Após fazer um ultimato e irritar o presidente Lula, dizendo em Curitiba que seu partido, o PP, iria se aliar à oposição caso seu apadrinhado Ciro Nogueira não fosse nomeado para o ministério, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, recuou. À noite, já em Brasília, ele foi recebido por Lula e disse que suas declarações - gravadas pelos jornalistas e exibidas pela TV - tinham sido distorcidas. À saída do palácio, admitiu: "Quem decide é o presidente."
Mais cedo, o ultimato de Severino tinha provocado irritação no Palácio do Planalto. No encontro da noite, com o presidente e os ministros José Dirceu e Antônio Palocci, o presidente da Câmara repetiu as bravatas que tinha dito nos microfones de Curitiba. "Está na mesa o nome do deputado Ciro Nogueira (PP-PI), o futuro ministro das Comunicações. Se o presidente não assinar amanhã, o PP poderá ser um aliado do PFL", bradou ele no Paraná.
Em Brasília, poucos minutos depois da dura fala de Severino, veio a reação do líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante. Ele disse que "cada um tem o seu estilo, mas elegância e respeito são muito importantes no trato entre as autoridades".
Igualmente exigente tinha sido a reação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também cobrou do presidente Lula uma definição da reforma ministerial para esta terça-feira. Em linguajar mais rebuscado e menos agressivo, disse que o PMDB "não está tendo a exata dimensão da reforma". Lula burilou sua aproximação com o PMDB e recebeu também o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP).
Informação: Estadão


