Entidades levam ao governo preocupações com número crescente de agressões a jornalistas

As entidades representantes do setor de comunicação social ABERT, ABRATEL, ANER e ANJ e o escritório da UNESCO no Brasil, Organização das Nações Unidas que tem entre suas atribuições a defesa da liberdade de expressão e do acesso à informação, se reuniram com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM), Edinho Silva, nesta quinta-feira (10), em Brasília.

Durante o encontro no Palácio do Planalto, o presidente da ABERT, Daniel Slaviero, representando as outras associações, manifestou a preocupação com a crescente onda de violência contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação e entregou um documento ao ministro, com o pedido para que o governo adote medidas que garantam a segurança e o pleno exercício da liberdade jornalística no Brasil.

Slaviero destacou a preocupação com o número elevado de agressões a jornalistas no início deste ano: "Toda forma de agressão, seja ela física, verbal ou virtual tem um único objetivo: intimidar o trabalho dos profissionais da imprensa", disse.

"Está havendo um equívoco e algumas pessoas estão confundindo os veículos de comunicação como protagonistas do processo político. Eles não são. Eles simplesmente informam e reportam os fatos que acontecem para a sociedade brasileira", ressaltou Slaviero em entrevista coletiva à imprensa.

Em resposta, o ministro Edinho Silva ressaltou o compromisso do governo com a liberdade de imprensa e de expressão.

"Em posse dessa manifestação, encaminharei às áreas competentes do Governo, farei chegar uma cópia também à presidenta Dilma e ao Ministério da Justiça para que, dentro daquilo que compete ao governo federal, possamos tomar as providências cabíveis", disse o ministro.

Para Edinho Silva, respeitar a diversidade política, cultural, religiosa e os direitos civis é essencial para consolidar e amadurecer uma democracia. "Quero ratificar o posicionamento desse governo contra qualquer tipo de manifestação de violência, restrição à liberdade de imprensa e de opinião", concluiu.

Casos de agressões à imprensa

As agressões a jornalistas e protestos contra empresas de comunicação marcaram o início do mês de março. Em dez dias, foram contabilizados 21 casos de agressões, detenções, ofensas, ataques e vandalismo. Desde o início de 2016, os números impressionam: em pouco mais de dois meses, foram 57 casos de atentados à liberdade de imprensa.

Os ataques se intensificaram na sexta-feira (4). Manifestantes arrancaram e quebraram a câmera da repórter da TV Globo, Mayara Teixeira, durante a cobertura do depoimento do ex-presidente Lula à Polícia Federal, em Congonhas. Os repórteres Juliano Dip e Gabriel Shinjimax, da Band TV, e Renato Biazzi e David Irikura, da TV Globo, também foram agredidos durante a cobertura.

Além das agressões físicas aos jornalistas, o carro da equipe do repórter da TV Globo, André Azeredo, foi recebido a pontapés na sede do PT em São Paulo e a repórter Bruna Vieira foi fortemente hostilizada durante a cobertura da ação da Polícia Federal. Os repórteres Roberto Kovalick e Marco Antônio Gonçalves foram xingados e impedidos de continuar uma entrevista.

As situações de violação à liberdade de imprensa não pararam por aí. No domingo (6), cerca de 150 pessoas realizaram um protesto em frente à sede da Rede Globo do Rio de Janeiro, hostilizaram funcionários e jogaram ovos e pedras na sede da emissora.

Na noite de terça-feira (8), manifestantes do Movimento Sem Terra (MST) atacaram a sede da Organização Jaime Câmara, em Goiânia. Por mais de uma hora, os integrantes no MST tomaram posse da recepção, além de fazerem pichações com tinta vermelha na fachada do prédio, onde funcionam a rádio, a TV e dois jornais da OJC.

Já em Belo Horizonte, o repórter fotográfico Alex de Jesus e a repórter Débora Costa, do Jornal O Tempo, foram detidos ao checar uma denúncia em uma unidade de saúde de Nova Lima, na região metropolitana.

Em São Paulo, a equipe do repórter Fábio Menegatti, da Rede Record, foi agredida durante matéria sobre golpe aplicado por estelionatários donos de uma loja de carros de luxo em São Paulo.

Ainda no dia 8, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher, jornalistas da revista IstoÉ divulgaram uma carta de repúdio às ofensas de cunho machista veiculadas em redes sociais contra Débora Bergamasco, diretora da sucursal de Brasília e autora da matéria "A Delação de Delcídio".

O último caso constatado aconteceu na manhã de quarta feira (9). A repórter Patricia Sonsin e o repórter cinematográfico Davi Ferreira, da TV Tarobá, foram feitos reféns por membros do Movimento Sem Terra (MST), que ocuparam uma propriedade rural em Quedas do Iguaçu, no Paraná. Os participantes do movimento ameaçaram quebrar os equipamentos de gravação e os celulares, além de coagirem os profissionais.

Fonte: Abert


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