A revolução digital vivida mundialmente nos últimos 10 anos obrigou as empresas de comunicação e de telecomunicações a revisarem todos os seus modelos de negócios para manterem-se atuantes em um mercado cada vez mais disputado e veloz.
A telefonia, em especial, foi a área mais afetada em termos tecnológicos, absorvendo bilhões de dólares em investimentos na substituição das redes analógicas para digitais e buscando soluções inovadoras através de novos serviços que justificassem estes investimentos.
Grandes transformações mercadológicas surgiram a partir de 2003 nos Estados Unidos, com uma acirrada disputa entre empresas de telefonia -quase sempre lentas e omissas na compreensão do que os usuários desejam- e empresas de TV a Cabo, que invadiram o valioso mercado da telefonia fixa oferecendo o serviço de VoIP, ou Voice Over IP (tráfego de voz via Internet).
Este briga deu o start em um sofistificado e complexo conjunto de estratégias destinadas a capturar o market share de novos negócios, referenciados no conceito triple play, onde são ofertados serviços de transmissão de dados, voz e vídeo. Foi a "revanche" das operadoras de telefonia fixa sobre as móveis.
Nos países desenvolvidos, a partir de 2004, as redes wireless rapidamente foram aplicadas aos pacotes de serviços residenciais e corporativos oferecidos pela operadoras abrangendo os mercados de telefonia, TV a cabo e Internet. Daí para frente diferentes modelos de comunicação e conectividade não pararam mais de surgir, em uma velocidade assustadora.
Foi quando as operadoras de telefonia fixa do Brasil, após uma profunda recomposição de forças societárias e uma inevitável revisão de conceitos mercadológicos, decidiram investir pesado no mercado de conectividade para aumentar suas bases de assinantes e, consequentemente, suas receitas.
Rapidamente a banda larga transformou-se no melhor investimento para estas empresas e redesenhou as estratégias de planejamento trazendo novos e lucrativos modelos de negócios.
As operadoras tradicionais de telefonia compreenderam a importância de dominar os processos de network connection para transformar os serviços de transmissão de voz em transmissão móvel de dados.
A genial idéia de transmitir voz criada por Alexander Graham Bell em 1876 teve, então, ficha e cadastro aceitos para uma aposentadoria tranquila e definitiva. Sucumbiu aos novos dispositivos de comunicação que nos oferecem serviços de voz, músicas, fotos, vídeos, textos, pagamentos e, muito em breve, controle on-line de eletrodomésticos, automóveis e sabe-se lá o que mais.
As empresas de telefonia móvel sabem que está criada uma nova cadeia de valores, onde conectividade, interatividade e convergência transformaram-se em commodities que necessitam urgentemente terem marcos regulatórios consolidados e exigem profundas pesquisas e estudos que permitam a construção de modelos eficientes de negócios.
Dentro deste novo ambiente mercadológico que incide diretamente sobre os planejamentos das empresas de entretenimento e telecomunicações, surge ainda um novo e instigante serviço chamado IPTV, ou sistema de TV digital disponibilizada pela Internet através de uma conexão de banda larga.
O Brasil já possui 4,8 milhões de usuários de banda larga, mercado que alcançou um crescimento de 60% em apenas um ano. Ainda temos um índice individual de acesso pequeno de 2,5 para cada 100 habitantes, mas as previsões de crescimento nos próximos 10 anos são espetaculares.
Videos sob demanda, serviços integrados, jogos, interatividade e, fundamentalmente, novas receitas de publicidade, vão trazer enorme foco para o debate sobre a definição de um modelo de negócios para IPTV no Brasil. E a telefonia fixa, tenham certeza, está com seus dias contados.
Fonte: Coletiva.net

