Políticos no Ministério das Comunicações

No passado, era Antonio Carlos Magalhães. No governo FHC, foi a vez de Pimenta da Veiga. Agora, com o presidente Lula, tudo se passa exatamente como nos governos mais fisiológicos do passado – em especial os de Sarney e de Itamar – que utilizaram largamente o Ministério das Comunicações como moeda de troca ou barganha política.

- No passado, era Antonio Carlos Magalhães. No governo FHC, foi a vez de Pimenta da Veiga. Agora, com o presidente Lula, tudo se passa exatamente como nos governos mais fisiológicos do passado – em especial os de Sarney e de Itamar – que utilizaram largamente o Ministério das Comunicações como moeda de troca ou barganha política.

Desencantados, os próprios petistas reconhecem que esse setor e sua pasta não têm a menor importância nos projetos do atual governo. Nesta altura, nem os mais sonhadores esperam mudanças nesse cenário, pois o PT não dispõe de quadros nem de programa digno desse nome para as comunicações.

Ignorados e alijados pelo governo de Lula, os dois únicos líderes petistas da área de telecomunicações – deputados federais Walter Pinheiro (PT-BA) e Jorge Bittar (PT-RJ) – não escondem seu desencanto com o desinteresse total do presidente pelo setor. Reconhecem que este governo nada tem feito em favor das Comunicações, especialmente por escolher políticos totalmente despreparados para ocupar o cargo de ministro, como Miro Teixeira (ex-PDT-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE). Na mesma linha, os raros petistas que entendem os conceitos básicos dessa área, afirmam que o Ministério das Comunicações continua inteiramente desprestigiado, esvaziado, levando o País a caminhar para trás num setor vital da infra-estrutura e do desenvolvimento social.

OS MINISTROS

Ruidoso e boquirroto, ao longo de sua gestão, Miro Teixeira polemizou, atacou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e invadiu as atribuições da agência reguladora. Prometeu até a transmissão da Copa de 2006 via TV digital e alta definição. Criou um serviço inexistente no resto do mundo e que não decolou até hoje: o Serviço de Comunicações Digitais (SCD), nome que pode designar tanto a internet, quanto qualquer transmissão digital de voz, dados ou imagens.

Seu sucessor, Eunício Oliveira (PMDB-CE), negociador hábil, está empenhado em fortaleceu o poder político de sua pasta, recriando as diretorias regionais e tentando a todo custo administrar os bilhões do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust, ainda intocado desde sua criação no ano 2000.

Definindo o ministro com razoável precisão e ironia, assessores do próprio Ministério dizem que “ele é capaz de trocar uma reunião mundial da OMC sobre telecomunicações em Genebra por uma reunião de prefeitos do PMDB no interior do Ceará.” A propósito, a partir de amanhã, se inicia, na Organização Mundial do Comércio (OMC), evento destinado a rever as políticas comerciais (Trade Policy Review), de grande repercussão e interesse internacional, em especial no tocante à participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicações. Para surpresa geral, nenhuma autoridade brasileira – nem do Ministério das Comunicações nem da Anatel – estará presente nesse evento.

A REFORMA

Eunício Oliveira deve ser substituído no Ministério das Comunicações, embora possa ser aproveitado em outra área considerada de maior potencial político para o PMDB. Seu sucessor deve ser Aldo Rebelo, do PCdoB, atual ministro da Coordenação Política. Como num jogo de dominó, a saída de Carlos Lessa da presidência do BNDES deu início praticamente a uma nova reforma ministerial.

O sonho do PMDB nessa nova reforma seria conquistar mais um ministério, algo como o das Cidades, capaz de render ao partido e aos parlamentares muito mais dividendos políticos e benefícios às suas bases clientelistas.

Mas o leitor não espere que, no novo ministério, Lula escolha alguém que tenha lido uma única vez a Lei Geral de Telecomunicações ou que entenda, minimamente, a diferença entre empresa “concessionária” e “autorizada”, no atual modelo regulatório.

COMO EXCLUIR

Quando se fala tanto em inclusão digital, nenhum País adota procedimentos tão perversamente excludentes quanto o Brasil na área de telecomunicações. Além de não aplicar um centavo do Fust, o País adota as mais elevadas alíquotas de impostos sobre telecomunicações quanto o Brasil, em especial as do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que superam os 33% e, somadas a outros tributos, podem arrancar do usuário até 56% do valor da conta telefônica?

A pergunta que temos repetido ao longo de anos é simples: como baixar tarifas e universalizar os serviços com tributos tão elevados? Como comercializar as 7 milhões de linhas telefônicas excedentes que sobram desde 2001 no País, se o próprio governo encarece o serviço e impede a redução de tarifas? Como falar em inclusão digital, diante de uma política tributária deliberadamente excludente?

E A ANATEL?

Com um projeto de lei inteiramente retrógrado no Congresso, o governo Lula tenta esvaziar as agências reguladoras, com o objetivo principal de reconquistar o poder político perdido após a privatização dos diversos setores de infra-estrutura. O mal que essas mudanças podem causar ao Brasil é imenso. No caso da Anatel, a simples substituição de conselheiros na diretoria da agência leva meses e acaba trazendo quase sempre desapontamento a quem esperava a elevação do nível médio da diretoria do órgão regulador.

Embora tenha promovido o concurso para consolidar o quadro efetivo de pessoal da Anatel, o governo Lula vem esvaziando progressivamente a agência. Para especialistas, como Renato Guerreiro, ex-presidente desse órgão regulador, o País está dando um passo atrás, pois “as agências foram concebidas e implementadas nos últimos seis anos, como fruto de um processo de amadurecimento de uma nova forma de organização do Estado, inspirada nas experiências bem sucedidas dos Bancos Centrais e de alguns reguladores mais antigos.”

Informação: Sulrádio/ Estadão


Rádio AGERT

Preços Recebidos pelos Produtores Rurais cresceram 7,54% em setembro

A economista Danielle Guimarães, da Assessoria Econômica da Farsul, informou que apesar do forte crescimento ainda não ocorreu a recuperação dos preços pagos aos produtores rurais nos últimos períodos.

Tributarista explica como vai funcionar a Reforma Tributária para o varejo

O Doutor em Direito Tributário Eduardo Plastina detalhou no Café com Lojistas do Sindilojas Porto Alegre, os efeitos da Reforma Tributária para o varejo. Ele acredita que o efeito na carga tributária será neutro para o setor. 

Cientista político analisa o resultado da eleição presidencial em segundo turno

O Cientista Político da Arko Advice Pesquisas, Carlos Borenstein, explicou os motivos da virada do presidente Lula no segundo turno da eleição presidencial. Também falou dos erros da campanha de Flávio Bolsonaro.