A propaganda de todos os analgésicos será suspensa por tempo indeterminado por orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo é impedir a superdosagem de medicamentos, em especial o paracetamol, o que pode levar à complicações médicas em alguns pacientes com dengue. A preocupação inicial partiu do ministro Saúde, José Gomes Temporão, durante a inauguração de mais uma tenda de hidratação na tarde de ontem (06/04), na Penha, com o governador Sérgio Cabral. A nota da Anvisa foi direcionada à Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) e é clara ao recomendar que "o uso desses medicamentos pode retardar os sintomas da dengue, dificultando o diagnóstico e atrasando o tratamento da doença. O correto, segundo o ministro, é procurar um médico: – Há o risco de a pessoa tomar uma dose excessiva e isso causar problemas tão graves quanto a dengue” – explicou Temporão.
COMPLICAÇÕES NO FÍGADO
A recomendação da Anvisa inclui os medicamentos que utilizam o paracetamol. A preocupação é porque nesta epidemia, ao contrário da dos outros anos, o número de casos de dengue hemorrágica aumentou. De acordo com Eli Lakryc, diretor da Johnson & Johnson, fabricante do Tylenol, marca mais conhecida do medicamento, a droga continua sendo recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde para os casos de dengue clássica. – O paracetamol é metabolizado no fígado e com o aumento de dengue hemorrágica, como não se sabe onde será a lesão, a hemorragia, alguns pacientes podem ter problema na absorção das quatro gramas do medicamento. São casos raros. Para a dengue clássica não há qualquer problema ou dano no fígado.
De qualquer forma, Lakryc informou que, desde o ano passado, por orientação estratégica do marketing da empresa, não há mais propaganda em mídias de massa do medicamento. Desde o início da epidemia, que já matou 67 pessoas no Estado este ano, o paracetamol vem sendo entregue aos doentes nos postos de atendimento. Em nome de todos os 49 fabricantes de analgésicos, Salvio Dio Girolamo, secretário geral da Abimip, informou que os laboratórios vão acatar a orientação da Anvisa. O epidemiologista Ruben Figueroa, gerente da unidade de Prevenção e Controle de Doenças da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), vinculada à OMS, explica como é a orientação no resto do mundo em casos da doença: - O que não pode ser tomado é aspirina. Paracetamol e dipirona podem, mas com indicação absoluta de um médico. É assim em todo o mundo.
Fonte: Jornal do Brasil


