Clarisse de Freitas
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) analisa um pedido de financiamento de R$ 10 milhões para o desenvolvimento do primeiro chip para a televisão digital brasileira. Segundo o sócio da empresa solicitante, a RF Telavo, Jakson Sosa, o projeto foi encaminhado na sexta-feira e transformará o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) na mais provável sede de uma fábrica de semicondutores no Brasil. A empresa bancaria uma contrapartida de cerca de R$ 2 milhões.
"Nesta fase, o Ceitec valida na linguagem adequada para um chip a tecnologia que está sendo desenvolvida em conjunto com a Pucrs. Dessa forma, ele incorpora inovação ao Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre, garante a propriedade intelectual que torna possível a modulação industrial e, por conseqüência, deixa a produção mais barata. Com isso, o Rio Grande do Sul assume a vanguarda na briga pela futura fábrica que poderá produzir esse sistema", diz Sosa.
O diretor da RF Telavo explica que a empresa atua em parceria com a Pucrs e o Ceitec e já investiu cerca de R$ 3,5 milhões neste projeto. Os trabalhos devem ser concluídos com o financiamento do Bndes, que serão incluídos na política nacional para o setor, beneficiados com isenções fiscais que serão estabelecidas em uma medida provisória que deve ser editada depois das eleições. Os recursos estão oriundos do Funtec, onde parte dos recursos são não-reembolsáveis.
De acordo com Sérgio Souza Dias, diretor-presidente do Ceitec, a formulação de um projeto de chip dentro da entidade será importante para atrair mais conhecimento para o País. "É fundamental que, ao invés de apenas montar os chips, possamos começar a desenvolver tecnologia e propriedade intelectual", diz ele. Ele informa que a entidade pretende conseguir novos financiamentos para futuros projetos ligados à TV Digital, mas prefere não antecipar. "Estamos em fase de negociação com empresas parceiras e entidades de financiamento", adianta. O Ceitec deve investir R$ 1,8 milhão no desenvolvimento do projeto.
O projeto não vincula a produção do chip para a televisão digital a criação de uma fábrica de semicondutores no País, embora seja pré-requisito para a construção de uma unidade com esse fim. Com a propriedade intelectual brasileira, o "design", a peça poderá ser feita sob encomenda em qualquer lugar do mundo. Da mesma forma, diz Sosa, o chip não está destinado a atender exclusivamente o mercado brasileiro.
"Nosso projeto abrange todos os sistemas de transmissão digital, razão pela qual imaginamos encontrar um amplo mercado nos demais países da América Latina, nos Estados Unidos e na Europa. Os países vizinhos, inclusive, devem adotar um sistema semelhante ao do Brasil", diz o empresário.
Nos próximos três meses, o projeto estará em análise no Bndes. Sosa espera que, uma vez aprovada a liberação dos recursos, o cronograma siga prazos que estabelecem a finalização do protótipo FTGA entre julho e agosto do ano que vem. Com essa primeira peça será possível fazer a validação tecnológica referencial que servirá de base para a produção em escala.
A produção comercial do chip deverá começar em abril de 2008, independente do estágio que se encontre a fábrica de semicondutores, devido a possibilidade de produzir em outro país detalhada pelo empreendedor. Ele espera que, a princípio, sejam produzidas 10 mil unidades, escala que deve crescer de acordo com a demanda.
Informação: Jornal do Comércio

