A teoria tem que se tornar prática

Há dez anos, um importante pesquisador do rádio mundial reafirmava a necessidade do veículo estar de mãos dadas com os ouvintes. A constatação de Nestor Garcia Canclini baseava-se em observações sobre o comportamento do público que interagia com as emissoras, desiludido com as burocracias estatais, partidárias e sindicais, recorrendo ao rádio para conseguir assistência, serviço ou simplesmente atenção as suas reivindicações. Canclini já lembrava que certamente, os meios de comunicação não são mais eficazes que os órgãos públicos, mas fascinam ao ouvir o que as pessoas sentem.
Apesar de averiguado esse papel da mídia, ele ainda não foi suficientemente instrumentalizado no dia-a-dia das emissoras. Estamos no mesmo empasse do cientista que descobre a cura para uma grave doença, mas não tem incentivos e meios para erradicá-la. Um dos caminhos para dar início a este processo pode partir da interação entre empresas de radiodifusão e as Universidades, que, paradoxalmente, são as únicas capazes de resolver este problema. As escolas de comunicação são as encubadoras dos novos talentos que poderão servir a dose necessária para a revitalização das linguagens radiofônicas. Não há outro lugar onde encontrar pessoas capazes de resolver a equação que embaraça a linguagem radiofônica, produzindo um grande ruído de repetições e gêneros inadequados a atualidade.
Os futuros profissionais das escolas de comunicação necessitam colocar em prática a produção acadêmica de alto nível em emissoras reais. Não é mais possível, o desperdício de talentos e de teorias aplicadas em sala de aula. Os empresários que ainda não abriram as portas de suas emissoras a estes estudantes podem fazê-lo sem receios. No entanto, é preciso fazer uma ressalva. É necessário que as empresas apostem no novo e dêem espaço a ele. O estudante não pode chegar ao mercado de trabalho e se restringir a repetição do que está posto. Ele é um jovem com padrão de comportamento diferente daquele que solidificou o rádio em diferentes épocas. Precisamos acreditar em sua capacidade de gerar novas programações. As universidades estimulam essa prática, treinam e oportunizam criações que ficam muitas vezes restrita aos seus arquivos.
O resultado deste trabalho pode significar a revitalização do meio, através de novos programas de notícias e a retomada, num formato diferenciado, de gêneros que já fizeram a cabeça de gerações. Novas vozes e sons podem significar renovação dos anunciantes e, principalmente, ouvintes que simplesmente trocaram o dial pelo CD e o MP3.


Rádio AGERT

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