Cada vez que alguém compra um produto pirateado está, certamente sem saber,
tirando o emprego de um trabalhador formal, reduzindo a competitividade da indústria brasileira e, também, golpeando duramente o dinamismo da economia.
Esse rito perverso, que estranhamente vem se tornando recorrente com o
incentivo de autênticos shoppings informais instalados em capitais e cidades do Interior do País, precisa acabar. E, para isso, é necessário que governo, empresariado e a sociedade caminhem juntos, numa mesma proposta de ação.
Eis a principal mensagem da entrevista de André de Almeida, que agora publicamos no site do Instituto ETCO. Organizador do Fórum Permanente de Entidades que se mobilizam contra as práticas de Pirataria, Almeida, advogado de profissão, defende campanhas de ampla envergadura e profundidade para conscientizar a população, assim como o rigoroso exercício da lei. Como ele afirma, do alto da experiência de mais de uma década de intenso trabalho em defesa da ética na concorrência: "A impunidade semeia a pirataria geometricamente."
A entrevista de André de Almeida se torna tão mais atual quando se constata que suas lúcidas avaliações e propostas vêm à luz num momento em que o Brasil caminha para uma nova e promissora aproximação com a China. Basta uma rápida olhada nas palavras do entrevistado para constatar que a China deseja integrar-se às regras do comércio internacional, que prega o intransigente respeito à propriedade intelectual, mas é na atualidade um dos países onde o drama da pirataria grassa com maior intensidade.
Nesse contexto, a proteção da indústria brasileira deve ser considerada como
prioridade em qualquer negociação que se proponha a ser benéfica para o País. Que venham os produtos chineses em escala crescente, mas que o rigor da fiscalização seja igualmente crescente. Claro, o problema da pirataria entre nós tem intensas relações com o círculo vicioso que se alimenta dos impostos elevados e de uma cultura de complacência com a informalidade própria do consumidor brasileiro.
Tanto é assim que os shoppings informais se tornaram uma autêntica febre, inclusive em Brasília, a Capital da República. Na Bahia, por exemplo, funciona ao lado da Associação Comercial, que é a mais antiga do País.
Contudo, é indispensável que os desafios sejam vistos de forma mais ampla e associada também ao conjunto das relações internacionais do Brasil. É o que
têm feito os Estados Unidos e os países da Europa.
Os números são, de fato assustadores: em dois anos a pirataria cresceu 50% no mundo. No Brasil, segundo dados do Banco Mundial, e do governo federal, consome entre 35% a 40% da renda nacional.
É ambiente perverso que não pode persistir. Daí, a importância de ouvir
vozes como a de André de Almeida. E, como ele, dizer não aos piratas urbanos.
Informação: www.etco.org.br


