
Aproximadamente 200 emissoras associadas à Agert transmitiram, nesta segunda-feira (5/8) um programa especial que debateu os 50 anos da Cadeia da Legalidade. A iniciativa da entidade, juntamente com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital e a Rádio FM Cultura levou aos ouvintes a historia do RS contado por personalidades que a viveram. Conduzido pelo Vice Presidente da Agert, jornalista Claudio Brito, o programa foi transmitido diretamente dos porões do Palácio Piratini e contou com a participação de personalidades que fizeram parte do movimento..
Durante uma hora, Brito entrevistou os protagonistas desta história, alem de transmitir ao vivo a cerimônia de abertura do Memorial da Legalidade, na seqüência, foram exibidos 40 minutos do último discurso do então governador Leonel Brizola na Cadeia da Legalidade.
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O jornalista Carlos Bastos que era o repórter do Jornal Última Hora lembrou os eventos mais emocionantes do Movimento da Legalidade, com os trabalhadores fazendo ordem unida, estudantes fazendo barreiras. "O momento mais impactante foi o discurso de Brizola, em frente ao Palácio, com mais de 50 mil pessoas assistindo na Praça da Matriz", lembrou. Bastos ressaltou que Brizola "deu um show na utilização do meio rádio".
O responsável pela montagem da estrutura técnica nos porões do Palácio Piratini, Celso Costa lembrou que, na primeira transmissão os ouvintes estavam esperando um Gre-nal, mas o que foi ouvido foi um discurso do governador. "De hora em hora, Brizola descia aos porões para falar ao povo brasileiro", afirmou ao lembrar que a locução era feita por Lauro Freitas, que trabalhava na rádio Guaíba e no Palácio.
O jornalista Beto Almeida, da Telesur, ressaltou que a experiência da Cadeia da Legalidade foi uma lição para América Latina. "Quantos golpes teriam sido evitados, utilizando-se as ondas do rádio?", indagou. O coordenador de jornalismo da Fundação Cultural Piratini, Gilmar Etelvein falou dos programas desenvolvidos pela TVE e do acervo da legalidade que possue. Já o jornalista José Antonio Silva, da assessoria de imprensa do Palácio, comentou uma entrevista com o historiador Voltaire Schilling onde ele comparou o poder desempenhado pelas rádios na Cadeia da Legalidade com o papel das redes sociais nas recentes revoltas do Oriente Médio. O historiador César Rolim falou sobre a ausência da matéria tanto em escolas como universidades.
O governador Tarso Genro lembrou falou que "um dos motivos mais importantes que me levou a comemorar a Legalidade foi o caráter multipartidário daquele movimento em defesa da constituição". Já a secretária de Comunicação e Inclusão Digital (Secom), Vera Spolidoro, disse que a remontagem da rádio da Legalidade a partir do memorial, é uma alegria por proporcionar aos jovens conhecer o movimento, e para aqueles que viveram a possibilidade de reviver a Legalidade.
O presidente da Agert, Alexandre Gadret ressaltou o grande numero de emissoras participantes e a qualidade do conteúdo gerado. "Ficamos felizes em participar deste evento que trouxe ao ar nomes significativos da história brasileira".
Em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renuncia, no momento em que o vice -presidente eleito João Goulart está em viagem oficial à China. Os militares, que não aceitam a posse do vice, anunciam que prenderiam Goulart quando desembarcasse no Brasil.
Em Porto Alegre, o governador Leonel Brizola resolve resistir e para isto utiliza as ondas do rádio, passando a transmitir pelo discursos contra os golpistas e pela legalidade da posse de Jango .O governador transferiu para os porões do Piratini os estúdios da rádio Guaíba, com os transmissores protegidos pela Brigada Militar . Outras 15 rádios do país e do exterior se incorporaram à Cadeia da Legalidade. Por ondas curtas, os discursos e despachos eram traduzidos para várias línguas. A Campanha da Legalidade levantou o Rio Grande do Sul, com Brizola tendo um apoio fantástico, com o povo nas ruas. 50 anos depois as emissoras de rádio do estado se unem novamnte para reviver este grande momento de nossa história.

