Iniciamos 2005 com entusiasmo redobrado. Nossa agenda, como entidade representativa da radiodifusão legal, começa com o Encontro do Litoral Norte reunindo radiodifusores e políticos no dia 28 de janeiro próximo, na SABA em Atlântida.
Definir prioridades em tempos de turbulência ideológica e mercadológica é essencial à consolidação de metas de uma entidade como a AGERT que reúne 281 emissoras de rádio e televisão no Estado do Rio Grande do Sul.
Embora, acostumados ao dinamismo inerente ao nosso meio: rádio e televisão, não podemos perder a perspectiva de longo prazo para a comunicação de massa no país. Esses meios eletrônicos vem sofrendo a tentativa constante de limitação à sua liberdade editorial e empresarial, tal o emaranhado de projetos de lei, decretos e leis que pairam no cenário político.
Em 2005, tem prioridade o debate sobre a tutela e centralização da radiodifusão pretendida pelos poderes Executivo e Legislativo.
Diante de tanto desafio para o novo marco regulatório da radiodifusão, nada mais natural do que valorizar o balanço social da radiodifusão, em fase final de elaboração e reforçar o relacionamento com os parlamentares em especial para termos a sociedade e os nossos representantes contribuindo conosco para que possamos desenvolver as nossas atividades atendendo plenamente os nossos ouvintes e telespectadores, bem como contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do nosso estado e do nosso país.
Responsabilidade Social Empresarial:onde está a novidade?
A empresa moderna sempre teve relevância social para suas comunidades e há muito desenvolve práticas filantrópicas de forma voluntariosa, não-planejada e não-sistemática, buscando também oferecer benefícios para populações necessitadas. A novidade nesta virada de século é que as ações espontâneas para a comunidade, ou decorrentes dos benefícios próprios de sua atividade, tornaram-se um valor para toda a sociedade, a ponto de assumir características de exigibilidade.
Na escola e nos cursos de administração, aprende-se que a instalação de um empreendimento privado gera sempre um benefício social. Lembro-me de meu professor de Contabilidade e Custos, no ensino médio, explicando que numa comunidade quando se instala uma padaria onde lá não havia, além de um negócio privado, está sendo gerado um benefício social, uma prestação de serviço de interesse da comunidade. O que não se contabilizava é que, em alguns casos, o dono da padaria, além de vender pães para a sustentabilidade do seu negócio, algumas vezes doava pães para a escola ou a creche próxima ao empreendimento.
Nos anos 90, lideranças no ambiente empresarial brasileiro, que se identificavam com os avanços democráticos e a mobilização por direitos da cidadania, perceberam que a empresa privada era um espaço estratégico na agenda da mudança social. Desde então, em carreira solo ou agrupando-se, estas lideranças evoluíram como uma nova frente do movimento social. Planejaram sua intervenção, construíram institucionalidade, exigiram investimentos das empresas na agenda da responsabilidade social e estimularam a sistematização de práticas até então eventuais e periféricas à tarefa central da empresa de gerar resultados para os acionistas e recursos públicos para o Estado.
A movimentação das lideranças mais avançadas se deu no interior de um quadro de revalorização da empresa privada, decorrente da compreensão de setores do empresariado sobre a importância da agenda cidadã no desenvolvimento da sociedade e dos negócios - sustentabilidade no longo prazo - e o impacto estrutural do fim da guerra fria, elemento desencadeador das novas circunstâncias.
Durante o século XX persistiu a visão que herdamos do séc XIX em que a empresa privada era vista como um equipamento de concentração das riquezas, a serviço de benefícios privados, às custas de sacrifícios coletivos - dos trabalhadores e da sociedade. Usando as palavras corretas, até poucos dias, setores importantes ainda mantinham a idéia de que o empreendimento privado era um instrumento que canibalizava a riqueza da sociedade.
Com o fim da Guerra Fria em 1989, movimentos sociais resistentes ao status quo e o empresariado, que haviam passado quase um século de costas, quando não em confrontos, foram se colocando de frente e descobrindo que algumas das divergências antigas não passavam de diferenças, e elas não os impediam de estar juntos em algumas agendas, em condições de colaborar. Embora isso não ocorra sem tensões e sem conflitos, são claros os sinais de que, nesse diálogo, todos têm a ganhar.
Em decorrência das novas atitudes e do clima favorável, a grande empresa ganhou consenso como um centro dinâmico e propulsor de desenvolvimento econômico e social, reconhecida também como um equipamento social que reúne excelências em:
i) Modelos de gestão e gerenciamento de organizações complexas;
ii) Tecnologia científica e de produção com equipamentos avançados;
iii) Formadora e detentora de recursos humanos qualificados;
iv) Detentora de recursos financeiros abundantes, com possibilidades de causar bom impacto em seu entorno;
A transição se completou nos anos 90 e faz com que as empresas, agora, sejam alvo de disputas entre diferentes comunidades e entre governantes, interessados em atrair investimentos para suas localidades. Em muitos casos a intensidade desta disputa é nociva ao interesse público. Talvez atravessemos também um período de valorização quase acrítica sobre o papel e o desempenho das empresas. Mas é inegável a centralidade do lugar alcançado. Se utilizarmos padrões de análise conhecidos nas Ciências Sociais, estamos perante a consolidação do longo processo de construção de hegemonia e legitimidade da empresa privada. Mas, por colocá-la no centro das atenções nas sociedades atuais, essa hegemonia vem acompanhada de expectativas e de vigilância civil. Só se manterá se for permanentemente renovada.
Creio que estes são alguns dos elementos centrais que explicam a atual onda da responsabilidade social empresarial. Queremos todos crer que se trate de uma onda que veio para ficar. Portanto, uma conquista. Há sinais visíveis que apontam nesta direção tais como: o espaço que a responsabilidade social vem ganhando no planejamento das grandes empresas, o volume crescente de investimentos orçamentários nesta pauta (justo no período de drásticos cortes nos custos pela ausência de um crescimento econômico estrutural continuado), o avanço dos indicadores e dos instrumentos de medição dos fatores de impacto da empresa no seu entorno, o espaço dedicado pelos veículos de comunicação para esta pauta, o acompanhamento da legislação e do Estado no fomento e garantia destes compromissos.
O fenômeno parece estar transitando da fase da emulação e mobilização para a de exigibilidade de mercado. Surgem novas entidades da sociedade civil brasileira, vinculadas organicamente ao setor empresarial e especializadas no aperfeiçoamento da pauta da responsabilidade social corporativa tais como o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (atuação ampliada na agenda da responsabilidade social empresarial), o GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (foco no investimento social privado), o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (foco na exigibilidade do consumidor) entre outras.
Todas elas, em sua especialidade, dedicam-se a colocar a agenda política da sociedade civil em diálogo com a gestão ética dos negócios. As entidades, e as lideranças no seu entorno, apostam que a empresa e o empresariado reúnem condições e circunstâncias estratégicas para qualquer agenda de mudança social. E esperam também que os veículos de comunicação desempenhem papel estratégico na instalação desta cultura.
Muito embora o tema venha obtendo destaque na cobertura jornalística nos últimos anos, há a expectativa de que os veículos de comunicação, além de participar ativamente na convocação de todos, dêem sua parcela de exemplaridade assumindo a gestão ética e socialmente responsável em seus negócios. A divulgação anual do Balanço Social é, ao mesmo tempo porta de entrada para os iniciantes e instrumento de transparência e prestação de contas.
* Ex-Presidente do Conselho Diretor do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), é diretor financeiro da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), conselheiro da Fundação Maurício Sirotsky e consultor especializado
Direitos autorais serão prioridade em 2005, diz Gilberto Gil
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse hoje que "atacar a questão da propriedade intelectual no Brasil" será uma de suas prioridades no terceiro ano de gestão, "inclusive, com a possibilidade de propor a renovação da legislação".
Ele anunciou que pretende criar um grupo de trabalho formado por especialistas e artistas para discutir o assunto e, com base nessas discussões, formular os projetos de lei para enviar ao Congresso.
Informação: Sulrádio/ Câmera2
Lula nomeia substituto para Anatel
O presidente da República nomeou ontem Elifas Chaves Gurgel do Amaral, 49, substituto eventual do presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
Na quinta-feira da semana passada, terminou o mandato do atual presidente, Pedro Jaime Ziller, que também havia sido nomeado por Lula, em janeiro do ano passado. Ziller continua na agência como diretor. O governo ainda não decidiu o nome definitivo que irá ocupar o cargo de presidente da agência, e nem a duração do mandato. Só diretores da agência podem ser indicados para o cargo. Além do próprio Gurgel do Amaral, estão cotados para a presidência Plínio de Aguiar Júnior, José Leite Pereira Filho e o atual presidente. Gurgel do Amaral já havia sido eleito pelo conselho da agência como substituto eventual do presidente Pedro Jaime Ziller. A publicação de um decreto do presidente, no entanto, ratificou a escolha.
Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo
Empresário ocupa 60% da parte da sociedade civil no Conselho de Comunicação Social
Do grupo de dez conselheiros, só três são "100% sociedade civil". Seis deles são empresários e um é secretário de Estado. Lobby da Globo é o mais forte dentro do Conselho de Comunicação Social, órgão previsto na Constituição para auxiliar o Congresso sobre o tema.
Brasília - Seis dos dez (cinco titulares e cinco suplentes) representantes da sociedade civil eleitos para a nova composição do Conselho de Comunicação Social (CCS), órgão previsto na Constituição para auxiliar o Congresso Nacional acerca de assuntos relativos ao tema, são empresários do setor. E dos quatro restantes, um deles, surpreendentemente, destoa de seus pares por fazer parte, na verdade, de um outro clube peculiar: o governamental. Arnaldo Niskier, indicado pela Academia Brasileira de Letras (ABL), é secretário de Cultura de Rosinha Mateus (PMDB) no governo do Estado do Rio de Janeiro.
Do grupo de dez conselheiros, portanto, apenas três são "100% sociedade civil": Dom Orani João Tempesta, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Luiz Flávio Borges D’Urso, da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), ambos titulares, e Gabriel Priolli, da ABTU (Associação Brasileira de Televisão Universitária), suplente de Niskier. Os seis porta-vozes do empresariado da mídia que ocuparão as vagas pertencentes à sociedade civil são os titulares Roberto Wagner, diretor da Rede Record e presidente da Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações (Abratel), e João Monteiro de Barros Filho, presidente da Rede Vida, seguidos dos suplentes Segisnando Ferreira Alencar (diretor da TV Rádio Clube de Teresina), Felipe Daou (sócio-diretor da Rede Amazônica de Rádio e TV), Flávio de Castro Martinez (sócio-diretor da Rede CNT, irmão do falecido ex-deputado federal e ex-presidente do PTB, José Carlos Martinez) e Paulo Marinho (executivo do Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil e revista Forbes, assessor de Nelson Tanure, (leia "Executivo do JB pode ocupar cadeira da sociedade no CCS"). Já na primeiro grupo que integrou o Conselho, instalado em meados de 2002, empresários ocuparam cadeiras designadas para a sociedade civil.
Aprovada em sessão do Congresso Nacional no fim do ano passado, a nova composição do CCS - que ainda reserva espaço específico para os próprios empresários e trabalhadores do setor - tomará posse no próximo dia 21 de fevereiro, quando também deverá ser escolhido o presidente do colegiado que, em tese, deveria ter, entre os 13 titulares, quatro representantes do setor profissional, quatro empresários e cinco integrantes da sociedade civil.
Outra característica que marca o novo CCS é a ampla representação do principal conglomerado de comunicação social do Brasil, as Organizações Globo. A TV Rádio Clube e a Rede Amazônica, dos supracitados suplentes Alencar e Daou, respectivamente, são retransmissoras do sinal da Globo. A família Marinho ainda tem, dentro do CCS, o titular Paulo Machado de Carvalho Neto, ex-presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) que, desde o desligamento do SBT, da Rede Bandeirantes, da Rede TV! e da Rede Record (leia também: "Concorrentes se unem para atacar Rede Globo em público") criaram conjuntamente a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), responde de maneira quase exclusiva pela Globo.
São aliados titulares naturais da maior rede de TV do país: o secretário Niskier, próximo ao falecido todo-poderoso da Globo José Roberto Marinho, Gilberto Carlos Leifert, presidente do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), indicado pela Abert, Paulo Tonet Camargo, diretor de Assuntos Jurídicos da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e diretor-geral Rede Brasil Sul (RBS), parceira da Globo na Região Sul, e Fernando Bittencourt, diretor de Engenharia da Rede Globo, indicado pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET). Emanuel Soares Carneiro, diretor da Abert, e o ator Stepan Nercessian que, mesmo tendo sido indicado pela cota dos trabalhadores da Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Aneate), é funcionário da Globo.
Só a empresa da família Marinho está representada, portanto, ao menos por cinco conselheiros titulares e outros quatro suplentes, totalizando nove cadeiras. Ou seja, do conjunto eleito pelo Congresso Nacional, mais que um terço dos titulares - 5 de 13 votantes - deve defender o interesse de uma única empresa. Os outros grupos têm, juntos, dois nomes titulares e outros três suplentes: respectivamente, Roberto Wagner (Record) e João Monteiro de Barros Filho (Rede Vida), e Antônio de Pádua Teles de Carvalho (Bandeirantes), Sidnei Basile (Grupo Abril) e Roberto Dias Lima Franco (SBT). Na prática, o empresariado dificilmente perderá uma votação importante pelo fato de ter ao seu lado sete dos 13 votos.
O novo "escrete" do CCS escalado pelo Congresso provocou reações. "Mais uma vez (...), na hora das definições a decisão da escolha dos nomes foi concentrada na mão da Presidência das duas Casas numa eleição conduzida de forma açodada, sendo apenas mais um item de uma pauta de final de ano repleta de outras matérias a serem votadas pelo Plenário. Como resultado, deputados e senadores referendaram uma composição desequilibrada para os próximos dois anos de trabalho", protestou o Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC), em carta aberta destinada aos congressistas. Fazem parte da Coordenação Executiva do FNDC a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos), a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Para o Fórum, "preocupa a hipertrofia de representação de um único setor da comunicação social nas vagas destinadas a outras entidades da sociedade civil". Se as cadeiras reservadas a este último setor ficaram com pessoas ligadas às redes comerciais de televisão, observa a carta divulgada pelo FNDC, é porque obviamente "ficaram de fora nomes apresentados pelos radiodifusores comunitários e públicos, pelos produtores independentes de audiovisual ou pelos estudantes de comunicação". Curiosamente, o documento do FNDC ainda cita nominalmente o presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) - e poupa o presidente do Senado e do Congresso, José Sarney (PMDB-AP) - como responsável por contribuir "mais uma vez para a inibição da política no espaço onde a negociação e o diálogo democrático deveriam imperar".
Afora isso, o tom indignado do FNDC, porém, não foi muito além disso. Afinal de contas, a entidade, no frigir dos ovos, garantiu espaço considerável e será representada por cinco membros: os titulares Daniel Herz, da Fenaj, e Eurípedes Conceição, diretor da Fitert; seguidos dos suplentes Celso Augusto Schröder (Fenaj), Márcio Câmara Leal, também diretor da Fitert e tesoureiro do FNDC, e o anteriormente citado Gabriel Priolli (ABTU).
Informação: Sulrádio/ Carta Maior
Novo decreto regulamenta a compensação fiscal pela divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral
Foi publicado no Diário Oficial da União da última quarta-feira, dia 05, o Decreto nº 5.331, que revoga os Decretos de nºs 3.516 e 3.786 e dá nova regulamentação aos artigos 52 da Lei nº 9.096 e 99 da Lei nº 9.504, dispondo sobre a compensação fiscal pela divulgação gratuita das propagandas partidária e eleitoral.
Além de reunir em um só diploma legal os critérios aplicáveis para a compensação fiscal pela veiculação tanto da propaganda partidária quanto da eleitoral (que eram tratadas em diplomas diversos), o Decreto nº 5.331 inova ao dispor que “o preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados trinta dias antes e trinta dias depois dessa data”, disposição esta já aplicável à propaganda relativa às eleições municipais do ano passado.
No tocante a propaganda veiculada em forma de inserções, traz o referido Decreto que “o preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente na data e no horário imediatamente anterior ao das inserções da propaganda partidária ou eleitoral”.
Informação: ABERT
Comunicado ABERT
Prezados colegas radiodifusores,
A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO - ABERT vem informar que o TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, julgando a PETIÇÃO Nº 1.564, Relator o Ministro Carlos Velloso, de interesse do PARTIDO PROGRESSISTA - PP, determinou a veiculação de inserções nacionais de 30"" (trinta segundos) ou 1" (um minuto), no total de 05" (cinco minutos), no rádio e na televisão, em todos os Estados e no Distrito Federal, no próximo dia 13.01.2005 (QUINTA-FEIRA), no horário compreendido entre 19h30 e 22h.
Sem mais para o momento, restando à inteira disposição de V.Sªs. para quaisquer esclarecimentos, subscrevemo-nos.
Atenciosamente,
JOSÉ INÁCIO GENNARI PIZANI
PRESIDENTE
ALEXANDRE K. JOBIM
RODOLFO MACHADO MOURA
ASSESSORIA JURÍDICA
Comunicação terá espaço próprio no Fórum Social Mundial 2005
Pela primeira vez, o Fórum Social Mundial terá um espaço temático próprio para a Comunicação. Foram 140 atividades propostas, além de reuniões que acontecem antes e depois do FSM. As atividades auto-gestionadas se concentrarão na Usina do Gasômetro, entre os próximos dias 27 a 30 de janeiro. Um dia antes do início do Fórum, no dia 25, ocorrerá o Fórum Mundial da Comunicação. Embora não tenha sido construído nos moldes do FSM (serão apenas três mesas de debate), este fórum pretende ser incluído na agenda do evento.
Também será privilegiada a cobertura da mídia independente. Haverá pelo menos quatro espaços de produção. O Fórum de Rádios, o Fórum de TVs, o Laboratório de Conhecimentos Livres – que ocorrerá no Acampamento da Juventude e oferecerá computadores e oficinas para produção em software livre – e a tradicional Ciranda Internacional Independente. Esta chega a sua quinta edição, viabilizando uma estrutura de veiculação para repórteres independentes de todo o mundo. O Grupo de Trabalho de Comunicação deverá valorizar a interface com o GT de Cultura e com o Acampamento Intercontinental da Juventude, para ser viabilizado.
No espaço temático, algumas das principais atrações internacionais são o Media Watch Global, a articulação da Aler (Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica) com a Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) e a Cris (Campanha Communications Rights in the Information Society), que realizarão seminários. O FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) realizará três atividades. Destaca-se também a recém-criada Cris-Brasil (Articulação Nacional pelo Direito à Comunicação), que promove uma atividade para tentar construir a agenda política para ações da sociedade civil nesse campo. Alguns veículos alternativos, além de cobrir o evento, irão também organizar atividades.
Informação: Coletiva
País enfrenta encruzilhada no setor de comunicação social
O ano que se inicia verá o confronto direto entre dois conceitos para o audiovisual: um deles, do Ministério das Comunicações, quer manter os atuais princípios de distribuição de recursos na transição para uma plataforma digitalizada; o outro, do Ministério da Cultura, aposta no modelo de agências reguladoras para ampliar o acesso aos meios.
Brasília - Entre tantas previsões para 2005, pelo menos uma pode ser dada como certa: o ano que se inicia entrará para a história do setor de comunicação social, considerado fundamental para o futuro de qualquer país. Em 2004, discussões sobre o papel do Estado no tratamento das questões relacionadas à área, em especial pela histeria da chamada grande imprensa no tocante às propostas de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) e da Agência Nacional de Cinema e do Audiovisual (Ancinav), povoaram as rodas de conversa. Mas o ponto nevrálgico da polêmica continua sendo negligenciado.
Enviado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo, o controverso projeto de lei do CFJ - que previa a instalação de um órgão de amplitude nacional para disciplinar a atividade dos profissionais da área de Jornalismo - não resistiu ao bombardeio de críticas e desmoronou na mão dos parlamentares.
A pedra colocada sobre o CFJ, entretanto, não possui ligação direta, ao contrário do que muita gente bem intencionada tem defendido, com a escolha-chave para a construção de um país diferente que está no núcleo da idéia da Ancinav. Quando o ano de 2005 chegar ao fim, poderemos comemorar avanços ou lamentar o triunfo de resistências históricas que determinam um sistema marcado pela longevidade do oligopólio da mídia que concentra dinheiro, poder de influência e privilégios.
A necessidade de regulação do setor do audiovisual é premente, mas não consegue ocupar a centralidade do debate sobre a Ancinav. Lê-se nos jornais que governo busca "(...) o poder pelo poder, com a finalidade de constranger, fiscalizar, controlar o fluxo ’insuportável’ da realidade que emana da sociedade", em um movimento cujo objetivo principal seria o "velho desejo totalitário" de "colocar a TV Globo de joelhos". Os extratos anteriores foram retirados de artigo recente assinado pelo cineasta e funcionário da empresa da família Marinho, Arnaldo Jabor.
Um balanço feito pelo professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) Venício Lima, autor do livro "Mídia: Teoria e Política", em outro artigo recém-publicado na página na internet do Observatório de Imprensa, ajuda a dar uma interpretação diferenciada do que há muito tempo deixou de ser um "desejo para ser uma realidade "totalitária".
Alguns tópicos levantados pelo professor valem ser destacados. Primeiro: "A radiodifusão comunitária continua fortemente combatida pela radiodifusão tradicional e submetida à legislação restritiva de 1998. Rádios continuam sendo fechadas e equipamentos apreendidos pela Polícia Federal em todo o país".
Segundo: "O projeto de lei que regula o dispositivo constitucional sobre a regionalização da produção cultural, artística e jornalística (item III do Artigo 222), depois de aprovado na Câmara dos Deputados, está parado no Senado Federal", lembra o professor, pela articulação de "uma forte resistência dos empresários do setor".
Terceiro: "No apagar das luzes do ano legislativo, o Congresso Nacional elegeu - com um atraso de seis meses - os novos membros do Conselho de Comunicação Social (CCS). Apesar de ser apenas um órgão consultivo, com a nova composição há o risco de o CCS se transformar em mais um instrumento de defesa da grande mídia. Um exemplo: o antigo representante das emissoras de televisão foi reeleito, só que agora transfigurado em representante da sociedade civil. Ficaram de fora, dentre outras, as representações das emissoras públicas, da radiodifusão comunitária, dos estudantes e dos professores/pesquisadores de comunicação".
Outra funcionária da Globo, a jornalista Miriam Leitão, que escreve sobre economia no jornal do maior grupo de mídia do país, também definiu a Ancinav, em uma de suas colunas de passagem de ano, como uma "(...) proposta de criar uma agência para regular, fiscalizar e punir o exercício do audiovisual na televisão e no cinema". Na Agência, segue a influente colunista, "(...) cinco diretores decidirão por maioria simples, ou seja, três votos, questões controversas como a de controlar os meios de comunicação para que: ’defendam os valores éticos da pessoa e da família; observem a diversidade de fontes de informação e a liberdade de expressão; e tenham responsabilidade editorial e de programação’". E ela continua: "São questões subjetivas que só podem ser decididas pelos três poderes da República: jamais por três indicados do Planalto".
Para arrematar, Miriam Leitão reproduz dizeres do antropólogo Roberto da Matta: "Ela [Ancinav] é centralizadora e tudo o que é centralizador estimula o clientelismo. O mercado decide de forma impessoal; um órgão centralizador fortalece a busca das relações pessoais, uma fonte dos problemas que já tivemos no passado. Tenta defender o regionalismo e a cultura nacional da forma equivocada. É bobagem achar que é possível deter a velocidade de circulação da informação. Eu cresci exposto aos produtos culturais americanos, no cinema e na música, e passei a vida inteira escrevendo, pensando e entendendo o Brasil. O regional sempre sobrevive e hoje, após todos os avanços da integração do país, eu sei mais, estou mais exposto e sou mais simpático ao que é típico de cada região do Brasil do que nos anos 60. É muito perigoso tentar interferir em processos criativos, porque a sociedade tem uma dinâmica cultural mais complexa do que está expressa nos textos da Ancinav". Na mesma coluna, a jornalista se utiliza de outra afirmação do próprio da Matta: "(...) o governo atual tem aprendido no poder como ser democrático".
O debate sobre a suposta pretensão totalitária do governo esconde a possibilidade real de definição de um novo marco legal que, além de contemplar a necessidade histórica de revisão das leis sob o prisma da convergência tecnológica, pode apontar para a consolidação de regras para estimular e favorecer o desenvolvimento do audiovisual, uma das indústrias mais promissoras neste início do século 21. A tentativa de colocar os valores democráticos em xeque busca escamotear a grande orquestração para que as alterações no sistema sejam as mais brandas possíveis, para não dizer inócuas. Nessa toada, itens relativos ao compromisso de veiculação por parte das tevês abertas de produção regional, tão criticados por intelectuais como Roberto da Matta, já foram retirados da última versão da proposta da Ancinav.
Muito mais que isso, está em curso um outro movimento paralelo, dentro do próprio governo, que atende plenamente os anseios dos setores mais contrariados com a proposta da Ancinav. No documento "Perspectivas para 2005", o Ministério das Comunicações (MiniCom) prevê a elaboração de uma nova e ampla legislação para "dar maior agilidade às atividades da radiodifusão, além da criação de mecanismos que permitam uma melhor fiscalização do conteúdo difundido pela comunicação eletrônica".
Para tanto, o MiniCom já conseguiu aprovar no Orçamento da União para 2005 uma provisão de R$ 1,27 milhão para "Reformulação de Política de Comunicação Eletrônica", descrita como "elaboração de um documento formal que represente uma proposta legislativa do Ministério das Comunicações para uma nova normatização da Comunicação Social Eletrônica no Brasil". Esse dinheiro viabilizará a contratação de uma consultoria especializada para conduzir o processo de construção dessa nova proposta que englobará tanto o setor de radiodifusão quanto o de telecomunicações que está sendo aguardada para setembro de 2005. Não custa salientar que, assim como o esperado projeto da Ancinav, a anunciada proposta do MiniCom também terá de ser apreciada pelo Congresso Nacional.
O Orçamento de 2005 destina ainda mais R$ 43,8 milhões (que contou com acréscimo de R$ 41 milhões no Congresso) para "Outorgas de Serviços de Radiodifusão" e mais R$ 18 milhões em capacitação de mão-de-obra em geral. A previsão do MiniCom é distribuir mil concessões e treinar 300 técnicos no ano que vem. Ainda existem R$ 1,062 milhão para a "Formulação da Política de Radiodifusão Digital", outros R$ 1,27 milhão para a "Reformulação da Política para o Setor de Telecomunicações", e mais R$ 2,858 milhões a título de "Reformulação da Política de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial das Telecomunicações".
Em 2005, o que está colocado, portanto, é o confronto direto entre dois conceitos de desenvolvimento para o futuro do audiovisual e, por conseqüência, da própria comunicação social no Brasil. Um deles, defendido pelo MiniCom, que, ao que tudo indica, manterá durante a transição para uma plataforma digitalizada o princípio do modelo atual de transferência de recursos públicos aos poderosos conglomerados privados da mídia. E outro, sustentado pelo MinC, que aposta no modelo de agências reguladoras para definir regras de funcionamento de uma economia do audiovisual diferente que possa ampliar o acesso aos meios de produção, distribuição e veiculação, e faça valer, por intermédio de uma competição mais justa (que não seja determinada apenas pelos ditames do mercado) e da garantia da pluralidade de atores, um coeficiente mínimo de interesse público.
Informação: Sulrádio/ Carta Maior
Brasileiro consome quase 5 horas diárias de TV
O telespectador brasileiro, um dos maiores consumidores de TV do mundo, gastou 4 horas, 53 minutos e 22 segundos vendo televisão aberta em cada dia de 2004.
No ano anterior, o consumo médio individual de TV foi de 4h47min49s. Em 2001, era bem menos: 4h37min15s.
Os dados, inéditos e obtidos com exclusividade pela Folha, são do Ibope e se referem a todo o país _a amostra nacional do instituto representa 52 milhões de telespectadores em 15,9 milhões de domicílios nas principais cidades.
A média diária de consumo de televisão por domicílio foi de 8 horas e 31 minutos em 2004, dois minutos e meio a mais do que em 2003. Esse é o tempo médio diário que um ou mais televisores de uma mesma casa ficaram sintonizados em canais abertos.
Os dados do Ibope mostram que idosos vêem mais TV do que crianças. Pessoas com mais de 50 anos assistiram a quase cinco horas e meia de TV por dia.
Jovens de 18 a 24 anos e pessoas das classes A e B são as que menos vêem TV. Telespectadores mais pobres (classes D e E) consomem quase 40 minutos a mais de TV do que as mais ricas (A e B).
Como é de praxe, os dez programas mais vistos em 2004 foram da Globo. A novela "Senhora do Destino" lidera o ranking, seguida de "Celebridade", "Da Cor do Pecado" e "Big Brother Brasil". Só depois aparece o futebol, com a seleção.
Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo
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