O Brasil está sendo pressionado pela União Européia a combater fortemente a pirataria. O País perde 1,5 milhão de empregos e deixa de arrecadar R$ 30 bilhões em impostos por ano com a pirataria, via produção clandestina, nacional ou estrangeira.
Da China chegam milhares de contêineres onde estão brinquedos, têxteis, relógios, tênis e outras mercadorias que, rapidamente, estarão nas ruas das capitais e principais cidades brasileiras. Pelas fronteiras secas entram produtos falsificados, contrabandeados e roubados. Há uma indústria clandestina paralela funcionando noite e dia para abastecer os consumidores que olham apenas o preço.
Existe quem defenda tais compradores, pois, ou eles se abastecem no comércio informal, nos camelôs, ou não terão acesso àquilo com que sonham consumidor. No caso dos CDs, de fato, o preço do comércio legal e do informal tem uma diferença gritante. No entanto, as lojas pagam impostos e seus empregados. Hoje em dia, o download, o programa feito diretamente da internet, permite a milhões de pessoas no mundo terem acesso às músicas que desejam. Os jovens são os maiores consumidores de quase 20% da produção fonográfica, mas estão trocando as lojas especializadas pelo computador, o CD pelo iPod. Em 2005, as vendas da indústria fonográfica caíram 7,8%, enquanto o download legalizado de músicas aumentou 150%, informou a Nielsen SoundScan. Chegou a vez das lojas virtuais, como a iTunes, da Apple, ou o My Space, que estão ameaçando os considerados dinossauros do século passado, o 20. É o mesmo fenômeno que ocorreu quando as grandes redes de varejo, como a Tower e Virgin, no exterior, liquidaram com as lojinhas de bairro.
Nos Estados Unidos, das 50 a 70 grandes lojas, inclusive redes, de discos do início dos anos 90, apenas umas 10 devem ter resistido e continuam abertas. O prejuízo calculado por especialistas é de US$ 700 milhões na perda anual da indústria fonográfica, desde que começou a febre de "baixar" músicas diretamente da internet, legal ou ilegalmente, com o programa Napster. Desde 2003, foram 900 lojas de discos independentes que fecharam, restando 2.700, divulgou o Instituto Almighty de Vendedores de Discos. É a prova cabal de que o mundo se transforma rapidamente, com as pessoas não conseguindo assimilar uma novidade porque outra, depois outra e mais outra logo ocupa o espaço da anterior. Então, se isso ocorre no mundo real, virtual e no comércio de apenas um setor da economia, imagine-se o que não se passa nos subterrâneos da ilegalidade.
Para estancar a sangria, primeiro temos de fiscalizar mais e mais as fronteiras, utilizando toda a tecnologia disponível, através da cada vez mais respeitada Polícia Federal. Logo em seguida, combater também internamente, pois aqui há organizações fortes, com estrutura para produzir de discos a tênis falsificados. O crime organizado rouba ou furta um veículo com facilidade porque sabe que tem quem compre o automóvel, seja para revendê-lo ou desmanchá-lo. Aí, nas feiras populares, tem mercado, pessoas compram sem fazer perguntas, sem nota fiscal, fechando o ciclo que corrói empregos e desvia os bilhões em impostos que tanta falta nos fazem.
Campanha de esclarecimento deveria ser feita por entidades de classe e pelo governo, alertando para os malefícios que a pirataria provoca no País, afetando a todos nós, sejamos ou não clientes de camelôs. E quanto mais legal o produto, quanto menos falsificações, contrabando e furtos de produtos, mais baratos eles chegarão aos consumidores legais.
Informação: Jornal do Comércio

