Após receber e aceitar o convite do Ruivo para escrever o artigo dessa edição do Jornal da AGERT, me deparei quase sem tempo, com viagem marcada e, pior, sem nenhuma inspiração. Escrevi um texto, rasguei e um segundo - muito técnico - vi que estava sendo repetitivo, falando de coisas já há muito batidas e debatidas no meio radiodifusor como a metodologia que o IBOPE emprega para aferir a audiência no meio rádio, o que acaba gerando uma forte distorção no número de ouvintes que consomem o meio ou o levantamento do IBOPE MONITOR que afere o investimento aplicado em Propaganda, onde o meio rádio não atinge mais do que 5% do bolo total do PIB publicitário. O que fazer? Aí liguei para um amigo, meu companheiro de rádio de vários anos e pedi ajuda. De pronto esse meu amigo me repassou um e-mail com algumas sinalizações e junto à letra da música Amigo, do Roberto Carlos.
Acredito que todos conheçam, mas vale a pena reproduzir e vocês vão entender no final.
" Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de homem, mas o coração de menino, aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou
que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o
mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca
estive sozinho
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é o mais
certo das horas incertas
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber, que você é meu amigo
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber que eu tenho um grande amigo "
Que bom que eu liguei para esse amigo. Não poderia haver um link mais perfeito. O Rádio é por excelência um Amigo e Companheiro e esse meu Amigo um grande companheiro com quem aprendi realmente a conhecer rádio.
Sempre fui um consumidor de rádio. Nunca um conhecedor. O Toninho Rosa, esse um apaixonado, pesquisador e incentivador do meio rádio há muitos anos diz que o ”Caos urbano favorece o rádio” e que o meio é “o único que pode ser consumido, viabilizando atividades paralelas e por isso mesmo, já é identificado no mundo todo como o meio do futuro”. Esse mesmo meio que recentemente com o surgimento da Internet – segundo grandes consultores, estava com seus dias contados.
Ao contrário dessas profecias o meio rádio se renovou e com o surgimento da internet se revigorou, retomando seu espaço junto com os meios mais tradicionais como Televisão e Jornal. Toda a potencialidade do rádio e suas características intrínsecas – portabilidade, agilidade e meio regional por excelência – são a cada dia mais valorizadas e reconhecidas.
Nessa nova rotina onde acordar cedo e dormir tarde tornou-se uma constante na vida das pessoas, o rádio é o amigo de todas as horas. É com ele que a gente acorda, é informado sobre as condições do tempo, o trânsito, se o seu vôo vai atrasar, a greve que foi deflagrada na madrugada ou os maiores conflitos internacionais como a guerra do Golfo, onde o então produtor Alexandre Aguiar informava na Rádio Gaúcha, com absoluta exclusividade durante a madrugada, o início da Guerra do Golfo.
Com o meu amigo (o amigo, não o meio) compartilhei bons anos viajando pelo interior do RS e SC buscando entender e aprender um pouco mais sobre as características de cada mercado.
Nessas viagens nossos assuntos preferenciais SEMPRE eram o meio rádio ou o Futebol o que normalmente gerava discussões acaloradas, pois cada um entendia que o SEU time era o melhor. Mas isso é um outro assunto. Conhecemos e vivenciamos uma outra realidade com o rádio do interior e a sua força como meio de integração regional e prestador de serviço. Não raras vezes sintonizados nas emissoras locais ouvíamos que ”O Pedro avisa que chega no ônibus das 11 horas e está levando a encomenda. Favor apanhá-lo na Rodoviária” ou que ”A Perdigão informa ao produtor Gelson da Silva da Granja Verde de Chapecó que o caminhão passa às 05 horas da manhã para recolher os frangos”.
Está certo, estou falando de 10 anos atrás, hoje todo mundo tem celular, a internet invadiu o campo e isso realmente é coisa do passado, certo? Pois eu comprovei no final do ano passado, passando por essa mesma região e sintonizando a rádio local de Chapecó quase uma repetição daquela mesma mensagem. Esse é o rádio, amigo, próximo e um forte canal de integração regional.
Meu amigo Valter Gonçalves dos Santos, obrigado pela dica de falar sobre rádio dessa forma tão amiga e tão próxima e ”Não é nem preciso dizer, tudo que eu lhe digo ...””


