Ela havia sido internada na quinta-feira no Hospital Sírio Libanês com angina, dor no peito provocada por fluxo insuficiente de sangue no coração. Teve alta na segunda-feira de manhã e, à tarde, foi submetida a cateterismo no Hospital do Rim e Hipertensão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A ex-primeira-dama era portadora de dois stents (próteses), implantados para manter desobstruído o fluxo sanguíneo.
A ex-primeira-dama sofreu um infarto fulminante por volta das 20h quando conversava com o filho Paulo Henrique Cardoso na sala de seu apartamento em Higienópolis, centro de São Paulo. Ela desmaiou e caiu na sala, morrendo instantâneamente. O ex-presidente não estava em casa e foi chamado pelo filho. Pode ser que o enterro não aconteça hoje porque Beatriz, uma de suas filhas está em Barcelona. Um dos locais prováveis do velório é o Centro Acadêmico Maria Antonia, da USP, no centro de São Paulo.
O governador José Serra (PSDB), que chegou à casa de Ruth Cardoso, às 21h55, decretou luto oficial de três dias no Estado de São Paulo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou reunião marcada para amanhã com o conselho político do governo na expectativa de que o enterro seja confirmado para hoje em São Paulo, ao qual deve comparecer. O PSDB cancelou as comemorações de 20 anos da legenda, marcadas para hoje, no Congresso. Em telefonema ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), FHC mostrou preocupação com a saúde da esposa que, segundo seu relato, demonstrava cansaço. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, acrescentou ter ouvido de Serra que a ex-primeira-dama, depois da alta no Sírio Libanês, teria uma vida "com mais restrições, mas sem perigo".
Durante o mandato do marido, fundou e presidiu o Comunidade Solidária, organização responsável por programas sociais e de voluntariado e imprimiu um novo perfil às atividades filantrópicas tradicionalmente reservadas ao cargo. Discreta e avessa à invasão de sua privacidade, Ruth Cardoso causou polêmica à época da campanha eleitoral de seu marido à Presidência, ao declarar que "O PFL tem ACM, mas também tem (Gustavo) Krause e (Reinhold) Stephanes". No governo, atuou com discrição e avessa à invasão da privacidade de sua família. Ao deixar o governo, fundou a Organização Não-Governamental Comunitas para dar continuidade ao Comunidade Solidária.

