Partidos acertam dia 11 como data de reinício da campanha no rádio e TV

Juliano Basile
04/10/2006

Os representantes das candidaturas Lula e Alckmin junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegaram a um acordo na noite de ontem e definiram o dia 11 como data para o início da campanha do segundo turno na televisão e no rádio. O TSE autorizou, na noite de segunda-feira passada, que a campanha fosse reiniciada a partir de quinta-feira. Mas, os partidos resolveram adiar sob a justificativa de que precisam traçar melhor as estratégias para o segundo turno.

"Precisamos fazer as alianças e preparar os programas", justificou o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner. "Além disso, é sempre bom um descanso", ironizou. Wagner disse a campanha mostrará as diferenças entre os governos Lula e FHC. Segundo ele, são dois caminhos diferentes de governar. "E acredito que o nosso teve mais êxito", completou o governador eleito durante conversa com jornalistas na entrada do TSE.

José Eduardo Alckmin, advogado e primo do candidato Geraldo Alckmin, justificou o adiamento dizendo que é necessário reprogramar a campanha. "Os marqueteiros dizem que campanha é que nem novela: tem que fazer o enredo", comentou o advogado.

Eduardo Alckmin chegou inicialmente com a proposta de iniciar a campanha no dia 12. Em seguida, o advogado José Antonio Dias Toffoli, que representa a campanha de reeleição do presidente Lula, chegou com outra proposta indicando o dia 11, pois 12 de outubro é feriado. Diplomáticos, os advogados conversaram brevemente e, em seguida, disseram à imprensa que o dia 11 estava ok. Ambos negaram que a alteração da data tenha razões econômicas, como eventuais dívidas de campanha ou a suposta tentativa de economizar dinheiro pago aos respectivos marqueteiros.

O TSE terá de aprovar resolução fixando essa nova data. O presidente da Corte, ministro Marco Aurélio Mello, gostaria que a campanha começasse na quinta-feira por motivos formais. É que o tribunal dá o prazo de 48 horas depois da proclamação do resultado do primeiro turno para o início da campanha do segundo. Mas, esse prazo pode ser estendido, segundo a Lei Eleitoral até o dia 16.

A campanha será veiculada até o dia 27, a antevéspera do segundo turno, marcado para 29 de outubro.

Ontem, o corregedor-geral eleitoral, ministro César Asfor Rocha, afirmou que as eleições deste ano foram "marcadas pela transparência e por uma redução dos gastos de campanha que pode ter chegado a 40% em relação a 2002". A principal razão dessa queda, segundo ele, foi a Lei 11.300/06, aprovada em abril pelo Congresso, onde ficou conhecida como "minirreforma eleitoral".

Apesar de ressaltar que o TSE ainda não fechou os números das despesas dos candidatos, ele acredita que o resultado ficará bem abaixo dos outros anos. O cálculo definitivo dos gastos só será feito quando o TSE receber todas as prestações de contas dos candidatos, o que, de acordo com as regras atuais, deve ocorrer até 30 dias após as eleições. A Lei 11.300/06 obrigou os partidos e candidatos a apresentarem duas parciais de despesas, em agosto e setembro, antes de divulgarem as suas contas finais. Entre os dispositivos da nova lei que forçaram a redução das despesas de campanha, segundo o corregedor-geral, estão os que proíbem os showmícios, a distribuição de brindes (camisetas, bonés, chaveiros, canetas, entre outros) e o uso de outdoors.





Informação: Abert/ Valor Econômico - Política –Eleições










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