Em audiência pública do Conselho de Comunicação Social, o presidente da TIM Brasil, Mário César Pereira de Araújo, e o conselheiro técnico da Sygnus e consultor da Rede Fácil/Unibanco, Claudionor Coelho, defenderam na manhã ontem a busca de pontos de convergência entre as empresas de comunicação novas e tradicionais.
Integrantes do conselho e os convidados concordaram que a regulamentação da área de telecomunicações não mais condiz com a realidade.
Pela Constituição de 1988, as empresas de radiodifusão sonora e de sons e imagens dependem de outorga da União. Com o advento da internet, que chegou ao Brasil em 1993, e com o crescimento da transmissão de sons e imagens, as empresas de radiodifusão passaram a temer a crescente concorrência que não estava prevista na legislação.
Recentemente, as operadoras de telefonia, que originalmente apenas transmitiam voz, adquiriram tecnologia para transmissão de imagens. Para o Conselho de Comunicação Social, o desafio do Legislativo será agora propor legislação que preserve o conteúdo nacional neste ambiente convergente.
Conteúdo
O presidente da TIM afirmou que as empresas de telecomunicações não têm interesse em produzir conteúdo (filmes, novelas, jornais, etc.), atribuição que continuará com as empresas de mídia. O empresário também ressaltou que as operadoras de televisão ainda podem investir na adaptação de conteúdos para serem transmitidos por celular. "Ninguém baixaria no celular um capítulo inteiro de uma telenovela, mas um resumo todo mundo quer", exemplificou.
Araújo avalia que a integração dessas empresas pode gerar diversos benefícios para a sociedade, especialmente a melhoria na qualidade dos produtos e a redução dos preços. Para o executivo, as emissoras que usam transmissão por radiodifusão e as empresas de comunicação que usam novas tecnologias devem buscar a convergência, mas cada uma em sua própria área de competência.
A TIM já fez parcerias com emissoras como Globo, Bandeirantes, TV Câmara e TV Senado. Segundo Araújo, o negócio ainda não é lucrativo e representa apenas 1% do faturamento da empresa. O empresário espera que em cinco anos os serviços multimídia pelo celular já estejam mais acessíveis.
Banda larga
O presidente da TIM observa ainda que o desenvolvimento e a integração dos meios de comunicação no Brasil dependem da universalização da banda larga, presente hoje em apenas 9% dos domicílios, enquanto a TV alcança 91%. Por meio da banda larga, a transmissão de conteúdo na internet é mais rápida, facilitando a troca de vídeos, por exemplo.
Araújo lembrou que, nos países desenvolvidos, entre 25% e 30% dos domicílios já contam com a banda larga. Segundo o executivo, quase todos os coreanos já dispõem da tecnologia por conta de incentivos do próprio governo.
Oportunidade
Para o conselheiro técnico da Sygnus, o crescimento da demanda por conteúdos específicos é uma grande oportunidade para as pequenas empresas da área de comunicação. O consultor explica que houve um crescimento de demandas por conteúdos diversificados que as grandes emissoras não conseguem atender por causa de sua programação padronizada. "A Internet é um meio completamente difuso e permite que pequenas empresas consigam publicar conteúdo", afirmou. Coelho defendeu, entretanto, a concessão de incentivos fiscais para os pequenos empresários do setor e a adequação da legislação, que, segundo ele, é "excessiva" em algumas áreas, mas apresenta lacunas em outras.
Informação: Agência Câmara


