A Agert esteve presente, nesta quinta-feira, 01/09, em Brasília, no Seminário de Rádio Digital promovido pelo Ministério das Comunicações. Na abertura do encontro, foi feita apresentação do objetivo geral do workshop com um panorama do tema no Brasil e no mundo pelo Secretário-Executivo do Ministério das Comunicações, César Alvarez.
Com a participação do assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, do deputado federal Sandro Alex (PPS/PR) e do Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Genildo Lins foi debatida e relatada a realização de novos testes em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília cujos resultados devem ser divulgados até a metade de 2012.
Andre Barbosa ressaltou que o mercado esta migrando para plataformas "novas", e o rádio precisa entrar no mundo digital, com mais qualidade e boa cobertura. "Se não agregarmos valor ao conteúdo de áudio, através dos display dos receptores, geração de podcasts, perderemos competitividade e ficaremos defasados". Barbosa enalteceu o trabalho desta gestão do Ministério das Comunicações que, sob sua ótica, estimulou o desenvolvimento do rádio digital.
Já o deputado Sandro Alex, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal, se declarou apaixonado pelo veículo, que ele observa estar passando por um período difícil em virtude de receber apenas 4% do investimento publicitário nacional. "Além disto, as emissoras recebem muito mais horas de fiscalização do que a telefonia, por exemplo."
O papel fundamental do rádio, como meio que permite ao cidadão informação e entretenimento, foi ressaltado por Cezar Alvarez. "O rádio digital no Brasil respeitara os parâmetros da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e todos os outros fatores como econômico e social." Ele ressaltou que não haverá divulgação separada de testes de DRM ou HDRADIO. Os dois serão publicados em conjunto. "Queremos que o rádio continue sendo um atrativo para o ouvinte, para o radiodifusor e para o mercado publicitário." Alvarez afirmou que o Ministério está debatendo os padrões tecnológicos e estudando um radio digital que seja adequado para todas as regiões do país e para todas classes sociais. "Esta diversidade de públicos e características deve ser mantida", concluiu.
Durante o painel foi ressaltado que o radiodifusor precisa de segurança para fazer investimento correto em equipamentos e que o governo tem o dever de disponibilizar uma tecnologia adequada à população brasileira. A cobertura digital em outros países foi apresentada. Nos Estados Unidos somente 7% do pais tem cobertura digital. Em Portugal, o radio digital no padrão dab foi desligado.
O painel da manhã debateu Sistemas de Rádio Digital com a mediação de Patricia Avila Brito, do Ministério das Comunicações e a participação de Alexander Zinn, da Fraunhofer IIS, John Schneider, diretor de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Ibiquity, empresa responsável pelo padrão americano de rádio digital, Ronald Barbosa, diretor técnico da Abert, Gunnar Bedicks, engenheiro eletrônico , professor da Universidade Mackenzie e José "joter", da Radio Comunitária Esplanada FM.
Alexander Zinn, falou sobre a instituição que representa, que realiza pesquisas e é uma entidade sem fins lucrativos. Falando nos estudos sobre a Plataforma Brasileira do DRM - Digital Radio Mondiale e vários aspectos da rádio digital, ressaltou que a plataforma cobre uma amplitude maior de espectro. Segundo ele, a plataforma está pronta para receber o AM e o FM, com a vantagem da multiprogramação, seleção de emissoras pelo nome e não por freqüência. "É uma plataforma aberta para desenvolvimento do próprio radiodifusor". Alexander também lembrou que haverá a utilização da EPG, ( Electronic Programming Guide), interface gráfica que possibilita a navegação pelas múltiplas possibilidades de programação pelo usuário, sendo o equivalente aos guias de horários de televisão publicados nos jornais, com funções e operação análoga a de um portal de internet. "Assim, o ouvinte pode saber as programações futuras das emissoras e até gravar e agendar gravações de programas, dependendo do aparelho, além de ter um sistema de informação de fluxo de trânsito já embutido", afirmou. Zinn lembrou que na plataforma se pode ampliar a cobertura de uma emissora com uma série se pequenos transmissores, sendo totalmente transparente para o receptor, mas que, obviamente, isto depende da legislação.
Durante a palestra foi feita uma exibição de transmissões em ondas curtas e ondas medias entre países europeus, que apresentaram excelente qualidade. Com relação à transmissão simultânea, foi alegado que ela pode ser feita na mesma faixa sem prejuízos e também que transmissão é possível em faixas distintas, pois não faz diferença a freqüência da emissora.
John Schneider abriu sua palestra afirmando que o desenvolvimento do Rádio Digital é a Ibiquity. Ele ressaltou que há uma equipe de 100 pessoas somente para o desenvolvimento da Plataforma digital da Ibiquity (HD radio). Os acionistas são grandes radiodifusores, norte americanos, que só tem em mente o bom resultado no uso deste sistema. Ele relatou que os receptores mais indicados são os Insígnia, que hoje podem ser adquiridos por até 69 dólares. "Eles utilizam a mesma faixa de freqüência outorgada, o que é bom para os governos, pois o regulador não tem que designar freqüências novas e o público, pode manter seus receptores antigos até quando quiserem", afirmou.
Segundo ele, nos EUA, 2124 emissoras (15 por cento) já estão transmitindo em HD rádio e 85% do país já tem acesso. Schneider afirmou que está sendo feita uma sociedade com a empresa Tell HD para que o Brasil participe do processo de desenvolvimento.
Para a diretora do Departamento de Acompanhamento e Avaliação de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Patrícia Ávila, além de conhecer as características, funcionalidades, compatibilidades e vantagens da tecnologia americana IBOC (In band on Chanel) e da europeia DRM (Digital Radio Mondiale) o painel permitiu discutir o que é importante para o radiodifusor e para o ouvinte. "Isso é importante para que a gente tenha uma ideia do que vai fazer daqui para a frente como política pública de rádio digital para o país", ressaltou.
SISTEMA BRASILEIRO
O professor Gunnar Bedicks, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, defendeu em sua palestra a possibilidade de o Brasil desenvolver um sistema próprio de rádio digital, com adaptações. Gunnar lembrou que o mesmo ocorreu no processo de adoção do modelo nipo-brasileiro de TV digital , o ISDB-T, que hoje vem ganhando a adesão de vários países em todo o mundo.
O professor fez também a ressalva de que a adoção do sistema de rádio digital deve levar em consideração as particularidades da radiodifusão brasileira, com destaque para as rádios AM, de Ondas Tropicais e de Ondas Curtas. "Não é a adoção de uma tecnologia que vai transformar uma AM. É preciso outros investimentos, como em equipamentos."
O representante da Abert no evento, Ronald Barbosa, disse que o Brasil é um país de dimensão continental e destacou a importância do rádio como veículo de informação. "É preciso avaliar os impactos para a população e para as emissoras que estão no ar", frisou. Ele também lembrou as primeiras discussões sobre o sistema de rádio digital no Brasil, em 1996, até o início de testes dos modelos, em 2008.
O representante da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), José Sóter, demonstrou preocupação com as interferências nas transmissões com dois padrões de rádio digital. Segundo ele, isso inviabilizaria o funcionamento das rádios comunitárias. Sóter também defendeu a adoção de um sistema brasileiro de rádio digital.
O MiniCom, juntamente com parceiros, realiza testes com os dois sistemas de rádio digital. O trabalho consiste em avaliar critérios relacionados à área de cobertura, condições de propagação específica das regiões brasileiras, robustez do sinal, qualidade do áudio e adequação do sistema à portaria que criou o sistema brasileiro de rádio digital. Os testes da tecnologia DRM devem terminar até março do próximo ano. Também deverão ser realizados testes com a tecnologia IBOC.
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Com informações da Assessoria de Comunicação Social
Ministério das Comunicações

