ABI COMPLETA 100 ANOS

O dia de ontem, (07/04) marcou o centenário de uma instituição que tem participado de todos os maiores acontecimentos da história do nosso país: a Associação Brasileira de Imprensa. Quando a ABI nasceu, os fundadores chegaram a ser chamados de malandros e anarquistas pelo dono de um jornal. Mas o destino da ABI era e sempre foi defender a democracia.

Ao longo desses 100 anos de história, a Associação sempre esteve presente nos principais momentos da vida nacional. Em 1948, a entidade liderou a campanha "O petróleo é nosso" que resultou na criação da Petrobras. Durante a ditadura militar, a ABI viveu tempos difíceis. Em 75, quando o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado na prisão, o então presidente da associação, Prudente de Moraes Neto, fez uma homenagem a ele.

Era um desafio aos militares. “Nenhuma igreja podia rezar missa por ele, então o Dr. Prudente convocou para um culto ecumênico na ABI. O auditório ficou repleto. Depois fizemos 10 minutos de silêncio, todo mundo de pé, pelo Vlad”, lembra Cícero Sandroni, presidente a Associação Brasileira de Letras.

No ano seguinte, uma bomba explodiu na sede da ABI. O jornalista Fernando Segismundo, ex-presidente da ABI, escapou por pouco. “Até inventaram que fora eu que tinha preparado a bomba para incriminar o governo, criar problemas. Foi não. Eu estava lá e quase fui vítima”.

Na ABI nasceram a campanha pela anistia dos presos políticos e o movimento por eleições diretas. Na época do processo contra o presidente Fernando Collor, o presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, levou aos deputados o documento com o pedido de impeachment. “Ele dizia: ‘Meu patrão é o Brasil’”, revela Maurício Azêdo, atual presidente da Associação Brasileira de Imprensa. A casa centenária se mantém fiel a esse sentimento. “Pela trajetória que construiu, ela continua a ser o grande porto seguro da liberdade de imprensa no Brasil”, finalizou.


Rádio AGERT

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