional do Rio.
Para o empresário, é preciso reconhecer a atuação importante da Polícia Federal no combate à pirataria no Brasil, mas há necessidade de ampliar as ações. “As forças que estão por baixo desse comércio são enormes. O potencial disso é muito grande, as iniciativas têm que ser aumentadas, não só dependendo de políticas federais, mas também no âmbito estadual, por meio de ação da polícia, da investigação, da inteligência e da Justiça”, completou.
O presidente do Etco informou que o instituto apóia iniciativas como a proposta do Ministério da Justiça de aplicar penas ao consumidor flagrado na compra de produtos falsificados. “O instituto apóia qualquer tipo de legislação que venha reforçar e contra este tipo de praxe, na medida em que a gente inclua o consumidor que é o elo final da cadeia é muito positivo”, disse.
Gadotti acrescentou que o esforço tem que ser contínuo, principalmente, nos primeiros elos da cadeia, fechando as fronteiras, fazendo um trabalho de base para se identificar e tirar de circulação toda a logística que existe por traz deste tipo de comércio que, segundo ele, não é escondido.
“Não é uma coisa que anda nos subterrâneos. É visível à sociedade hoje, como também à força policial e à Justiça. O governo tem que atacar em todas as frentes e não deixar de maneira nenhuma de informar e esclarecer o consumidor de que a medida em que ele compra um produto pirateado ele está contribuindo para um mal à sociedade”.
Para Gadotti, a massa salarial baixa e o nível elevado de informalidade no Brasil acabam contribuindo para este comércio.“O que tem que existir hoje é uma reação da sociedade e dos governos para reverter este quadro. Isso só acontece quando se começa a cortar esses canais e melhorar a formalidade, ou seja, trazer a informalidade para a formalidade o inverso é que é danoso. É necessário um primeiro momento para se reverter este quadro”.
Informação: Agência Brasil

