Recentemente participei de um debate sobre o Jornal Nacional na UNITV, o canal universitário de Porto Alegre. Ao ver o programa em casa, me espantei com uma frase minha: - Eu sou fã do Jornal Nacional! Do espanto, passei para a reflexão e, de fato, constatei que gosto mesmo do JN. É claro que não esqueço que o telejornal do dito horário nobre da Rede Globo preferiu o silêncio durante os anos de chumbo, camuflou as Diretas Já e fez uma edição questionável para o debate Collor-Lula. Também não é possível apagar que o programa foi criado para atender interesses mercadológicos e políticos em um momento em que ser “nacional” era dizer sim aos generais. Contudo, a crítica tornou-se fácil e repetitiva. E, muitas vezes, a munição para os ataques veio da própria Vênus Platinada. Na década de 70, o então todo-poderoso Boni chegou a dizer que quem esperava conteúdo, podia desistir, pois este não apareceria tão cedo. Sei que muitos, como eu, ainda estão à espera do tal conteúdo. Mas será que não estaríamos presos a velhos conceitos? Elogiamos a forma do Jornal Nacional: a estética do programa é indiscutível. Mas quando o tema é conteúdo não faltam acusações, como se fosse possível fazer a síntese de um dia no Brasil em 40 minutos. O sociólogo francês Michel Maffesoli, em O Fundo das Aparências, já chama a atenção para que a forma é também o conteúdo. E não será este o caminho para tentarmos ver o JN com menos rancor? Ás vezes, penso que estou procurando argumentos para defender o telejornal. Esta discussão – conteúdo versus forma - renderia muitas laudas. Independente deste ponto, é preciso reconhecer, porém, que o programa, como produto da categoria telejornal, é o que se produziu de melhor na TV brasileira. E talvez este seja o grande problema do Jornal Nacional. O JN precisa ser todos dias o JN. As reportagens sempre seguem a mesma estrutura: de um personagem busca-se mostrar o todo. É a velha regra – do particular ao universal-, que se funciona tão bem na literatura, no telejornalismo parece que já está se esgotando. Contudo, não vejo, nem na Universidade nem no mercado, quem aponte para o novo quando o assunto é notícia na TV. Ao olharmos para as emissoras concorrentes da Globo, também fica fácil entender o sucesso do JN. Já tivemos experiências interessantes – quem não lembra do TJ Brasil do SBT com Boris Casoy? – mas todas, sem exceção, pelos mais diversos motivos, acabaram saindo do ar.
Outro segredo do JN pode ser descoberto em uma folheada rápida no livro Jornal Nacional – a notícia faz história, lançado para comemorar os 35 anos do programa. Veja bem: eu disse uma folheada rápida, ou seja, o conteúdo fica de lado. É uma obra sem autor, que parece um catálogo publicitário e que peca pelo culto a vaidade: é o objeto falando do objeto. Nenhuma surpresa: assim é o JN!
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