“Rádio; mais de 80 anos, mas com corpinho de 18”

Tenho defendido a tese que somos o segundo maior país em mídia do mundo. Quando afirmo isto, refiro-me a quantidade de meios, diversidade de veículos e consumo deles. Esta estrutura começou a ser montada há várias décadas, no início com jornais e revistas, depois veio um grande avanço com a mídia eletrônica, o rádio e televisão. O rádio, que se transformou rapidamente na primeira mídia de massa, foi superado pelo advento e competência da televisão.

Afortunadamente, nosso país seguiu o mesmo rumo do mercado americano, permitindo a privatização das empresas de mídia eletrônica e hoje somos referência mundial. Apenas para registro, Europa e Ásia, optaram pela estatização e hoje, retornam tardiamente para o nosso modelo privatizado. Hoje no Brasil temos mais de três mil emissoras de rádio, cinco redes de televisão, quinhentos títulos de jornais diários e mais de mil títulos regulares de revistas. Temos também uma excelente estrutura de mídia exterior, mas o que mais me chama a atenção é nosso domínio e competência na internet; Observem que os portais líderes no país são autenticamente brasileiros, muito deferente de outros países, que por falta da estrutura em mídia, ficaram comprometidos e refém da mídia globalizada.

Quem ajudou muito neste avanço e na conquista desta excelência, foram os recursos publicitários. Este fato, que por sinal é pouco observado, viabilizou, no caso da mídia eletrônica, um conteúdo de qualidade e com grande diversidade, tudo a custo zero ao consumidor. O mesmo podemos dizer sobre a mídia impressa, pois sem os investimentos em publicidade, ela teria seus custos elevados em mais de 50%, o que refletiria negativamente no desempenho da mídia impressa. Lembro que os investimentos anuais em propaganda no Brasil superam seis bilhões de dólares.

Fiz questão de registrar este fato, pois estamos, exatamente neste momento, entrando em uma profunda e fantástica revolução no setor. A principal razão é o novo padrão de vida do cidadão moderno. Hoje em dia, diferente de alguns anos atrás, a população se tornou exageradamente ativa, um bom exemplo, é a mulher no mercado de trabalho; Segundo informação do governo brasileiro, elas já representam quase cinqüenta por cento dos trabalhadores com carteira assinada. Nem vou falar da economia informal. Outra demonstração é os jovens, que conquistaram enfim, a oportunidade em estudar e neste sentido, também estamos batendo o recorde de jovens freqüentando as salas de aula. Esta nova civilização está se tornando muito móvel. Agora acordamos mais cedo, para uma necessária caminhada, ou ginástica. Muitos já não voltam para casa na hora do almoço e as grandes maiorias, no caos do final do dia, não conseguem retornar rapidamente e assim, diversos optam, por trabalhar um pouquinho mais, ou fazer compras, passear, ir ao cinema, etc., até porque eles agora detêm mais renda também. Ah! É evidente que tendo mais renda eles adquiriram automóveis e de novo, estamos batemos novos recordes de trânsito no país.

Bem, agora já podemos começar a falar da revolução na mídia; O meio rádio, por exemplo, já é líder em audiência e horas consumidas, ou seja, desbancou a televisão, mas isto é tão absurdamente surpreendente, que ninguém está acreditando. Não é porque a televisão ficou ruim de repente, mas sim, a impossibilidade em assisti-la, enquanto mantemos atividades. Fundamental entender que a tv, o jornal, a revista e mesmo a internet exigem nossa absoluta atenção, são mídias egoístas; O rádio não! É o único meio de comunicação que pode ser consumido enquanto mantemos atividades paralelas, dirigir, estudar, caminhar, trabalhar, etc., aqui reside seu sucesso. Como uma fênix, ele voltou revigorado, segmentado, exatamente como o ouvinte queria. E não é só isso. Ele faz algo maravilhoso para os anunciantes; o mais baixo custo por mil entre os meios e uma excelente dobradinha com outros meios, notadamente com a tv. No mercado americano é comum aos anunciantes utilizarem a tv à noite, mas pela manhã e tarde, período de liderança absoluta do rádio, eles reforçam significativamente as mensagens no rádio, viabilizando inclusive a fixação da mensagem da tv. É a multiplicação de mídia.
Outro benefício, surpreendente gerado pelo meio rádio, é o “Recency”; que poderia ser traduzido por “recenticidade” da comunicação. Novos estudos publicitários dos EUA registram a importância na comunicação contínua, pois jamais sabemos os momentos de decisão por parte do consumidor. Só para dramatizar, a decisão da compra ou troca de um automóvel, pelo consumidor, pode levar extensos seis meses de maturação. Neste sentido, não vale mais exclusivamente buscar apenas o “share-of-mind” da marca, mas sim influenciar o consumidor, na hora em que ele estiver mais propenso. De fato, já conhecíamos isto no ponto de venda; Especialistas afirmavam que até oitenta por cento das decisões de compra, ocorrem dentro do ponto de venda; o último “Recency”. Lembre-se o rádio e a mídia exterior, são os penúltimos a levarem informações aos consumidores e, portanto podem e devem desempenhar sua função publicitária.

Quem também está reforçando o crescimento da importância do rádio, é o maior e mais badalado festival de publicidade do mundo. O Festival de Cannes deste ano, pela primeira vez, depois de seus cinqüenta e três anos de criação, se dobrou ao meio e premiarão os publicitários, com os famosos leões bronze, prata e ouro.
Sei que pode parecer estranha esta minha avaliação, mas para dar mais suporte ao raciocínio, vou comentar o que acabei de constatar na NAB – National Association Broadcasters, maior feira de rádio e tv, que ocorreu em Las Vegas, em abril passado. Lá constatei o quanto complexa se tornará esta revolução na mídia. A palavra de ordem era o “Podcasting” capacidade em fazer baixar arquivos, não de música, mas sim de programas de rádio. As turmas do iPod e MP3, perceberam que poderiam manter em seus aparelhos, programas irradiados no rádio, para ouvirem na hora que quiserem e quantas vezes quiserem. Também a digitalização do AM e FM, que assim como nos celulares atuais, já permitem o envio de rádio análogo e digital concomitante, bastando ao consumidor adquirir um aparelho com estes recursos. Importante observar, que o modelo americano não obriga ao consumidor trocar de aparelhos, ou seja, se desejar, poderá continuar ouvindo suas emissoras no formato análogo.

Outro incrível fenômeno, e que não para de crescer nos EUA, é o rádio por assinatura para automóveis. São enviados diretamente dos satélites e tudo com qualidade digital. O líder é o precursor, XM Radio, que já mantém em sua carteira mais de quatro milhões de assinantes. Ele é seguido de perto pelo Sirius Radio, que já detém um milhão e meio de assinantes. Ambos enviam mais de duzentos canais de rádio proprietários aos automóveis dos usuários. Note que todos assinantes pagam US$ 12,90 por mês pelo serviço e tudo sem regulamentação. As projeções de especialistas americanos são para mais de vinte milhões de assinantes. Isto me faz lembrar um colega, filho de publicitário e que se dizia investidor em mídia; Quando comentei com ele, isto há quatro anos atrás, sobre as oportunidades deste sistema, ele foi categórico; Não dará certo; pois a conta não fecha! Portanto, pense bem quando for fazer análise sobre o futuro do rádio e não deixe de levar em consideração o título da matéria recente da Veja; “A nova era do rádio”.


Rádio AGERT

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