Inclusão Digital

Até o fim de fevereiro, o Brasil vai receber mil unidades do laptop de US$ 100 para realizar testes durante seis meses em escolas públicas nas cidades de São Paulo e Porto Alegre. O governo federal também fará experiências com outros dois notebooks educacionais no mesmo período: o Classmate, da Intel, e o Mobilis, um portátil produzido pela Encore Software na Índia. Quando a análise terminar, o governo federal dirá, finalmente, qual máquina vai comprar.
A novela do apoio do Brasil ao laptop de US$ 100 vem se arrastando praticamente desde que surgiram as primeiras notícias sobre o micro, há dois anos. Uma hora o governo federal diz que vai adquirir os PCs e logo em seguida surge alguém para dizer "Não é bem assim, não decidimos nada ainda". Passa um tempo e a história se repete. Na semana passada, surgiu a informação de que em abril sairá o anúncio de quantas máquinas serão compradas. Nada ficou confirmado.
Para participar do projeto, cada país interessado precisa se comprometer a adquirir no mínimo 1 milhão de máquinas. O custo de cada dispositivo está hoje em US$ 130, o que daria US$ 130 milhões ou R$ 280 milhões - isso só para começar. Agora, faça a conta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil tem cerca de 40 milhões de alunos matriculados em escolas públicas. Para que todos tivessem um XO, o governo teria de gastar aproximadamente R$ 11 bilhões.
Um investimento e tanto. E o valor deve ser ainda maior, porque não inclui os gastos com manutenção dos aparelhos ou com a instalação de servidores nas escolas, entre outros itens. Por essas e outras, tudo leva a crer que ainda vai levar bastante tempo para que o projeto vire realidade no País.
Os custos envolvidos quando se planeja a operação em larga escala também diminuem as chances de concorrentes como o Classmate, da Intel, serem adotados pelo governo federal. O portátil da multinacional tem preço estimado em US$ 400 (cerca de R$ 850), quase o mesmo que um computador de mesa bem mais potente. Nesse caso, cobrir toda a rede pública sairia por R$ 34 bilhões.

FONTE: ABERT


Rádio AGERT

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