Entre os problemas apontados no documento está a dificuldade de adaptação que o processo de digitalização poderá trazer para a maior parte das emissoras. As pequenas e médias instaladas no interior, as educativas e as comunitárias não teriam recursos suficientes para investir na tecnologia digital. De acordo com os autores, o objetivo do manifesto é expressar o desejo de que a oportunidade tecnológica sirva ao bem comum e ao desenvolvimento do país.
Os 72 pesquisadores se dizem preocupados com o fato de que os testes com o padrão digital IBOC (in-band on-channel) sejam realizados por emissoras autorizadas sem a utilização de uma metodologia ou padronização de critérios e procedimentos compatíveis com as condições brasileiras. Segundo eles, “a ausência de uma padronização impede a obtenção de resultados consistentes dos experimentos que permitam saber com segurança se, por exemplo, o padrão em teste provoca ou não interferência mútua entre os sinais digital e analógico”. Os professores também afirmam que é possível identificar alguns problemas de adequação do padrão IBOC às características de cada localidade, como edificações e topografia e problemas de poluição radioelétrica.
Os autores da carta criticam ainda o pedido de ampliação do uso de espectro de 200 kHz para 250 kHz apresentado em julho de 2007 pela iBiquity, proprietária norte-americana do padrão IBOC, junto à Federal Communications Commission (FCC). “Se for concedida pela FCC, a ampliação de freqüência poderá significar a redução de cerca de 30% no total de canais em freqüência modulada hoje disponíveis no país”, afirma o documento.

