Um dos pontos mais polêmicos do debate sobre regulação de serviços futuros de comunicação no Brasil realizado nesta quinta, 3, na ABTA 2006, foi a questão do financiamento da produção independente e da possibilidade de ampliação deste mercado com a TV digital. As entidades Intervozes e ABPI-TV provocaram o assessor especial da Casa Civil André Barbosa. Acusaram o governo de não ter ouvido as entidades de representação social e de não deixar claro de que forma será estimulada a introdução de conteúdos independetes no universo da TV digital.
A discussão acabou na questão dos financiamentos da produção independente. Casa Civil e Ancine manifestaram-se, lembrando a criação do Fundo Setorial do Audiovisual, cuja proposta está no Congresso. Para as entidades, os recursos seriam insuficientes. A Casa Civil deixou claro que não existe possibilidade de que estes mecanismos de fomento onerem as empresas de radiodifusão. "O que vocês querem, que se taxe a televisão?", perguntou André Barbosa. "Por que não?", gritou-se da platéia.
Modelo viável
Perguntado se a TV por assinatura teria formas de absorver a produção independente e financiá-la, Francisco Valim, presidente da Net Serviços, lembrou que operadores de TV a cabo levam hoje um número considerável de canais obrigatórios e têm canais que são alugados para produtores independentes. "Infelizmente, os que vêm até nós com uma proposta de negócio viável são os canais de venda de tapete, por exemplo. Talvez eles tenham um modelo econômico mais viável, e isso falte a produções de outra natureza", disse, declarando-se, contudo, despreparado para debater o assunto.
Informação: TELA VIVA News


