China começa corrida para TV digital

O governo da China iniciou ontem sua corrida para a criação de um padrão próprio de TV digital, com o firme propósito de entrar na disputa pela venda mundial de seu sistema - concorrendo com os padrões europeu, americano e japonês, naquela que já é considerada, pelos especialistas, uma das maiores brigas comerciais deste novo século.

A Academia de Ciências Sociais da China e a Academia Chinesa de Engenharia anunciaram que o "Zhongshi N 1", um chip de TV digital com 20 milhões de transístores e mais de 70 unidades de memória, passou nos testes técnicos e começará a ser produzido em larga escala para tentar estimular o lançamento de aparelhos com a nova tecnologia e substituir totalmente o atual sistema atual analógico até 2012.

O diferencial do novo chip, dizem as academias de ciências mais respeitadas da China internacionalmente, é o custo. O chip, produzido pelas empresas chinesas Grace Semiconductor e Semiconductor Manufactoring Corp., teria capacidade para evitar congestionamento de dados e um nível de sensibilidade superiores aos de seus concorrentes. E a um preço bem menor.

Com o início da implantação em larga escala do sistema digital de transmissão de TV - que os chineses esperam já estar funcionando, ao menos parcialmente, na transmissão dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008 - a China espera que seu padrão, chamado DMB-T, seja o preferido entre países que hoje estão tendentes a escolher um sistema preexistente e, até agora, estudavam os modelos americano (ATSC), europeu (DVB) ou japonês, como é o caso do Brasil.

O trunfo da China será a oferta de uma tecnologia que até agora não emplacou nem mesmo nos Estados Unidos - onde existem muito mais transmissores de TV digital que receptores - a custo mais acessível, especialmente aos países em desenvolvimento que não possuem tecnologia nem escala para desenvolver sistemas próprios.

Ainda que não venda sua tecnologia no exterior, o mercado chinês tem escala suficiente para fazer valer o esforço tecnológico. Os chineses possuem 370 milhões de televisores em casa e uma média de 40 milhões de aparelhos são vendidos todos os anos.

(Gilberto Scofield Jr., correspondente)


Informação: Sulrádio/AESP


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