ABERT FINALIZA ESTUDOS SOBRE RÁDIO DIGITAL

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) vai entregar ao Ministério das Comunicações, até meados de outubro, o resultado dos testes feitos em quatro emissoras de rádio para medir a viabilidade da implantação do sistema de transmissão digital. As emissoras escolhidas atuam nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Ribeirão Preto. Segundo o presidente da Abert, Daniel Pimenta Slaviero, não existe um prazo para que essa decisão seja tomada, mesmo após a apresentação do estudo ao Executivo. "O nosso documento servirá para subsidiar a decisão política", apontou.

O padrão digital melhorará o sinal de transmissão das rádios AM e FM brasileiras. Mas o custo para que isso aconteça é alto: a Abert estima que cada emissora terá de investir algo entre de US$ 80 mil e US$ 120 mil na compra de equipamentos, que incluem antenas, transmissores e receptores.

Para as grandes empresas, esse investimento pode não ser complicado, mas como o padrão digital terá de funcionar no país inteiro, as pequenas emissoras poderão ter dificuldades. "Serão necessárias linhas específicas de financiamento do BNDES, por exemplo", apontou Slaviero.

A Abert apresentou ontem a pesquisa "Perfil sócioeconômico do setor de rádio no Brasil", que apontou um faturamento de R$ 1,6 bilhão das rádios em 2007. O resultado, segundo o executivo, surpreendeu, mas foi possível porque o leque de emissoras consultadas foi maior do que aquele abrangido pela Intermeios - tradicional instituto que mede o perfil de 113 emissoras de todo o país. "A Intermeios realiza um trabalho consolidado, mas deixa de fora as pequenas e médias rádios brasileiras, que foram abrangidas em nosso levantamento", disse o coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas, Márcio Lago Couto.

Mais da metade da receita do setor (58,2%) foi proveniente de publicidade intermediada por agências de propaganda; outros 31% são de publicidade direta (o anunciante negocia diretamente com a emissora). Dentre os maiores anunciantes, estão os representantes do comércio varejista, com 45%, seguidos de longe por perfumaria e farmácia (7%). A fatia de publicidade governamental equivale nos três níveis de administração pública: governo municipal (6,2%); estadual (6,7%) e federal (4,9%).

Outro dado apresentado na pesquisa mostra que o setor de radiofusão - que engloba rádio e televisão - representa hoje 0,49% do PIB nacional, algo em torno de R$ 10 bilhões.

O setor de rádio emprega atualmente 143,5 mil trabalhadores diretamente e gera outros 159,1 mil postos de trabalho indiretos. Mas a qualificação educacional desses trabalhadores ainda é baixa. Quase a metade dos empregados do setor (44,2%) tem ensino médio incompleto, enquanto outros 6,7% completaram o ensino médio. Nos dois extremos, temos 9,3% dos empregados com ensino fundamental incompleto e apenas 11,9% com ensino superior completo.

Quando o assunto é programação, a pesquisa apontou uma clara diferença entre as rádios AM e FM. As primeiras - até por conta da baixa qualidade do sinal, privilegiam programas de variedades (24,2%), jornalismo (17,5%), religioso (14,4%) e esporte (9,3%). Já as rádios FM, que têm em seu público-alvo os jovens, especialmente das capitais, são majoritariamente dominadas por programações com músicas. Porém, existe um dado comum aos dois tipos de emissoras: a maior parte das músicas tocadas é nacional - 21,1% nas AM e 37,5% nas rádios FM.


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