Governo prepara grande ofensiva de inclusão digital

Projeto, se optar pelo Linux, será um dos mais ambiciosos do mundo. Mantido o cronograma divulgado pelo Ministério das Comunicações, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vai anunciar o programa PC Conectado nas próximas semanas. Será a maior iniciativa de inclusão digital do governo e, se depender do grupo que tem a incumbência de estudar as opções de software do programa, será também um dos mais ambiciosos projetos globais de utilização do sistema operacional Linux em larga escala e com foco no mercado doméstico. Se optar exclusivamente pelo software livre, ou seja, privilegiá-lo com subsídios na competição com plataformas proprietárias e sustentar estes incentivos por algum tempo, o governo brasileiro estará fazendo algo inédito no mundo.
Hoje, o software livre roda mesmo é nos novos servidores: naqueles computadores potentes vendidos mundo afora nos últimos anos. Até agora, a maior parte dos grandes projetos de instalação de programas de código aberto em PCs buscaram as estações de trabalho de governos e empresas. E se alguns programas de popularização do uso de computadores pessoais na Ásia (Malásia, Tailândia e Coréia do Sul) já incluíram o software livre em seus produtos domésticos, os governos que os promoveram, ao contrário do Brasil, nem tinham na ocasião uma política de adesão e estímulo ao uso do software livre e nem deram os incentivos e o suporte na escala necessária para projetos de inclusão digital de tal porte. Qualquer que tenha sido o problema, porém, estes programas asiáticos, segundo a consultoria internacional IDC, não tiveram sucesso no que se refere à popularização do Linux.
O governo brasileiro tem algum temor de operacionalizar tudo o que seu grupo de software sugere para o programa PC Conectado. Mas há fortes indicações, vindas precisamente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), que faz parte do grupo especial - que suas iniciativas com softwares de código aberto serão mais agressivas que as dos asiáticos. Existe a intenção de transformar o Linux em uma opção definitiva de mercado ao Windows, da Microsoft. Para isso, o governo deverá garantir, além de marketing e pesquisa (algo que já começou a ser feito), que o Linux e suas aplicações tenham custo de aquisição mais baixo do que o concorrente direto e tenham suporte estruturado em cerca de um milhão de PCs no primeiro ano, meta inicial do programa e o equivalente a 25% das vendas anuais de computadores pessoais no mercado nacional.
Sustenta-se, também, no alto escalão da informática governamental, que uma grande iniciativa com software livre, se bem organizada, pode favorecer a criação de um megassistema colaborativo (capaz de concorrer com a rede comercial de milhares de prestadores de serviço da Microsoft) e promover o desenvolvimento econômico de uma forma mais rápida e consistente do que em ambientes proprietários, gerando imediatamente capacitação em tecnologia da informação e empregos.
Com base em algumas destas idéias, os cientistas Walter Bender e David Cavallo, do laboratório de mídia do Massachussets Institute of Technology (MIT), declararam, há duas semanas, em carta encaminhada ao presidente do ITI, Sérgio Amadeu, apoio ao uso do software livre de alta qualidade nas iniciativas de inclusão digital levadas adiante pelo governo Lula, em particular no programa PC Conectado. A aproximação entre o MIT e o ITI foi feita por Rodrigo Mesquita, diretor da empresa brasileira Radiumsystems, que adota soluções em código aberto e tem interesse no desenvolvimento dos negócios e da cultura do software livre. "Considero que o meio ambiente tecnológico é vasto o suficiente para abrigar a todos e que a organização e fomento da parte de fornecedores que estão montados no Linux e nos softwares de código aberto vai significar mais mercado para todos", afirma Mesquita.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 13)(Vicente Vilardaga)





Informação: AESP/Jornal da Câmara


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