As primeiras transmissões do Sistema Brasileiro de TV Digital poderão ser iniciadas no prazo de seis meses a contar da próxima semana, quando o governo deverá anunciar a escolha do padrão tecnológico que será adotado no país.
A definição desse prazo vai depender ainda da abrangência do decreto, ou seja, da definição ou não de quais inovações o Brasil irá incorporar das pesquisas nacionais ao padrão escolhido, principalmente se elas alcançarem o sistema transmissão, e não só de recepção dos sinais.
A informação é de representantes das emissoras de TV após reunião com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das Comunicações, Hélio Costa no Palácio do Planalto. Assim como a indústria, as emissoras de TV também esperam que a regra que será definida mo decreto que está sendo elaborado pelo governo seja a mais completa possível.
Essas primeiras transmissões, no entanto, deverão ficar restritas a uma ou duas capitais, que ainda serão escolhidas, e chegarão a todo o país gradativamente, no prazo de até dez anos, período previsto para a transição do sistema analógico (atual) para o digital.
Além de ficar limitada geograficamente, a transmissão digital também dependerá de equipamentos importados inicialmente para que seja possível receber o sinal, já que a indústria brasileira estima que precisará de aproximadamente um ano após a incorporação das inovações (o que também levaria entre seis meses e um ano) para a produção de receptores (conversores e TVs) de TV digital no sistema brasileiro, ou nipo-brasileiro, como já classificam alguns técnicos.
Segundo o diretor-executivo do SBT, Guilherme Soliar, as emissoras terão que substituir cerca de 5 mil transmissores espalhados pelo país a um custo que varia de US$ 30 mil a US$ 5 milhões por equipamento.
O presidente da Rede Bandeirantes, João Carlos Saad, afirmou que cerca de 90% dos equipamentos utilizados pelas emissoras de TV serão adquiridos no país, e o restante terá que ser importado. Já os receptores serão produzidos integralmente no país.
"O governo caminhou um bocado", disse Saad, após o encontro com Dilma e Costa. Segundo ele, na reunião de hoje foram discutidos prazos para a implantação e transição para a TV digital, mas ele negou ter conhecimento sobre o conteúdo do decreto.
A indústria também deverá ser ouvida nos próximos dias, e depois os radiodifusores voltarão ao Planalto para tentar fechar um cronograma com o governo.
A partir da definição do padrão tecnológico, deverá ser criado um fórum ou uma espécie de consórcio brasileiro com representantes de todos os envolvidos na implantação e desenvolvimento da TV digital para que haja uma discussão permanente não só sobre a implantação, mas também sobre a evolução do Sistema Brasileiro de TV Digital.
Negociações
O governo ainda faz segredo sobre os desdobramentos das negociações com os técnicos japoneses com quem negociaram em Brasília desde a última segunda-feira.
Técnicos do governo brasileiro esperavam fechar um acordo ontem à noite, mas no início da tarde de hoje ainda havia um impasse sobre como as inovações brasileiras para a TV digital seriam tratadas no documento.
Isso porque, ainda não está claro se as inovações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros serão definidas imediatamente, ainda no decreto, ou se serão introduzidas ao longo do tempo.
A tendência é a de que as primeiras transmissões sejam feitas com tecnologia idêntica à japonesa, ou com poucas inovações, e que aos poucos sejam incorporados os resultados da pesquisa brasileira.
Segundo Saad, a expectativa é a de que a indústria produza inicialmente equipamentos receptores simples para ganhar escala de produção, e depois parta para produtos mais sofisticados.
Participaram da reunião no Planalto representantes das redes de TV "Globo", "SBT", "Bandeirantes", "Rede TV", "CNT", "Rede Vida", "Cultura" e "Record".
Informação: Folha Online


