Engenheiros das nove instituições de ensino e pesquisa responsáveis pelas inovações nacionais no Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) estão em estado de penúria. Sem receber do governo desde fevereiro, tiveram que demitir centenas de pesquisadores e praticamente paralisaram os estudos. O Ministério das Comunicações teme mais atrasos na implantação da TV digital no país.
Entre essas entidades estão o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da USP, que demitiu 60 pesquisadores, e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que cortou 20. As pesquisas desses nove centros agregarão tecnologias e ferramentas brasileiras no padrão japonês de TV digital.
Numa primeira fase, o governo gastou R$ 39 milhões com 75 instituições e 1.200 pesquisadores. Em março, o ministro Hélio Costa (Comunicações) liberou mais R$ 4 milhões para os nove centros de pesquisas que apresentaram propostas que serão acopladas ao SBTVD.
Esse dinheiro serviria para as instituições concluírem pesquisas e elaborarem as normas técnicas que regerão o SBTVD, cujo prazo de entrega vence em 20 de dezembro. Mas, até hoje, nenhum centavo chegou a elas. Segundo Marcelo Zuffo, da LSI-USP, atualmente 15 engenheiros pagos com recursos próprios do laboratório escrevem as normas técnicas. "Estamos comendo o pão que o diabo amassou", lamenta Zuffo.
"Estamos trabalhando de graça desde fevereiro esperando por esse dinheiro que não chega por excesso de burocracia. Uma coisa impressionante, que nem ministro consegue resolver", diz Luís Fernando Gomes Soares, da PUC-RJ, que demitirá cinco pesquisadores.
O Ministério das Comunicações culpa a Finep, empresa do governo responsável pelo pagamento das instituições.
A Finep diz que a demora se deve ao rigor na fiscalização e análise dos projetos. O órgão, diz Maurício França, chefe do departamento de tecnologia digital, ainda analisa prestações de contas da primeira fase. "Estamos checando se realmente foi tudo realizado. Temos que cumprir os ritos", afirma.
Informação: Folha de São Paulo

