TV Digital no País de 92,4 milhões de celulares

O Brasil continua sendo mesmo um quase continente com muitos contrastes. Estamos para formalizar acordo com o Japão, pelo qual implantaremos aqui a TV Digital com padrão da tecnologia nipônica.

A exigência nacional foi aceita pelo governo japonês, pelo banco de fomento, o JBIC, e industriais japoneses, total de 16 pessoas, que estiveram em Brasília. A disputa, acirrada, foi entre o sistema dos EUA, o europeu e o do Japão. Dia 29, estará no País para formalizar acordo o ministro das Comunicações japonês, Heizo Takenaka.

O Brasil pediu a inclusão, em contrapartida à adoção do modelo, que os japoneses utilizem as inovações tecnológicas desenvolvidas pelos pesquisadores nacionais, sendo criado o Sistema de TV Digital Nipo-brasileiro. Também caberá ao Japão dar todo apoio na montagem aqui da cadeia produtiva de semicondutores, que são equipamentos eletroeletrônicos, num prazo máximo de cinco anos.

Um dos softwares desenvolvidos em nossas universidades e centros de pesquisas trata-se da modulação, que é a transmissão de sons e imagens da TV Digital, que leva o nome de MPEG4. Esta variante brasileira é considerada mais econômica do que os produtos similares hoje existentes no mercado.

Mas, mesmo com o presidente Lula batendo o martelo em favor da tecnologia nipônica para a TV Digital, transcorrerão dois anos para que os novos aparelhos de tevê e os conversores estejam à venda nas lojas.

Outra decisão importante de Brasília é a de que serão criados três centros de desenvolvimento na área de semicondutores, sendo um de design, um segundo, de aplicativos, os softwares, e uma fábrica. Também caberá ao Japão formar a mão-de-obra especializada, com muito intercâmbio e desenvolvimento neste setor tão importante.

Ora, produzir semicondutores é fundamental ao progresso. Da mesma forma que estamos avançando na tecnologia dos aparelhos celulares, que hoje são 92,4 milhões, num Brasil que, segundo o último dado disponibilizado pelo IBGE, tem 186,505 milhões de habitantes.

Outra ponta em que avançamos é o da tevê a cabo e da internet banda larga. Aliás, há mais usuários da banda larga, 4,5 milhões, do que de tevê a cabo, que somam apenas 4,3 milhões, mas onde as ligações clandestinas são aos milhares, talvez milhões, segundo alguns, um dos motivos do alto custo do sistema.

Além disso, é importante que o programa de levar luz para todos os recantos do País não seja abandonado. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul ainda temos vazios de eletricidade, não permitindo que o conforto e a mídia televisiva chegue a milhares de gaúchos.

Nesse sentido, a parceria entre o governo do Estado, as geradoras de energia e o governo federal está resultando no fornecimento de eletricidade aos recônditos do Estado, integrando pessoas ao conforto da luz, do refrigerador, do rádio e da tevê sem a necessidade de baterias. É um grande avanço e que não pode esmorecer.

Para culminar este progresso tecnológico, é importante que os programas assistenciais não sejam meta, um fim em si, mas apenas um trampolim no rumo do emprego, do trabalho, da ocupação formal em todo o Brasil. Temos de educar para o trabalho, esforço, formação profissional e cívica, onde todos saibam que não é possível viver sempre esperando as benesses dos poderes públicos.

Os governantes devem ser os primeiros a dar exemplo, evitando tratar a tudo e a todos com políticas de coitadismo, com a gratuidade disfarçada, pois ao fim quem banca as bondades são os que, empregados formalmente ou empresários, pagam pesados impostos, nos três níveis de governo.





Informação: Jornal do Comércio


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