Comissão de Comunicação fica com Jader Barbalho

Numa reviravolta surpreendente que começou na manhã desta quarta, 2, o PMDB indicou o nome do deputado e radiodifusor Jader Barbalho, do Pará, para presidir a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. E acredita-se que a indicação tenha aval do governo.
Enquanto o líder do partido na Câmara ainda era o deputado mineiro Saraiva Felipe, indicado pela facção oposicionista do partido, o nome mais cotado era o do deputado Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro. Mas nesta quarta a facção governista do PMDB, em maior número que a oposicionista, protocolou junto à mesa a indicação para líder do nome do deputado José Borba, do Paraná. Com isso, o líder eleito na semana passada foi destituído. Ainda assim, o nome mais provável para ocupar a comissão era o de Henrique Eduardo Alves (RN), com bom trânsito entre os diversos partidos e ex-relator da PEC que alterou a regra para participação do capital estrangeiro nas empresas jornalísticas e de radiodifusão. Jader Barbalho estava cotado para a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, posição em que se sentia desconfortável pelos possíveis problemas que enfrentaria, especificamente pelas acusações de trabalho escravo em suas propriedades na Amazônia. Segundo fontes do Congresso, foi então articulada a troca de posição com Henrique Eduardo Alves. Na eleição da Comissão de Comunicação, votaram 37 dos 40 deputados, e Barbalho foi eleito com 33 votos. O 1º vice presidente é o deputado Pedro Chaves (PMDB-GO); o 2º vice, Eduardo Sciarra (PFL-PR); e o 3º vice-presidente, Silas Câmara (PTB-AM).

Histórico
Jader Barbalho é advogado e empresário em diversas áreas, inclusive comunicações. Tem emissoras no Pará, onde é afiliado da Rede Bandeirantes. Foi líder do PMDB na Câmara e presidente nacional do partido. Durante o governo Sarney foi ministro da Reforma Agrária, e depois ministro da Previdência e Assistência Social. Também foi ainda senador e governado do Pará. Durante o governo Fernando Henrique, Barbalho apareceu envolvido no escândalo de desvio de verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Também pesa sobre ele a acusação de ter sido o beneficiário de recursos desviados do Bando do Estado do Pará.
Segundo informações da Agência Câmara, ao tomar posse como presidente da CCTCI, Jader Barbalho se disse entusiasmado por presidir a comissão, afirmando que irá “procurar, acima de tudo, colocar em debate todos os temas polêmicos e controvertidos ligados à ciência e tecnologia”. Na prática, segundo observadores do PSDB e do PT, mesmo sendo radiodifusor, a comissão é o melhor lugar para Barbalho fazer política, pois é onde tramitam as renovações de outorgas, por exemplo. Também é pouco provável que seja alvo de denúncias nesta posição. Da Redação

Novos membros do CCS tomam posse; Niskier é presidente

O atual secretário da cultura do Estado do Rio de Janeiro, Arnaldo Niskier, foi eleito presidente do Conselho de Comunicação Social (CCS) nesta quarta, dia 2. Para a vice-presidência foi eleito Luiz Flávio Borges D’Urso, representante da OAB/São Paulo. Ao contrário da primeira composição do CCS, em que José Paulo Cavalcanti foi eleito presidente por consenso, desta vez houve disputa entre Niskier e o conselheiro Roberto Wagner.

Vagas usurpadas

O grupo de conselheiros ligados aos segmentos trabalhistas (jornalistas, radialistas, artistas e cinema) criticou, durante a solenidade de posse e eleição do presidente do CCS, o fato de que três das cinco vagas destinadas à sociedade civil no CCS estarem sendo indevidamente ocupadas por pessoas ligadas ao empresariado de comunicações. Duas destas vagas, aliás, são justamente às de Roberto Wagner, que na composição anterior do CCS era indicado como representante das emissoras de televisão, e Arnaldo Niskier, ex-diretor da Rede Manchete, apresentador de programas de televisão e até recentemente na Rede Vida de Televisão. Mesmo assim, a ala não empresarial do CCS manifestou apoio à candidatura de Roberto Wagner, justificando sua escolha pelo fato do conselheiro ter mais “experiência nas questões já tratadas pelo CCS”, conforme declarou Daniel Herz, falando em nome do grupo. Roberto Wagner, durante os trabalhos do CCS no ano passado, fechou com posições defendidas pelo Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações, entidade da qual participam todas as entidades de trabalhadores cujos representantes estão no CCS. Especialmente a posição contrária à fusão DirecTV/Sky, contrária ao aumento da participação do capital estrangeiro na TV a cabo, e a discussão sobre a regionalização da produção de televisão. Os dois candidatos a presidente falaram de suas propostas para o CCS: Roberto Wagner argumentou que era o melhor candidato por ser advogado. “A experiência mostrou que o conhecimento jurídico é importante para resolver diversas questões postas aos conselheiros”. Colocou em sua defesa, ainda, o fato de não ter nenhum vínculo com cargo público. Em resposta Niskier afirmou que não havia nenhuma indicação de que um advogado poderia se sair melhor como presidente do CCS que um professor de matemática e pedagogo que sempre se interessou por assuntos de comunicação: “não vou precisar estudar de noite para saber da importância da TV digital”, argumentou. Apesar da disputa, os dois candidatos, contudo, ressaltaram vínculos mútuos de amizade. Ambos foram diretores da TV Manchete.
Niskier, depois de eleito, pediu ao conjunto dos conselheiros as propostas prioritárias para discussão no CCS. Disse ainda que vai tentar garantir junto à mesa do Senado melhores condições de infra-estrutura para o funcionamento do conselho.
Os novos conselheiros foram empossados em sessão presidida pelo Senador Tião Viana, primeiro vice-presidente do Senado, por delegação do presidente Renan Calheiros. A sessão contou com a presença dos senadores José Sarney ex-presidente do Senado, e Marco Maciel, ex-vice presidente da República. A sessão que elegeu o presidente e o vice foi presidida por João Monteiro de Barros Filho, presidente da Rede Vida de Televisão, mas que no CCS representa a sociedade civil.

Currículo
Arnaldo Niskier é formado em matemática e pedagogia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, escola da qual se tornou posteriormente professor. Foi secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e duas vezes secretário de Educação de governos do PMDB no Estado do Rio de Janeiro. É membro da Academia Brasileira de Letras, já tendo inclusive ocupado a presidência da ABL. Tem longa experiência em jornalismo impresso (revista Manchete), em rádio (Radio MEC) e televisão (TVE, Manchete e Rede Vida). Foi membro dos conselhos estaduais de Cultura e de Educação do Estado do Rio de Janeiro e membro do Conselho Federal de Educação, onde atuou especificamente na área de educação à distância.



Informação: AESP/Tela Viva News - Comunicação



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