De olho no potencial da faixa de freqüência utilizada pelas TVs pagas via microondas (MMDS), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou para consulta pública alterações na regulamentação deste segmento. O objetivo é incentivar as operadoras a digitalizar seus serviços e liberar parte da faixa de freqüência utilizada pelo MMDS para outros serviços. - Esta faixa é potencialmente favorável para qualquer serviço e visada, por exemplo, para a definição de uma faixa uniforme em todo o mundo para a terceira geração de celular - afirma Maria Lucia Bardi, gerente de Regulamentação e Planejamento de TV por assinatura da Anatel.
O principal incentivo dado pela agência será a mudança das normas de oferta de serviços, cujas restrições atendiam a uma limitação técnica da época da resolução, em 1997. Pela regras, a internet via MMDS deve estar atrelada ao serviço de TV paga, ou seja, a operadora não pode oferecer os serviços separadamente.
Apesar dos altos investimentos exigidos das operadoras, a digitalização é uma tendência na televisão, já que aumenta a variedade de serviços, oferta de canais e a qualidade da transmissão.
A TVA, única operadora do Rio de Janeiro a utilizar o MMDS, já aprontou seu projeto e pretende implementá-lo em meados deste ano. A primeira cidade a ter a infra-estrutura digitalizada será São Paulo, seguida do Rio de Janeiro.
- Com a evolução de tecnologias como o cabo e o satélite, o MMDS tem perdido espaço. A digitalização é a maneira de torná-lo competitivo - acredita Amilton de Lucca, diretor de Novos Negócios da TVA.
Com 295 mil assinantes em sete cidades do Brasil, com serviços a cabo e via MMDS, a primeira etapa da digitalização nas duas principais capitais vai atingir 87 mil clientes. A parte mais cara do processo é a substituição do aparelho decodificador na casa dos clientes e que custa US$ 150.
- O MMDS não permite manter o serviço analógico e o digital simultaneamente. Toda a infra-estrutura tem que ser substituída ao mesmo tempo - afirma de Lucca.
Com a mudança, a TVA deve ampliar a oferta de 31 para 80 canais de vídeo, além dos 40 canais de som e pelo menos 12 pay-per-view.
Para de Lucca, o incentivo da Anatel é interessante, mas não é o que determina a decisão pelo investimento.
- Nosso objetivo é oferecer a TV por assinatura, telefonia digital com voz sobre IP e internet banda larga.
Informação: Sulrádio/JB Online

