Representantes de mais de 500 entidades gaúchas e centenas de pessoas participaram na manhã desta sexta-feira da mobilização contra a Medida Provisória 232, que aumenta impostos, no auditório da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), em Porto Alegre. A elevada carga de impostos praticada pelo governo foi criticada pelos oradores que se revezavam no palco. Este foi o último ato público antes da votação do Congresso Nacional, que está previsto para o dia 29 de março, podendo haver recuo do governo, que já acena retirar a MP 232 e apresentar outra proposta.
Para o diretor da Fiergs e coordenador do Grupo Temático de Tecnologia, Torvaldo Antônio Marzolla Filho, o ato realizado demonstra a unidade de toda a sociedade contra a carga tributária. Para ele, o brasileiro não aceita mais esta cobrança descabida do governo. "O trabalhador brasileiro trabalha praticamente cinco meses por ano para pagar tributos e isso é inadmissível. A mais escorchante carga tributária praticada no mundo é paga pelos brasileiros, o que está deixando a indústria fraca, pois não tem para quem vender seus produtos", afirma Torvaldo Marzolla, lembrando que além de ser severamente onerado, o brasileiro tem de trabalhar e pagar pelos serviços a cargo do governo: segurança, saúde e educação.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, a MP 232 eleva de maneira muito forte a carga tributária do prestador de serviço, suprime direitos dos contribuintes para recursos aos conselhos de contribuintes, como também cria uma série de antecipações e retenções de tributos aumentando a burocracia tributária. "Se aprovada a MP232 da forma que foi elaborada, haverá o aumento do custo tributário do prestador de serviços que será repassado para a indústria e para o comércio e chegará no bolso do consumidor, que pagará em media mais 3,5% do preço final de mercadoria e de serviços", garante Amaral.
Para o deputado federal Pompeu de Mattos (PDT/RS), o governo reajustou a correção do imposto de renda com uma mão, mas aumentou a tributação em mais de 40% com a outra. "Trata-se do legítimo cavalo de Tróia", afirma. Já para o deputado Augusto Nardes (PP/RS), o governo está provocando uma convulsão social e a migração de trabalhadores para a informalidade.
As entidades empresariais e de trabalhadores do Rio Grande do Sul deverão se unir a outras do país, em Brasília, no dia 29, para buscar apoio parlamentar à rejeição da MP 232.
Informação: Trilha Revista Digital/Fiergs


