As exportações de produtos audiovisuais das produtoras independentes brasileiras de TV, como novelas, telefilmes, seriados e documentários, alcançaram mais de US$ 7,75 milhões no último ano, superando em as expectativas iniciais de US$ 6 milhões até maio de 2006. Estas previsões são fixadas pelo Projeto Setorial de Promoção e Exportação, primeiro projeto de exportação do audiovisual na área de serviços. Trata-se de uma iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de TV (ABPITV) e do governo federal, por meio da Apex e Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, além do Sebrae e da participação da rede pública de TV, representada pela TVE Brasil.
O projeto foi lançado em junho de 2004, durante o Fórum Brasil de Programação e Produção - um dos mais importantes encontros nacionais do mercado de produção audiovisual e negócios da TV e que terá sua sexta edição a partir de amanhã em São Paulo. "Estes valores são resultado da participação dos associados em importantes eventos como: Sunny Side of the Doc, Mipcom, entre outros", conta Marco Altberg, presidente da ABPITV.
O tema será novamente discutido no segundo dia do fórum, que este ano vai debater as oportunidades do mercado externo para a produção audiovisual de cinema e TV.
"A ABPITV e seus parceiros comemorarão no 6 fórum este primeiro ano do projeto. Há muito o que se alcançar, mas estes resultados já mostram que o Brasil está sendo reconhecido internacionalmente na área audiovisual." Os principais países que importaram produções audiovisuais brasileiras foram Chile, França, Kuwait, Itália, Estados Unidos, Espanha, Canadá, Japão, Polônia, México, Áustria, Portugal e Suécia.
"O mercado existia, o que não existia era uma ação integrada para alcançá-lo", afirma Altberg, que diz que até a formatação do projeto as exportações brasileiras das produtoras independentes eram esparsas. "Hoje vivemos um outro momento, o País está mais organizado em suas exportações e o audiovisual é um dos produtos de qualidade que podemos vender no exterior", analisa.
Para Altberg as produtoras independentes brasileiras vivem, hoje, um outro momento, estão mais fortalecidas. "Ao contrário dos outros países, no Brasil a produção de TV é feita pelas próprias emissoras. Agora é que as produtoras independentes de fato criaram força."
Fernando Dias, vice-presidente da ABPITV, que está à frente do projeto de exportação, conta que os produtos vendidos são os mais diversificados, desde produções já prontas como a novela "Metamorfose", produzido pela Teleimage e exibida pela Rede Record , que já iniciou uma carreira solo no exterior, até desenhos animados e co-produções como as que a Grifa executa com algumas empresas francesas.
Uma delas é uma série de paleontologia sobre a preguiça gigante da selva brasileira co-produzida com a Gedeon e outra com a também francesa Marathon, sobre a cidade abandonada de Fordlandia, no Pará. Trata-se de uma série de quatro cidades fantasmas do mundo em que o Brasil participa com um dos episódios.
Segundo Dias, há muito mercado para desenhos animados. "Com o nosso produto mais conhecido lá fora, o Brasil também começa a receber equipes de produtoras do exterior que querem usar nossa mão-de-obra e infra-estrututa das produtoras brasileiras. As exportações tornaram nossa qualidade conhecida e há também a questão de nossos preços serem compatíveis em razão das diferenças cambiais", explica. "As produtoras canadenses, por exemplo, realizam muitos sitcons para a TV americana usando locações e produtoras de países como o Brasil, o que representa bons negócios."
O 6 Fórum Brasil de Programação e Produção, que acontece entre amanhã e quarta-feira, é realizado pela Converge Eventos e pelas revistas segmentadas Tela Viva e Pay-TV e vai reunir no ITM Expo, em São Paulo, durante seus dois dias, os principais executivos e líderes da TV aberta, TV por assinatura, produtoras audiovisuais, agências de publicidade e anunciantes, fornecedores de tecnologia, governo e analistas de mercado.
Em sua sexta edição, o fórum vai explorar o futuro da TV em quatro fronteiras: geográfica, tecnológica, negócios e linguagem. "Serão discutidos limites e perspectivas e como cada elo da cadeia de produção e distribuição de conteúdos audiovisuais pode se beneficiar e ampliar seus negócios e receitas", diz Altberg. Os principais executivos do mercado audiovisual vão discutir ainda "As novas fronteiras da televisão".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Regina Neves)


