Jornalistas avaliam dois anos de governo Lula

Na quinta pesquisa realizada pela consultoria Macroplan sobre o Brasil e seus governantes, a maioria dos 58 profissionais de imprensa ouvidos para avaliarem os dois primeiros anos do governo Lula se mostrou otimista quando o assunto é políticas econômica e externa, embora a expectativa em relação à situação política do país tenha sido predominantemente negativa. A Macroplan conversou com editores, chefes de redação, repórteres especiais e colunistas de jornais, revistas, emissoras de rádio e TV de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Segundo a consultoria, a composição da amostra seguiu critérios qualitativos e não quantitativos, sendo voltada para um segmento de elevado e diferenciado poder de formação de opinião. Além de avaliarem o governo federal e também os estaduais, eles também revelaram suas expectativas para 2005.

As políticas econômica e externa tiveram um bom desempenho nessa primeira metade do mandato de Lula, segundo os jornalistas ouvidos. Setenta e seis por cento e 59% avaliaram como "bom" o desempenho do governo nesses dois pontos, respectivamente. A política externa sofreu uma queda de três pontos percentuais e a gestão econômica registrou um crescimento de 13 pontos percentuais se comparadas à avaliação feita em julho deste ano - o último ponto teve a melhor avaliação desde o início do governo Lula. Para 61%, a situação econômica deve melhorar em 2005.

Os jornalistas foram severos quanto ao combate à fome, à pobreza, à violência e à insegurança pública. Para 64%, o desempenho foi "ruim" na educação. A atuação em relação à pobreza e insegurança teve a pior avaliação desde que Lula assumiu a presidência do país. Foi assim também com a gestão política: 71% de rejeição - no início, o governo teve aprovação deste item de 80%. Cinqüenta e dois por cento acreditam que a situação política vai piorar no ano que vem.

A comunicação do governo continua sendo alvo de críticas: 69% consideram "ruim" a comunicação com a sociedade/administração de expectativas e 57% avaliaram como "ruim" a relação com a imprensa.

Numa escala de 0 a 10, o presidente e sua equipe receberam nota 6.

Nesta pesquisa, como nas outras, os profissionais puderam também avaliar o trabalho dos ministros. Antônio Palloci (Fazenda) continua com a melhor avaliação. Se em dezembro de 2003 ele tinha 71% das citações, desta vez ele recebeu 81%. Roberto Rodrigues (Agricultura) ficou em segundo lugar, com 55%, na frente de Luis F. Furlan (Desenvolvimento), com 50%. Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Humberto Costa (Saúde) foram eleitos os piores da equipe.

Apesar das críticas e das expectativas negativas em relação a alguns pontos, 64% dos entrevistados acreditam que Lula tem boas chances de se reeleger presidente em 2006 (entre 40% e 70%). Para 33%, as chances são superiores a 60%.

Quando o assunto é governos estaduais, quatro deles tiveram avaliação positiva: São Paulo (88%), Minas Gerais (78%), Rio Grande do Sul (58%) e Espírito Santo (54%). Pela quarta vez consecutiva o governo do Rio de Janeiro foi avaliado muito negativamente - 98% apontaram como "muito ruim + ruim". Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, é o preferido dos jornalistas - de 70% no início do governo ele pulou para 93% na metade da gestão. Rosinha Mateus (RJ) é considerada a pior, seguida por Joaquim Roriz (DF).

Para ler a pesquisa na íntegra, basta fazer um download no site www.macroplan.com.br, no link Observatório Macroplan – pesquisa jornalistas – 2º ano.

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