Criação de RTVIs foi "erro de timing", diz Casa Civil

Na avaliação de André Barbosa, assessor especial da Casa Civil para assuntos de comunicação, somente agora está sendo possível avaliar que a edição do decreto que criou as emissoras institucionais (RTVIs), inclusive com a possibilidade de geração local parte da programação, foi precipitada.
Barbosa considera que os méritos da proposta inicial são inegáveis, por permitir que a totalidade da população brasileira, e não apenas os que dispõem de televisão por assinatura, tenham acesso aos canais da TV Câmara, TV Senado e TV Justiça e, portanto, às discussões do Legislativo e Judiciário. Haveria também ganhos ao se ampliar a rede de distribuição dos sinais da Radiobrás e permitir a produção local de televisão. "Mas houve um erro de timing. Não era hora ainda de abrir esta possibilidade, por diversas razões”, afirma Barbosa. Segundo o secretário, o governo pretende, primeiramente, criar condições para a criação dos conselhos municipais de comunicação social, que serão a base para a implementar os diferentes projetos de comunicação pública e comunitária.
As RTVIs foram criadas há menos de dois meses e rapidamente o decreto foi alterado, impedindo a possibilidade de geradoras institucionais. Sabe-se que o setor de radiodifusão se opÕs à idéia.
Na avaliação do governo, não existe possibilidade concreta de produção de televisão na maior parte dos municípios brasileiros e haveria uma “corrida” para a obtenção de conteúdo paralelo produzido em nível nacional. Este primeiro erro foi corrigido, na avaliação de Barbosa, com a publicação do segundo decreto que revogou os artigos que permitiam a geração local. “Mas isso será provisório, porque a pretensão do governo é, no futuro, quando os conselhos de comunicação social municipais começarem a funcionar, permitir a geração no município”, afirmou o assessor.
O segundo grande problema do timing na publicação do Decreto foi abrir um precedente para a concessão de retransmissoras num momento em que se prepara o espectro radioelétrico para a implantação da televisão digital. Além disso, desde 2001 não se concede novas geradoras com o argumento de que é preciso preparar o espectro para a transição digital. Mas este erro não há como corrigir, na visão do assessor: “nós ficamos muito mal com toda esta gente que solicitava a abertura de novas licitações para geradoras de televisão”, afirma Barbosa.

Análise
A reserva de espectro para a canalização da TV digital é um problema facilmente contronável, já que a Anatel, com a assessoria do CPqD, reservou canais para todas as geradoras e retransmissoras em todas as cidades com mais de 100 mil habitantes, localidades por onde será certamente implantada a televisão digital. Basta não abrir mão destes canais já reservados e entregá-los a uma emissora institucional.
A outra curiosidade da política de comunicações do governo é a exigência de criação dos conselhos municipais de comunicação social para depois viabilizarem a existência da geração de televisão municipal nas RTVIs. A experiência dos movimentos sociais é “abrir caminho andando”.
As justificativas do assessor da Casa Civil não dissipam as suspeitas de que o governo cedeu a um forte movimento de oposição às RTVIs vindo das redes e geradoras comerciais.








Informação: AESP/Tela Viva News


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