Esse item foi um dos responsáveis por essa indústria ter vivido este ano o maior déficit comercial de sua história - cerca de US$ 9,5 bilhões, de acordo com os dados ainda preliminares.
Só em componentes eletrônicos, o Brasil importou US$ 10,2 bilhões este ano, montante 28% superior ao de 2005.
Por isso, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) defendeu hoje, em encontro com a imprensa, que o governo federal seja "mais ousado" e estenda as medidas que pretende adotar para o segmento de semicondutores (capazes pela capacidade de processamento dos microcomputadores) à toda a indústria de componentes, de acordo com Francisco Dias Rosa, diretor da área de componentes da associação.
"A Abinee defende que os incentivos não sejam só para os semicondutores, mas para todos os componentes, senão vai se cuidar do que o país ainda não tem, mas negligenciar o que o pouco que o país tem", afirmou, citando as poucas empresas que ainda produzem algum tipo de componente no Brasil.
Segundo Rosa, "foi isso o que a Coréia fez, foi isso o que o Japão fez. Para ser competitivo internacionalmente, o país tem de ser mais abrangente", afirmou o diretor.
Hoje, entretanto, "produzir componentes no Brasil é 8% a 10% mais caro que lá fora", afirmou Rosa. "A indústria de componentes do Brasil paga para produzir", reiterou.
O executivo da Abinee ainda ressaltou que a indústria "não pede prerrogativas ou reserva de mercado, mas, sim, condições de ser competitivos extra-muros", disse Francisco Rosa.
Os semicondutores são um dos pilares da política industrial do governo federal - ao lado de fármacos, bens de capital e softwares -, mas até hoje o país não conseguiu atrair uma unidade fabril que reduza a dependência externa desse item dos computadores.
Informação: ABERT / IG - Último Segundo - Notícias - Semicondutores

