Hélio Costa dispara críticas ao setor de telecom na abertura do Futurecom

Florianópolis - A grande platéia formada pela nata do setor de telecomunicações não intimidou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que, como uma metralhadora giratória, disparou críticas contra o mercado em um duro discurso feito, ontem, 2, na abertura do Futurecom, maior evento da área de telecom que acontece até quinta-feira, em Florianópolis. Costa atirou na Anatel, nas operadoras fixas e móveis e até nos fabricantes, fazendo ironias em relação à Nokia, que já havia sido motivo de críticas durante o processo de escolha do padrão da TV digital. Durante o discurso, o ministro citou uma matéria feita pelo jornal britânico The Economist que o acusou de intervir na Anatel. Costa classificou a matéria de mal-feita e aproveitou para reiterar que irá intervir nas ações da agência sempre que o governo considerar que ela está extrapolando seu papel e fazendo política pública. “Quem faz a política de comunicação do governo é o governo, por meio do Minicom, com a avaliação do presidente da República e da Casa Civil. É o governo quem dá a diretriz. Será assim com o WiMAX e com o uso do DTH (TV paga via satélite)”, declarou. Sobre o DTH, o ministro disse que irá editar uma portaria regulamentando a transmissão de conteúdo pela tecnologia. A decisão do ministério, se de fator sair, virá no momento em que a Telefônica já solicitou à Anatel autorização para prestar DTH e declarou sua intenção de entrar no mercado de TV paga. Aice Costa também aproveitou para bater no Aice, o serviço de telefonia para baixa renda criado pela Anatel com os novos contratos, e defendeu o seu projeto do telefone social. “A adesão ao Aice tem sido desprezível e não vou desistir do telefone social porque não podemos deixar 27 milhões de famílias (número estimado que poderia ser beneficiado pelo telefone social) sem comunicação básica”, afirmou. VU-M Até de VU-M (valor de uso da rede móvel) o ministro falou. Criticou a transferência de recursos, por meio do pagamento da tarifa de uso de rede, da telefonia fixa para a telefonia móvel. Segundo ele, só a população de baixa renda que usa telefone público transfere cerca de R$ 1 bilhão por ano para as operadoras celulares e, se for contar toda a transferência feita das fixas para as móveis, esse valor chega a R$ 6 bilhões. Para alegria das fixas, o ministro defendeu uma democratização dessa transferência de recursos e uma alteração no modelo do setor de telecom para rever essa sistemática. “A qualquer momento uma solução sobre issotem que sair. É uma assimetria . Com o declínio do STFC, uma situação como esta tem que ser discutida”, afirmou. O ministro defendeu uma revisão do modelo do setor de telecom. Lembrou que a evolução tecnológica e a reorganização das corporações, com fusões e aquisições de empresas, têm atropelado a estrutura do modelo. Ele frisou que não há competição na telefonia fixa em função de regras pouco efetivas de compartilhamento das redes e à uma universalização centrada apenas na oferta do serviço e não no provimento de condições ao usuário para ter acesso ao serviço. Nokia A Nokia e os europeus do padrão DVB foram, mais uma vez, alvo do ministro.Costa afirmou que, em recente encontro de agências reguladoras realizado na Guatemala, no qual representantes do governo brasileiro defenderam o padrão japonês escolhido pelo país para a TV digital, aopção do Brasil foi motivo de críticas de empresas representantes do DVB. Segundo Costa, uma empresa “européia” (a Nokia) teria apresentado um vídeo durante a reunião que apontou o ministro e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff como os responsáveis pela escolha. “Tentaram nokialtiar (sic) a mim e à ministra Dilma. Mas gostaria de reafirmar que a decisão tomada foi uma decisão de governo e que tem que ser respeitada. As demais propostas de padrão para a TV digital foram vencidas tecnicamente. Essa empresa que tentou fazer descortesia na Guatemala até que tem bons telefones, só não sabe fazer documentários de TV. Um fracasso”, criticou o ministro. O ministro também não esqueceu da política. Disse que todos deveriam imaginar porque o presidente Lula não estava ali falando para a platéia (clarament pró Geraldo Alckimin). “Porque ele está neste momento azeitando as armas e preparando seus instrumentos para a nova e importante batalha que irá travar”, avisou Costa. Ele fez uma defesa do governo Lula ao dizer que nos últimos cinco anos houve uma queda nos preços de itens básicos para a população, como o arroz e o cimento. “Hoje, está sobrando mais dinheiro para comer e até para comprar celular”, ironizou.




Informação: ABERT / TeleSíntese - Cristiana Nepomuceno


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