Responsabilidade Social Empresarial:onde está a novidade?

A empresa moderna sempre teve relevância social para suas comunidades e há muito desenvolve práticas filantrópicas de forma voluntariosa, não-planejada e não-sistemática, buscando também oferecer benefícios para populações necessitadas. A novidade nesta virada de século é que as ações espontâneas para a comunidade, ou decorrentes dos benefícios próprios de sua atividade, tornaram-se um valor para toda a sociedade, a ponto de assumir características de exigibilidade.
Na escola e nos cursos de administração, aprende-se que a instalação de um empreendimento privado gera sempre um benefício social. Lembro-me de meu professor de Contabilidade e Custos, no ensino médio, explicando que numa comunidade quando se instala uma padaria onde lá não havia, além de um negócio privado, está sendo gerado um benefício social, uma prestação de serviço de interesse da comunidade. O que não se contabilizava é que, em alguns casos, o dono da padaria, além de vender pães para a sustentabilidade do seu negócio, algumas vezes doava pães para a escola ou a creche próxima ao empreendimento.
Nos anos 90, lideranças no ambiente empresarial brasileiro, que se identificavam com os avanços democráticos e a mobilização por direitos da cidadania, perceberam que a empresa privada era um espaço estratégico na agenda da mudança social. Desde então, em carreira solo ou agrupando-se, estas lideranças evoluíram como uma nova frente do movimento social. Planejaram sua intervenção, construíram institucionalidade, exigiram investimentos das empresas na agenda da responsabilidade social e estimularam a sistematização de práticas até então eventuais e periféricas à tarefa central da empresa de gerar resultados para os acionistas e recursos públicos para o Estado.
A movimentação das lideranças mais avançadas se deu no interior de um quadro de revalorização da empresa privada, decorrente da compreensão de setores do empresariado sobre a importância da agenda cidadã no desenvolvimento da sociedade e dos negócios - sustentabilidade no longo prazo - e o impacto estrutural do fim da guerra fria, elemento desencadeador das novas circunstâncias.
Durante o século XX persistiu a visão que herdamos do séc XIX em que a empresa privada era vista como um equipamento de concentração das riquezas, a serviço de benefícios privados, às custas de sacrifícios coletivos - dos trabalhadores e da sociedade. Usando as palavras corretas, até poucos dias, setores importantes ainda mantinham a idéia de que o empreendimento privado era um instrumento que canibalizava a riqueza da sociedade.
Com o fim da Guerra Fria em 1989, movimentos sociais resistentes ao status quo e o empresariado, que haviam passado quase um século de costas, quando não em confrontos, foram se colocando de frente e descobrindo que algumas das divergências antigas não passavam de diferenças, e elas não os impediam de estar juntos em algumas agendas, em condições de colaborar. Embora isso não ocorra sem tensões e sem conflitos, são claros os sinais de que, nesse diálogo, todos têm a ganhar.
Em decorrência das novas atitudes e do clima favorável, a grande empresa ganhou consenso como um centro dinâmico e propulsor de desenvolvimento econômico e social, reconhecida também como um equipamento social que reúne excelências em:
i) Modelos de gestão e gerenciamento de organizações complexas;
ii) Tecnologia científica e de produção com equipamentos avançados;
iii) Formadora e detentora de recursos humanos qualificados;
iv) Detentora de recursos financeiros abundantes, com possibilidades de causar bom impacto em seu entorno;
A transição se completou nos anos 90 e faz com que as empresas, agora, sejam alvo de disputas entre diferentes comunidades e entre governantes, interessados em atrair investimentos para suas localidades. Em muitos casos a intensidade desta disputa é nociva ao interesse público. Talvez atravessemos também um período de valorização quase acrítica sobre o papel e o desempenho das empresas. Mas é inegável a centralidade do lugar alcançado. Se utilizarmos padrões de análise conhecidos nas Ciências Sociais, estamos perante a consolidação do longo processo de construção de hegemonia e legitimidade da empresa privada. Mas, por colocá-la no centro das atenções nas sociedades atuais, essa hegemonia vem acompanhada de expectativas e de vigilância civil. Só se manterá se for permanentemente renovada.
Creio que estes são alguns dos elementos centrais que explicam a atual onda da responsabilidade social empresarial. Queremos todos crer que se trate de uma onda que veio para ficar. Portanto, uma conquista. Há sinais visíveis que apontam nesta direção tais como: o espaço que a responsabilidade social vem ganhando no planejamento das grandes empresas, o volume crescente de investimentos orçamentários nesta pauta (justo no período de drásticos cortes nos custos pela ausência de um crescimento econômico estrutural continuado), o avanço dos indicadores e dos instrumentos de medição dos fatores de impacto da empresa no seu entorno, o espaço dedicado pelos veículos de comunicação para esta pauta, o acompanhamento da legislação e do Estado no fomento e garantia destes compromissos.
O fenômeno parece estar transitando da fase da emulação e mobilização para a de exigibilidade de mercado. Surgem novas entidades da sociedade civil brasileira, vinculadas organicamente ao setor empresarial e especializadas no aperfeiçoamento da pauta da responsabilidade social corporativa tais como o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (atuação ampliada na agenda da responsabilidade social empresarial), o GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (foco no investimento social privado), o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (foco na exigibilidade do consumidor) entre outras.
Todas elas, em sua especialidade, dedicam-se a colocar a agenda política da sociedade civil em diálogo com a gestão ética dos negócios. As entidades, e as lideranças no seu entorno, apostam que a empresa e o empresariado reúnem condições e circunstâncias estratégicas para qualquer agenda de mudança social. E esperam também que os veículos de comunicação desempenhem papel estratégico na instalação desta cultura.
Muito embora o tema venha obtendo destaque na cobertura jornalística nos últimos anos, há a expectativa de que os veículos de comunicação, além de participar ativamente na convocação de todos, dêem sua parcela de exemplaridade assumindo a gestão ética e socialmente responsável em seus negócios. A divulgação anual do Balanço Social é, ao mesmo tempo porta de entrada para os iniciantes e instrumento de transparência e prestação de contas.

* Ex-Presidente do Conselho Diretor do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), é diretor financeiro da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), conselheiro da Fundação Maurício Sirotsky e consultor especializado


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