Temos o que festejar?

Sim. A radiodifusão gaúcha tem um especial motivo para festejar. Nesta época turbulenta em que o Estado com voracidade centralizadora pretende assumir espaços essenciais pertencentes à sociedade civil organizada, sermos o único estado da federação a conquistar a liberdade de escolha para os nossos ouvintes, no horário da Voz do Brasil, merece um festejo, embora tímido. Tão grandes são as ameaças que pairam, ainda, sobre os meios de comunicação social.
Mas, a flexibilização da transmissão da Voz do Brasil para as emissoras gaúchas demonstra, tanto a determinação e competência da AGERT ao representar os milhões de ouvintes que tinham cerceada a sua liberdade, quanto a sensibilidade da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que julgou.
São paradigmas ultrapassados que se derrubam. São novos conceitos que enriquecem a sociedade. Aliás, falando em liberdade não são tão novos assim, já que esta é a mais antiga luta do homem.
Não existe na face da terra um Estado que, como o nosso, obrigue a todos os habitantes do território nacional a ouvir no rádio um mesmo programa, na mesma hora. Um triste resquício dos governos autoritários, que teima a permanecer para vergonha dos que o mantêm e desafio constante para a radiodifusão.
Quando falamos em radiodifusão, em veículos de rádio e televisão, estamos falando nas emissoras legalmente estabelecidas, que entendem a comunicação social como um indispensável instrumento de desenvolvimento.
A informação social é um bem transformador do indivíduo e da sociedade. Ela é capaz catalisar idéias multiplicando os resultados práticos das mesmas. Ela é um instrumento de ação social.
Neste sentido amplo, vemos com receio a tentativa do Poder Executivo de desestruturar o sistema da radiodifusão atual, na medida em que permite a proliferação anárquica de milhares de emissoras ilegais que invadem o espectro, silenciando aquelas que trabalham com responsabilidade social dentro da lei. Ou pior, ele mesmo concedendo freqüências em localidades plenamente atendidas.
Esta opção para a comunicação de massas, vinda do Estado assusta, mas não esmorece a radiodifusão legal.


Rádio AGERT

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