VANESSA NUNES
A televisão digital irá revolucionar a maneira como o brasileiro assiste aos seus programas preferidos. Possibilidade de vê-los no celular, interatividade e melhor qualidade de som e imagem são só alguns dos avanços do sistema.
- A TV digital é uma revolução gradativa. Não será de um dia para outro que as pessoas vão começar a ver TV de uma forma completamente diferente. A própria audiência vai ajudar a construir uma nova televisão - avalia o assessor da direção geral da Central Globo de Engenharia, Carlos Brito, há 12 anos envolvido no assunto.
Para apresentar as novidades dessa tecnologia, Brito estará no RBS Debates desta terça-feira, com o tema "TV Digital. Mais do que uma evolução, é uma revolução". O evento será às 19h30min, na Pontifícia Universidade Católica do Estado. Na sexta-feira, Brito conversou com Zero Hora por telefone:
Zero Hora - Qual é o principal ganho que o telespectador terá com a TV digital?
Carlos Brito - As emissoras apostam que a grande novidade é o salto na qualidade de imagem, como foi na troca da TV preto e branco para a TV a cores. Em um mesmo tamanho de monitor, vai ter duas vezes mais linhas e três vezes mais colunas. São seis vezes mais informação. E se vai ter um som com seis canais. Num jogo de futebol, por exemplo, você consegue ouvir o som de cada torcida de um lado. Em termos de áudio, é como se conseguisse colocar o telespectador dentro da tela.
ZH - Uma das possibilidades é oferecer mais de um programa, simultaneamente, em um mesmo canal. As emissoras estão preparadas para isso?
Brito - Não acreditamos nesse modelo de múltiplos programas. Além de dividir a qualidade técnica da imagem, você não consegue manter a qualidade da programação, porque o custo para fazer dois programas com qualidade similiar é praticamente o dobro. Não é porque a gente terá quatro canais que as emissoras vão faturar quatro vezes mais.
ZH - E quanto à mobilidade e à portabilidade?
Brito - Vai ser possível ver TV em movimento, em terminais portáteis. Grande parte das receitas das emissoras está no horário da noite, quando as pessoas ficam em casa. A TV móvel abre perspectiva de que aumente a audiência de dia. As pessoas vão poder ver TV em qualquer lugar. Será possível ter um dispositivo com TV sempre junto da pessoa. Um equipamento, por exemplo, que é o seu celular, é a sua câmera fotográfica e é a sua TV.
ZH - Teremos uma TV mais próxima da Internet?
Brito - TV interativa não é levar Internet para a TV. A forma de consumir televisão é completamente diferente da forma de interagir com a Internet. Certamente, um pouco das experiências que as pessoas têm na Internet poderão ter na TV. Poderá coletar informações adicionais sobre um programa e fazer comércio eletrônico pela televisão, por exemplo. Mas ainda não houve uso interativo da TV digital que tenha sido uma explosão de sucesso.
ZH - O valor dos equipamentos não compromete a popularização do novo sistema?
Brito - A inovação é paga por quem pode, e isso dá escala para que o preço, ao longo do tempo, se torne acessível. A mesma crença que tínhamos de que o celular ia se popularizar, temos na TV digital. Em cinco anos, a televisão será muito melhor do que é hoje e estará nas casas de baixa renda. Se não for daqui a cinco anos para chegar na classe D e E, vai ser daqui a seis, sete anos. Pretendemos que a TV digital seja uma televisão melhor na casa de todos.
Informação: Zero Hora

