Adriana Del Ré
No ano passado, 2,9 milhões de brasileiros fizeram downloads de música na internet, a maioria deles de forma ilegal. Esse dado foi divulgado ontem pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) e consta de uma pesquisa de mercado sobre o universo musical na internet, encomendada à empresa Ipsos Insight.
É a primeira vez que a ABPD apresenta um estudo do gênero, que ouviu 36,5 mil pessoas, em dez regiões metropolitanas brasileiras: São Paulo, Rio, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Recife e Brasília. As entrevistas foram realizadas no primeiro semestre de 2006.
Segundo a pesquisa, esses quase 3 milhões de internautas (que equivalem a 8,2% da população consultada) baixaram cerca de 1,1 bilhão de canções. A principal fonte deles foram as redes de compartilhamento de arquivos, conhecidas como Peer to Peer. Quem saiu perdendo foi o mercado fonográfico, que arcou com um prejuízo de mais de R$ 2 bilhões, valor três vezes maior do que o montante faturado pelo mercado oficial no ano passado com a venda de CDs e DVDs originais, que foi de R$ 615,2 milhões.
O prejuízo vai além. Desse universo de 8,2% de pessoas que usaram a rede para baixar músicas, quase metade delas as gravou em CD, o que correspondeu a mais de 13 milhões de CDs gravados somente no último trimestre de 2005.
Foi traçado ainda um perfil dos entrevistados e do que gostam de consumir na internet. Os homens representam 54% dos internautas que baixam música sem pagar. A maioria das pessoas ouvidas tem alto grau de instrução: 17% deles cursaram ensino superior completo e 52% estão entre os que têm colegial completo ou superior incompleto.
Grande parte desse grupo é predominantemente jovem, com 84% dos entrevistados na faixa etária entre 15 e 34 anos. Os estudantes aparecem no topo da lista dos que mais fazem downloads, enquanto o rock internacional aparece como o gênero mais procurado pelos brasileiros.
Informação: Aesp/O Estado de S.Paulo Vida & - Pirataria

