As principais emissoras de televisão aberta do País já estão produzindo conteúdo para a tevê digital, que deve estrear em São Paulo já no final de 2007. As prioridades, de início, são novelas, minisséries e jornalismo, conteúdos típicos de exportação das emissoras. A expectativa criada em torno das mudanças na programação das emissoras com a digitalização é grande, principalmente por conta das novas funcionalidades do sistema, como a interatividade.
Segundo Globo, SBT e Band, novos investimentos, que podem chegar a mais de R$ 100 milhões, já estão sendo programados.
Se for cumprido o cronograma previsto, a tevê digital deve começar no Brasil no final de 2007. Para Evandro Guimarães, assessor da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que também é vice-presidente de relações institucionais da Globo, no início a transmissão em alta definição deve acontecer apenas algumas horas por dia, provavelmente durante o horário nobre.
“Hoje, nos Estados Unidos e no Japão, o horário nobre é todo em alta definição”, afirma o executivo. “Tem ainda a questão do acervo. Grande parte não é digital e as emissoras não vão simplesmente jogar fora esse conteúdo”, diz.
Para Frederico Nogueira, diretor-geral do Grupo Bandeirantes de Televisão, por enquanto ainda não é possível fazer muitas previsões, pois faltam algumas questões de regulamentação a serem resolvidas. Mas, segundo ele, no final de 2007 pelo menos os telespectadores de São Paulo devem presenciar as primeiras transmissões digitais brasileiras.
Interatividade
As estratégias das emissoras, ainda que coincidam sobre conteúdo, diferem em outros aspectos, caso específico da interatividade, que permitirá aos telespectadores se comunicarem e interferirem na programação. Para Evandro Guimarães, da Abert e da Globo, para a tevê aberta a interatividade se resume apenas a eventuais informações adicionais que podem ser passadas aos telespectadores, como por exemplo dados extras sobre os times que podem ser obtidos durante a transmissão de uma partida de futebol. “A dinâmica da tevê aberta é a seguinte: um transmitindo para milhões. Muita gente confunde transmissão em padrão digital com a questão do canal de retorno. Esse canal pode ser qualquer um, desde o telefone até a Internet; o aspecto principal do padrão digital está na alta definição de imagem e de som”, afirma. Segundo Guimarães, a Globo já está produzindo conteúdo em alta definição para exportação. “No exterior a demanda é muito alta.”
Ainda com relação à interatividade, Guimarães lembra que a tevê por assinatura já possui esses recursos. “As operadoras via satélite [DTH] disponibilizam informações adicionais aos usuários. No cabo também é possível que o telespectador ‘retorne’ informações, mas esse não é o negócio da televisão”, contesta o executivo.
Com relação a investimentos, Guimarães afirma que eles serão feitos, mas já estavam programados. “Todo ano as emissoras precisam renovar seus equipamentos e este ano não vai ser diferente. O que acontece é que os novos equipamentos serão digitais”, conta. Outra questão, de acordo com o executivo, está na qualidade da produção. Com a alta definição, as emissoras terão de ter mais cuidado com cenários e maquiagens, sob o risco de terem eventuais erros realçados na tela.
O SBT, ao contrário da Globo, dá mais valor à interatividade, tanto que criou, recentemente, uma unidade batizada “SBT Celular”. O objetivo é criar promoções e conteúdo usando o recurso de mensagens de texto (SMS), um teste para a implantação da tevê digital. No caso, a telefonia móvel seria usada como o canal de retorno. “A tevê digital vai renovar a experiência de se assistir televisão. Comparada a outros meios, como a Internet, a televisão ficou pobre e vem perdendo espaço, principalmente entre os jovens”, relata Rodrigo Marti, diretor de novos negócios da emissora.
Segundo Marti, a área de novos negócios do SBT já está começando a investir para fazer a transição do analógico para o digital, sendo que os primeiros conteúdos digitais devem, também, ser as novelas. Outra área estratégica para o executivo é o jornalismo, já que será possível, por exemplo, enviar informações adicionais sobre as notícias veiculadas nos jornais.
Na Bandeirantes, segundo Frederico Nogueira, diretor-geral da emissora, um grupo foi designado para fazer estudos e já está trabalhando internamente na produção de conteúdo. O diretor estima que os investimentos devem chegar a R$ 100 milhões, principalmente em equipamentos, como câmeras e ilhas de edição.
As primeiras atrações, a exemplo de Globo e SBT, devem ser novelas e minisséries, que têm boa penetração no exterior.
Padrão
O Brasil escolheu o padrão ISDB (japonês) para transmissão de tevê digital. O decreto de definição, publicado em 29 de junho, definiu um cronograma de 18 meses para o início das transmissões no País. Após a implantação do sistema digital, as emissoras continuarão a transmitir em formato analógico por mais dez anos. Durante esse período, os telespectadores poderão optar por continuar a receber o sinal analógico ou comprar um conversor ou aparelho já adaptado para receber o sinal digital. Após esse período, os usuários terão de trocar o aparelho ou comprar um conversor, que ainda não é vendido.
O processo de transição para o digital está ocorrendo em diversos países. No Reino Unido, foi iniciado em 1998 e cerca de 70% dos lares já possuem acesso.
Informação: Abert - DCI - Comércio, Indústria e Serviços - SP - Capa

