O Seminário Uso de Álcool, Saúde e Sociedade, organizado pelo Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool (Cisa), reuniu hoje (26), no Hotel Sofitel, em São Paulo, cerca de 200 profissionais de diferentes áreas para discutir sobre vários aspectos do uso de álcool.
Sandra Scivioletto, presidente do Conselho Científico do Cisa, abriu a sessão de palestras, alertando que a responsabilidade pelo consumo consciente de álcool é de todos: governo, empresas, escolas, líderes religiosos e dos pais. A psiquiatra frisou ainda que a mudança de conceitos e valores de toda a sociedade é uma tarefa difícil, mas que tem que ser contínua.
Representando o prefeito José Serra, o secretário de Saúde do município, Cláudio Lottenberg, expôs os programas a serem colocados em prática durante a sua gestão. Ele afirmou ainda que vê o "Cisa como um carro-chefe no trabalho da luta contra o álcool". Cláudio saiu do evento com uma promessa de que o Cisa e a prefeitura atuariam, a partir de agora, em conjunto.
Na primeira palestra internacional do dia, Hubert Sacy, publicitário e diretor geral da ONG canadense Éducc’álcool, mostrou como é feito o trabalho de sua entidade, afirmando que, para eles, "a moderação é sempre de bom gosto". Hubert alertou ainda que as diferentes relações culturais com o álcool podem influenciar na forma de consumo.
Outro ponto alto de sua apresentação foi a novidade do lançamento no Brasil da cartilha "Como conversar sobre álcool com o seu filho". Uma adaptação brasileira do trabalho desenvolvido pela ONG Éducc’Álcool será lançado em breve pelo Cisa. Logo em seguida, o médico cardiologista Protássio Lemos da Luz expôs que o consumo moderado de vinho tinto pode fazer bem à saúde, sempre alertando para pessoas que tenham contra-indicações como gestantes, arritmias cardíacas e menores de 18 anos. Rita de Cássia Cunha, assessora técnica do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), enfatizou a necessidade de campanhas preventivas de trânsito.
Na última palestra da manhã, Rick Harwood, vice-presidente do Grupo Lewin, empresa líder em consultoria de serviço de saúde nos Estados Unidos, mostrou dados alarmantes sobre custos com álcool naquele país, onde a bebida alcoólica é o terceiro causador de mortes (cerca de cem mil de pessoas por ano). Segundo ele, o dinheiro gasto com danos causados pelo álcool, como acidentes de carro, doença e incapacitação no trabalho, somam cerca de US$ 185 bilhões por ano.
Comunicação de bebidas alcoólicas
As mesas da tarde foram compostas para expor temas referentes a comunicação e veiculação de bebidas alcoólicas na mídia. Na primeira apresentação, Ismael Rocha, da ESPM, e Nizan Guanaes, da África Propaganda falaram, sobre a importância de alertar a sociedade para a responsabilidade pós-consumo. Para eles, a propaganda não é a única culpada do consumo exagerado de álcool. "A propaganda não tem tanto poder e por isso, não pode levar todo o ônus", afirmou Ismael. Ambos alertaram ainda que a imprensa tem que agir de uma maneira mais direta, assumindo o problema social de maneira mais integrada. "Toda empresa tem que ser socialmente responsável", alertou Nizan.
Para finalizar o seminário, João Roberto Vieira da Costa, da SNBBnovagência, e Pedro Gabriel, coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, debateram sobre a importância de políticas públicas para o consumo moderado de álcool. Para eles, ações mais eficazes, como uma maior taxação, um maior controle nos horários das propagandas e ações comunitárias, têm que ser tomadas, com urgência. O médico psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, presidente-executivo do Cisa, encerrou o dia alertando para a necessidade de todos trabalharem juntos -governo, sociedade e setor privado - na prevenção do consumo exagerado do álcool.
Informação: Pauta Social


