Análise: todos os caminhos levam ao WiMax

O processo de licitação das freqüências de 3,5GHz a 10,5GHz para transmissão de dados por banda larga sem fio promovido pela Anatel deve determinar os próximos passos do WiMax no Brasil, que assiste com atenção o que acontece no resto do mundo. Se no início prevíamos uma guerra contra as tecnologias de 3ª geração, agora a briga pode ser travada entre o WiMax fixo e o móvel. Mas antes das disputas, vamos analisar alguns números: um relatório da consultoria Informa Telecoms & Media afirma que hoje existem 2,5 milhões de usuários de banda larga 3,5G e que esse número chegará a 300 milhões em 2011. O mesmo estudo aponta que o WiMax móvel não terá o mesmo sucesso no período porque notebooks e tablets compatíveis não estariam à disposição do usuário antes de 2009, e os handsets só chegariam ao mercado em 2010. A conclusão é a de que o HSDPA (High Speed Downlink Packet Access, ou simplesmente 3,5G) está, pelo menos, dois anos à frente do WiMax móvel. Como contraponto, o WiMax ganhará terreno, mas entre usuários com modems fixos. Outra pesquisa realizada pela Juniper Research, avalia que a luta se dará entre o WiMax fixo e o móvel, pois o mercado deste último cresceria de 1,7 milhão em 2007 para 21,3 milhões em 2012. Esse estudo prevê que representantes da tecnologia 3G considerarão o WiMax móvel como algo complementar e não concorrente. Existem muitas análises de mercado, muitas pesquisas, jogadas de marketing e as mais acaloradas discussões, indodaqueles que pregam a adoção imediata do WiMax fixo, os que preferem aguardar o WiMax móvel ou os que seguem apostando em siglas como GSM, WCDMA e EVDO. Mas será que o cenário mundial e o brasileiro apresentam as mesmas condições e expectativas? Devemos lembrar que na Europa, por exemplo, osconsumidores já têm à sua disposição toda uma infra-estrutura 3G. E no Brasil, bem, ainda temos lugares à espera da banda larga independente das letras e números que a acompanham: ADSL, IEEE802.16e ou HSDPA. Para muitos parece natural que, aqui, o WiMax encontre o lugar perfeito para sua aplicação. O baixo custo de sua instalação e seu longo alcance são os principais argumentos considerados em um mercado competitivo. Isso pode levar o Brasil a se afastar da batalha anunciada no velho continente e criar uma solução particular em que o WiMax seja, de fato, um integrador coexistindo pacificamente com outras tecnologias. De qualquer maneira, não iremos esperar muito pelo desfecho dessa história. Os investidores terão de encontrar rapidamente um caminho ou poderão ficar para trás. Mas qual rumo seguir? Todos os caminhos levam ao WiMax. Seria uma boa aposta. (*) Paulo Roberto Pereira é country manager da IP Corp Telecom




Informação: ABERT / Computerworld Brazil - Redação


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