Sky + pode substituir o vídeo e o DVD

Imagine apertar uma tecla do controle remoto, ver na tela da TV a programação de dezenas de canais para os dias seguintes, e gravar com facilidade os filmes e programas que interessam. Essa é só uma das possibilidades do Sky +, novo serviço da operadora de TV via satélite. Estou testando esse aparelho há três semanas e já não quero mais viver sem ele.

Vejo muita TV, desde criança. Acompanhando a evolução tecnológica, passei a usar videocassete, TV a cabo, DVD. Sou assinante Sky há cinco anos. Mas confesso que nada mudou tanto minha maneira de usar a TV quanto esse novo serviço. Efeito colateral: há 20 dias não gasto um centavo na locadora alugando vídeos e DVDs.

O Sky + combina receptor de TV via satélite e gravador digital. Permite dar pausa em programas ao vivo, esperar o tempo desejado e dar "play" novamente. Dá para atender o telefone ou atacar a geladeira, sem perder uma cena do filme ou da novela preferida.

Eu só conhecia o Sky + através de anúncios. Seus recursos parecem muito bacanas, mas, mesmo para quem já é assinante, o preço não é animador: R$ 999 até o final de dezembro. Em janeiro, assinantes ou não assinantes pagam R$ 1,3 mil e um adicional de R$ 20 na mensalidade.

Pesando prós e os contras, achei que talvez fosse desperdício de dinheiro. Como o gravador do videocassete, que fica ali, inútil, com aquela luzinha verde piscando de noite na sala: 12:00, 12:00, 12:00... Resolvi resistir. Mas há um mês a Sky ofereceu ao jornal um receptor para teste.

Perguntei se podiam instalar em Ilhabela, e disseram que sim. Um técnico foi enviado e, como o Sky + usa dois fios para se conectar à antena, ele teve de subir no telhado, passar o novo cabo, conectá-lo a um módulo especial e descer o fio até o aparelho.

Minha casa tem dois receptores Sky. Um na sala de TV, monopolizado pelas crianças. Outro no quarto do casal. Queria ver se o aparelho agüenta o tranco e é fácil de usar. Pedi a instalação na sala de TV, e começamos a explorar o novo brinquedo.

No primeiro contato, fiz questão de não consultar o manual. Afinal, é assim que a maioria dos consumidores se comporta. O uso me pareceu totalmente intuitivo. Além dos botões comuns em qualquer controle remoto Sky, existe outro conjunto de teclas, iguais às de um videocassete.

Apertei a tecla "pause" e a imagem do telejornal ficou congelada. Apertei o "play" e o locutor voltou a falar. É meio insólito no começo. Como gravei alguns segundos, agora estava vendo a programação atrasada em relação ao sinal normal.

Insólito, mas muito bom. O recurso, chamado "live pause", muda totalmente nossa relação com a TV ao vivo. Quando tentei mudar de canal, um aviso na tela pediu confirmação, esclarecendo que, se mudasse, o trecho gravado seria perdido. Não tem como errar.

O botão "guide" abre o guia da programação, comum a todos os receptores Sky. A tela mostra os programas exibidos em cada canal, hoje e nos próximos dias. Um cursor permite passear pela tela, selecionando diferentes programas e vendo a sinopse de cada um.

Ao encontrar um filme interessante, pressiono o botão "record". Um ícone vermelho com as letras REC aparece ao lado do nome do filme no guia. Facílimo, mesmo para quem não se sente à vontade com traquitanas tecnológicas. Ainda que seja possível ver um programa e gravar outro, não dá para gravar dois ao mesmo tempo. Menus bem claros mostram conflitos desse tipo e pedem nossa decisão.

Por tudo isso, fica claro que a comparação com o gravador do videocassete não tem nada a ver. No Sky + não é preciso acertar o relógio do aparelho, procurar a programação da TV no jornal, voltar ao aparelho e pressionar um monte de teclas. Tudo é feito na tela da TV, em português, de maneira fácil e intuitiva.

Com uma explicação de dois minutos, minha filha de 10 anos saiu programando gravações com a maior facilidade. Meu filho, que tem 4, submeteu o controle a testes de impacto de fazer inveja ao IPT da USP. Tudo certo.

A empresa informa que o disco do gravador pode armazenar até 50 horas. Cheguei a ter 13 filmes gravados, e eles ocuparam cerca de metade do espaço disponível.

A conclusão é que existem coisas indispensáveis, coisas desnecessárias e coisas que só parecem supérfluas enquanto a gente não experimentou. O Sky+ está na última categoria.

Informação: Sulrádio/ AESP - Associação de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo/ Estadão


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