A mídia e o desenvolvimento sustentável

Há 50 anos o mundo acordou para as questões globais do meio ambiente. O homem, ser racional, inteligente e “superior”, demorou quase dois séculos desde o início da Revolução Industrial para entender que o progresso econômico precisa de limites para a sua própria sobrevivência.

A população já não pode ignorar os danos causados à natureza e, como principal vítima do sistema, sente os impactos ambientais como aquecimento global, poluição de recursos hídricos, degradação do ar e perda da biodiversidade.

Alguns especialistas acreditam que a saída para progresso pode estar num neologismo em moda, bastante explorado pela mídia: “desenvolvimento sustentável”. Certamente, o amigo leitor já tenha visto o termo em jornais ou na televisão, usado inclusive de forma equivocada, sugerindo a idéia de crescimento estável, constante (matéria no Jornal Nacional 13/10/2004) e apresentado como a palavra-chave para todos os problemas relacionados ao meio ambiente.

Mas o que significa esse termo na prática? A definição foi acertada na Conferência de Cúpula Rio-92, presente no documento Agenda 21. O importante é que não se refere apenas à dimensão econômica, mas principalmente social e ambiental.

Portanto, sustentável é o desenvolvimento que usa os recursos naturais de forma responsável e preserva-os para futuras gerações. Finalmente, a sociedade começa a perceber que o progresso econômico não pode passar por cima dos interesses públicos e esmagar os recursos do planeta.

Sem dúvida, o conceito representa uma grande evolução sobre educação e consciência ambiental, pois debate sobre o tema e busca as melhores opções para a manutenção da vida no planeta, o que parece pouco, mas já é uma conquista.

O preocupante é que os países desenvolvidos têm propositalmente transferido de forma gradativa as indústria (multinacionais e transnacionais) que usam recursos naturais e energéticos para países emergentes como Brasil, México, China e Índia. Segundo o Instituto Weeppertal, da Alemanha, especializado em desenvolvimento sustentável, de 1975 a 1995, os países desenvolvidos reduziram em cerca de 80% a participação dessas indústrias em suas economias.

“Os poderosos” se fortalecem nos setores de bens e serviços de conteúdo tecnológico, intensivos em conhecimento e que requerem um menor consumo de recursos naturais e energéticos. A tendência é chamada revolução tecnológica globalizada. No entanto, parece que o “1º Mundo” esquece que os danos causados ao planeta também têm conseqüência global.

Ao Brasil, que polui rios, destrói a Amazônia e a Mata Atlântica, é sensato abandonar a dependência do atual modelo de desenvolvimento vigente e substitui-lo por outro capaz de não somente manter a vocação produtiva em agricultura e mineração, mas inovar de forma sustentável para investir em ciência, tecnologia, educação e pesquisa. Desta forma, terá uma economia mais forte, ecologicamente correta e independente, pois tem potencial para isso.

Vamos lembrar ainda que o país Estados Unidos, maior poluidor do mundo, sequer assinou o protocolo de Kyoto, documento que estabelece limites para a emissão de gases na atmosfera que causam o efeito estufa. Já a Federação Russa negocia a assinatura como barganha para ter benefícios na OMC (Organização Mundial do Comércio), ou seja, o carbono e a qualidade de vida na Terra viraram mercadoria.

Informação: Comunique-se/ Mariana Czekalski


Rádio AGERT

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