UMA VISÃO: HORA DE ENXERGAR A REALIDADE SIBRE O IBOC

Como um proprietário e engenheiro que está às voltas com esse negócio maluco desde os anos 60, creio que posso oferecer algum esclarecimento sobre toda essa conversa sobre o IBOC.

À primeira vista, parecia que a Ibiquity tinha feito tudo certo. Eles formaram várias equipes para projetar o esquema digital e conseguiram o apóio dos radiodifusores mais importantes.

A Ibiquity então projetou uma “máquina de fazer dinheiro” com lucros para os usuários. Mas, de repente, ouviu-se alta e claramente, como o aviso sonoro de uma velha máquina de teletipo: Para o AM não está funcionando.

Sim, posso ouvir quem apóia dizer: “Lógico que funciona. Temos apenas de solucionar os bugs e dar tempo para que se popularize”. E eles não perdem tempo para mostrar o quanto demorou para a FM realmente se tornar popular.

Usar esse fato como referência não é apenas uma burrice, é estupidez.

A referência à FM é “estúpida”

A FM não decolou até que as pessoas exigissem e obtivessem em seus carros, como padrão de fábrica, (leia-se: “sem custo extra”), auto-rádios que sintonizasse a faixa de FM.

Você realmente acha que a FM teria se popularizado se os fabricantes de carros tivessem de pagar uma taxa por cada rádio que fabricam? Vamos acordar, gente.

E se fosse colocado a FM, reduziria a cobertura da AM? Pioraria o áudio? Você acha mesmo que os proprietários teriam tolerado uma AM piorada enquanto esperavam que a FM “decolasse”?

Algumas das maiores empresas do setor estão por trás do IBOC AM e, mesmo assim, até seu pessoal está dizendo que não está funcionando.

A interferência em estações adjacentes é grave, especialmente em relação às estações que operam com menor potência, e a Ibiquity quer que toleremos chiados adicionais de nosso próprio difusor IBOC.

Dediquei-me a ouvir rádio extensivamente na área de cobertura de minha estação WGTO (910 kHz, 1 kW).

A estação de rádio WLS (890 kHz, 50 kW) fica a cerca de 136 km de distância para o oeste. A WOKY em Milwaukee (920 kHz, 5 kW) fica mais ou menos à mesma distância, porém mais para o norte. Ambas estão usando o IBOC, sendo que as duas estão causando muita interferência em meu contorno de proteção em 905 kHz (890 + 15 kHz = 905 kHz, e 920 – 15 kHz = 905 kHz.)

Sou testemunha de que minha cobertura tem, de fato,sido prejudicada. O chiado da WLS e da WOKY é claramente audível na maior parte dos rádios de carro em todo o percurso no meu contorno de 2 mV/m.

O chiado do IBOC me tirou um mercado inteiro que estava no contorno de 1 a 2 mV/m ao longo do entorno do Lago Michigan.

Aqueles que apóiam o IBOC AM dizem que a Ibiquity trabalhará nas falhas e terá uma solução. A quem eles estão enganando? Se é o equipamento digital que está causando o chiado no sinal analógico, não há maneira de “consertar” esse problema. Reduzir o potência digital piorará ainda mais os problemas de sintonia e alcance.

Ah, sim, me esqueci, estão nos dizendo que a sintonia dos rádios analógicos precisa ser mais estreitada. Como substituir, agora, todos os rádios que captam o chiado?

E quanto ao áudio com qualidade telefônica que resulta no maior estreitamento? Sei que dizem que a maior parte dos rádios AM tem pouca resposta acima de 4 kHz, mas de fato existe alguma resposta acima de 4 kHz e, em uma comparação honesta entre um e outro, há uma mudança notável na qualidade percebida quando você muda a resposta do transmissor repentinamente de 10 kHz para 5 kHz.

Qualidade telefônica

Não vamos nos esquecer que o ouvido humano é melhor do que qualquer medidor de áudio na detecção de mudanças de qualidade. Nossa audição também é muito sensível a sons como o chiado.

Caso você não tenha ouvido, esse chiado soa exatamente como se a sua fonte principal se tornasse repentinamente fraco e o ruído viesse da parte da frente do rádio. A maior parte das pessoas pensa que sua potência caiu.

Isto é exatamente o que nós, as pequenas estações AM, não precisamos: uma percepção de uma recepção fraca.

E eis a maior piada de toda essa confusão. Quem apóia o IBOC diz que agora podemos voltar a tocar música e ter qualidade de som como a de uma FM, certo? Mas, nesse meio tempo, temos de estreitar a sintonia do analógico, para que a música na maioria dos rádios em uso tenha qualidade de som pior do que antes. Você se lembra por que tantas AMs trocaram para programas falados, originalmente?

E temos de pagar uma taxa anual pelo privilégio de dar um tiro em nosso próprio pé?

A Ibiquity está me pedindo que:

· Pague cerca de $25.000 por um excitador IBOC instalado e, a partir daí, quem sabe quantas taxas aparecerão nos próximos anos;

· Gaste uma pequena fortuna para a “otimização” da minha planta transmissora de 20 anos de idade para obter bandas laterais perfeitamente simétricas e largura de resposta suficiente;

· Piore a recepção do meu ouvinte adicionando um chiado horroroso a meu próprio sinal em um momento em que já estou lutando contra inúmeras outras fontes de ruídos;

· Reduza minha própria largura de banda para 5 kHz ou menos para permitir que a transmissão digital funcione; e

· Espere 10 anos para que os rádios de carro se tornem populares enquanto pago uma taxa a cada ano.

É minha impressão, ou eles acham que somos trouxas?

Em meu artigo anterior sobre recepção IBOC (RW, 2 de agosto de 2006), observei que o IBOC FM não tem uma qualidade de som tão melhor do que o analógico adequadamente processado na vasta maioria das situações de audição, mas que, por outro lado, não prejudica.

O mesmo não pode ser dito com relação ao IBOC AM. Ouvi estações locais de Chicago logo que o IBOC recebeu permissão para funcionar à noite. Não foi agradável. Mesmo na cidade, era difícil manter a sintonia.

O sinal da rádio mudava do analógico para o digital a cada dois minutos. A AM 1000, WMVP (WCFL para nós, os veteranos) nunca conseguiu fazer funcionar corretamente seu sistema de transmissão de três torres, e me informaram que eles gastaram milhões em uma reconstrução.

A Ibiquity devolverá o meu dinheiro se não for possível fazer meu sistema de transmissão funcionar? As únicas que saem ganhando, nesse negócio de IBOC, são as grandes empresas que terão êxito em HD2 e HD3 em FM. Para nós, os pequenos da AM, é apenas mais uma pedra no sapato.

Só posso esperar que Detroit tome uma atitude dura contra as taxas de licença da Ibiquity. Talvez os contadores de dinheiro da Ibiquity nunca perceberam que sem o IBOC, como equipamento padrão no painel do carro, poderiam esquecer.

Se eles esperam que eu pague uma taxa anual enquanto prejudico meu próprio som para os ouvintes analógicos, que serão a principal audiência durante muitos anos ainda, eles enlouqueceram de vez.


Um engenheiro de rádio de Chicago que foi um dos meus mentores deu a melhor definição: “IBOC FM é porcaria científica. IBOC AM é ficção científica”. Qualquer dono de estação pequena de AM que aceitar isso está arrumando sarna para se coçar, dor de cabeça e uma enorme decepção.

Agora acho que sei por que a FCC nunca adotou o padrão de receptor NRSC 10 kHz como obrigatório para os fabricantes. Os caras da Ibiquity sabiam que o rádio NRSC mais largo tornaria a eventual introdução da AM em alta-definição, ainda, mais difícil.

Recepção periférica

Então, eles provavelmente fizeram lobby contra o padrão de banda larga. Agora que o IBOC AM está aí, os engenheiros corporativos de algumas das grandes empresas que apóiam o IBOC estão liderando a demanda por um sério estabelecimento de banda estreita. Hmm, alguma coisa não me cheira bem, de novo. Estas são algumas das mesmas pessoas que disseram que a banda larga padrão NRSC seria a salvadora do fornecimento pela AM de som com qualidade de FM.

Você percebe que o padrão NRSC nos teria proporcionado rádios com uma passagem de áudio de mais ou menos 7.5 kHz?

Lógico, poderíamos ter usado uma chave para estreitar a banda na recepção periférica, e que, em sua maior parte, o padrão NRSC teria nos proporcionado rádios com ótima qualidade de som em áreas onde ocorre a maioria da audiência local de AM. E os rádios padrão NRSC ficariam livres de atraso.

Não me diga que a banda larga não pode ter boa qualidade de som. Tudo depende do receptor.

O rádio do carro Ford Crown Victoria para o modelo do ano 2001 é um ótimo exemplo de áudio em AM com “qualidade de FM” de estações que ainda estão transmitindo áudio em padrão NRSC. E não podemos nos esquecer do SuperRadio GE. Ele ainda está em produção e tem ótima qualidade de som em níveis acima de 2 milivolts.

Esperávamos que não fosse possível misturar IBOC e banda larga, mas agora ficou claro que mesmo a largura de banda normal em AM é larga demais. Assim, agora devemos realmente estreitá-la, o que prejudicará muito o analógico.

Você acha que a NAB (Associação Nacional de Radiodifusores) está se movimentando para transformar as estações de AM em FM independe de problemas com o IBOC AM? Você acha que a demanda por uma redução ainda mais abrupta de receptores de AM independe de problemas com o IBOC AM? Está na hora de parar os primeiros-socorros e encarar: o paciente IBOC AM está morto.


Rádio AGERT

Indefinições sobre os efeitos do El Niño debatidas na Federasul

O presidente da Brasoja, Antonio Sartori, foi um dos palestrantes do Tá Na Mesa, que debateu o El Niño, o Agro, As Cidades e os Governos. Ele fez um relato da sua viagem ao Peru para saber mais sobre o El Niño. 

Projeto que autoriza a subvenção dos combustíveis será enviado pelo Estado ao parlamento estadual

O deputado Frederico Antunes, líder do governo da Assembleia Legislativa, informou que o governo do Estado deve enviar nos próximos dias o projeto de lei que autoriza a subvenção dos combustíveis. Ele abordou também sua pré-candidatura ao Senado. 

PSDB confirma Cláudio Diaz como candidato a vice-governador do Estado

O presidente estadual do PSDB e presidente da Câmara Municipal de Porto Alege, Moíses Barboza, confirmou o nome de Cláudio Diaz como candidato a vice na chapa liderada por Marcelo Maranata. Partido concorrerá em federação com o Cidadania.